
A Lactalis manteve a liderança do ranking de captação de leite em 2025, com 2,9 bilhões de litros recebidos no ano. O levantamento mostra que as 17 empresas listadas concentraram aproximadamente 40% do volume de leite formalmente inspecionado no país, estimado em 27,5 bilhões de litros pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No pano de fundo, a cadeia leiteira atravessa um período de retomada: a produção nacional cresceu 8,5% em 2025 na comparação com 2024. O avanço, segundo representantes do setor, está diretamente ligado ao alívio nos preços pagos ao produtor após um ciclo de queda e pressão de mercado.
O aumento da captação de leite pelas maiores empresas do país foi atribuído principalmente à melhora da remuneração ao produtor rural. Dados do indicador Cepea/Esalq apontam que o preço ao produtor, que chegou a R$ 1,88 por litro em outubro de 2023, superou R$ 2,80 em março de 2025 no Brasil.
Com preços mais atrativos, a captação se fortalece e o setor ganha fôlego para sustentar a produção e investir em qualidade.
Apesar do aumento na captação e na produção, o levantamento indica que o número de produtores fornecedores das empresas do ranking diminuiu. Em 2025, foram contabilizados 43,2 mil fornecedores, uma queda de 3,2% em relação a 2024.
Para o setor, a retração no número de produtores é parte de um movimento de consolidação que se intensifica em períodos de crise. A leitura é de que, em momentos de maior pressão econômica, parte dos produtores reduz a atividade, sai do mercado ou migra para modelos mais enxutos.
Um dos fatores apontados como relevantes para a queda dos preços em períodos anteriores foi o aumento das importações de lácteos. A participação das compras externas, que historicamente ficava entre 1,5% e 3% do total consumido no Brasil, teria subido para 8% a 12%. Esse movimento, segundo a avaliação do setor, pode gerar pressão sobre o preço pago ao produtor e agravar a instabilidade econômica na atividade leiteira.
Enquanto o número de fornecedores recua, a produtividade média das propriedades que permanecem na atividade avançou. Em 2025, a produtividade cresceu 12,4%, alcançando 647 litros/dia.
Na avaliação de lideranças do setor, os produtores que seguem entregando leite às grandes empresas estão buscando ganhos de competitividade com:
Tecnificação da produção e melhoria de processos;
Uso de tecnologia para gestão e controle zootécnico;
Manejo mais eficiente e boas práticas;
Gestão administrativa voltada a custos e produtividade;
Foco em qualidade do leite e desempenho do rebanho.
Esse cenário reforça uma tendência já conhecida do agro: menos produtores, porém mais produtivos, em um ambiente em que custo, eficiência e escala ganham peso nas decisões.
Entre as 17 companhias que compõem o ranking, 13 registraram crescimento no volume captado em 2025. As primeiras posições não mudaram: a Lactalis seguiu na liderança, com alta de 7,6% frente ao ano anterior, ao alcançar 2,9 bilhões de litros.
A Lactalis estabeleceu como meta atingir 4 bilhões de litros de captação até 2030. Parte dessa estratégia passa por programas de assistência ao produtor. Um exemplo é o Lactaleite, que oferece plano de assistência técnica e fornecimento de insumos. Cerca de 20% da base de produtores da empresa é atendida pelo programa, e, dentro desse grupo, foi registrado crescimento de 18% na captação, segundo a companhia.
Para sustentar a expansão, a empresa aposta tanto no fortalecimento de relações com produtores atuais quanto no vínculo com cooperativas. A Lactalis informou que aproximadamente 50% do volume vem de contratos de longo prazo firmados com diferentes cooperativas, com maior concentração na região Sul e em Minas Gerais.
Na segunda colocação, o Grupo Piracanjuba registrou 2 bilhões de litros em 2025, com crescimento de 6,9% na comparação anual. A empresa projeta uma estratégia de expansão conectada ao objetivo de dobrar o faturamento entre 2024 e 2030, o que exige ampliar a base de captação.
Dentro desse plano, o Nordeste foi definido como uma região estratégica. Em 2025, o grupo anunciou a aquisição da Natulact, de Sergipe, como forma de estabelecer presença em uma área na qual não tinha atuação relevante. A avaliação interna é de que, para crescer, é necessário acessar as principais regiões produtoras do país e garantir capilaridade na originação.
O estudo informou que cinco grandes empresas que poderiam integrar o ranking foram convidadas, mas não responderam ao levantamento. Por esse motivo, não constaram na lista final.
Para 2026, a expectativa do setor é de que uma nova melhora nos preços ao produtor possa criar outro impulso para a oferta de leite. A projeção considera dados de referência do Cepea/Esalq e análises do Centro de Inteligência do Leite, ligado à Embrapa.
Se confirmada, a valorização pode fortalecer a cadeia em duas frentes: recomposição de margem para o produtor e maior previsibilidade para a indústria na captação. Ainda assim, o desempenho tende a depender de fatores como importações, custos de produção e capacidade do setor em sustentar ganhos de produtividade e qualidade.
Indicador Resultado Líder do ranking (2025) Lactalis Captação da Lactalis 2,9 bilhões de litros (+7,6%) 2º lugar Piracanjuba: 2 bilhões de litros (+6,9%) Volume formalmente inspecionado (IBGE) 27,5 bilhões de litros Participação do ranking no volume inspecionado Cerca de 40% Fornecedores (2025) 43,2 mil (-3,2%) Produtividade média 647 litros/dia (+12,4%) Preço ao produtor (Cepea/Esalq) De R$ 1,88 (out/2023) para acima de R$ 2,80 (mar/2025)
O estado líder na produção de leite prevê queda de 21,9% no VBP da pecuária leiteira de 2025 para 2026, de R$ 18,1 bilhões para cerca de R$ 14,1 bilhões (78% das perdas da pecuária local). Em contrapartida, os criadores de bovinos devem registrar aproximadamente R$ 19 bilhões de receita bruta neste ano, +5% frente a 2025, consolidando o terceiro ano de resultados positivos. A recuperação de preços foi impulsionada pela reacomodação de embarques para Países Baixos, Filipinas e China, após a retirada de tarifas dos EUA.