"Virada do Ciclo Pecuário: Alta de 8% no Preço do Boi Gordo e Impactos no Mercado"
Gado de CorteA Granja·Publicado em 19/02/2026·3 mins de leituraGrátis

"Virada do Ciclo Pecuário: Alta de 8% no Preço do Boi Gordo e Impactos no Mercado"

Preço do boi gordo sobe com retenção de fêmeas, sinais de virada no ciclo pecuário.

"Virada do Ciclo Pecuário: Alta de 8% no Preço do Boi Gordo e Impactos no Mercado"

A Virada do Ciclo Pecuário no Brasil: Sinais Claros de Mudança

Depois de um longo período de expectativa, sinais de uma virada no ciclo pecuário brasileiro começam a surgir. O preço do boi gordo registrou uma alta significativa de cerca de 8% nos últimos 20 dias, atingindo R$ 344 por arroba, o nível mais elevado desde novembro de 2024.

Dois pontos principais contribuem para a sustentação desse movimento. Primeiro, a demanda por carne bovina continua firme, refletida pelo aumento de 29% nas exportações de janeiro. Em segundo lugar, a rentabilidade dos criadores de bezerros está acima da média histórica, incentivando a retenção de fêmeas férteis no campo.

O fator que faltava para impulsionar a alta do boi gordo era a redução dos animais disponíveis para abate. Em janeiro, o número de bovinos abatidos caiu 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado, somando 2,3 milhões de cabeças. Comparado a dezembro de 2025, houve uma retração de 5%, conforme dados da consultoria Agrifatto.

Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto, destaca que os frigoríficos reduziram suas escalas de abate para quatro a cinco dias, diferente das escalas anteriores de dez dias. "Com o princípio da falta de boi e o primeiro sinal de abate de fêmeas, o preço da arroba se manteve firme", explica.

O abate de fêmeas registrou um crescimento de 11,2% em relação a dezembro de 2025, alcançando 878 mil cabeças. Contudo, anualmente, houve uma queda de 12,7%. Apesar de ainda elevado, comparado à média dos últimos cinco anos para janeiro, os números indicam uma desaceleração no abate de fêmeas.

"Parece que, finalmente, vamos começar a ver a retenção mostrar a sua cara depois de quatro anos de descarte de fêmeas", comenta César de Castro Alves, coordenador da consultoria agro do Itaú BBA.

Outro fator positivo para essa dinâmica é o aumento expressivo no preço do bezerro, que já subiu mais de 50% desde julho de 2024, conforme informações do Cepea. Isso aumenta os incentivos dos criadores para manter as matrizes no campo.

O ágio do bezerro em relação ao preço do boi gordo está cerca de 27% em São Paulo, bem acima da média de 14% calculada a partir de 2001, segundo a Athenagro. Nos últimos seis meses, essa diferença alcançou 23%.

A mudança no ciclo pecuário tem implicações significativas para diversos stakeholders na cadeia de produção, desde pecuaristas até frigoríficos. Durante fases de retenção de fêmeas, o preço do boi gordo tende a subir, aumentando as margens dos pecuaristas. Entretanto, frigoríficos podem enfrentar pressões sobre suas margens devido ao gado mais caro.

  • Exportações crescentes: Alta de 29% no início do ano mostra a robustez da demanda externa.
  • Redução no abate: Queda de 4,6% em relação ao ano anterior sinaliza menor oferta.
  • Elevação do preço do bezerro: Incentiva a retenção de fêmeas, fundamental para o ciclo.

Com esses dados, a potencial virada no ciclo pecuário deverá ser acompanhada de perto por todos os envolvidos. Como os pecuaristas se ajustarão a essa nova realidade? Qual será o impacto nos frigoríficos e nos consumidores? Questões que permanecem no radar e prometem transformar o cenário do agronegócio brasileiro.

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