
Os preços do milho registraram forte queda na B3 nesta quarta-feira (8), refletindo uma combinação de fatores técnicos e fundamentais que aumentaram a pressão sobre os contratos futuros. Ao longo do pregão, o mercado passou a precificar com mais intensidade a desvalorização do dólar, o avanço da colheita no Brasil e sinais mais positivos para o desenvolvimento da safrinha em regiões estratégicas.
Por volta de 13h15 (horário de Brasília), as cotações recuavam entre 0,9% e 1,3% nos contratos mais negociados. O vencimento maio era negociado a R$ 69,24 por saca, enquanto o julho marcava R$ 69,45. Já os vencimentos mais distantes ainda se mantinham na casa dos R$ 70, com setembro em R$ 70,52 e janeiro/27 em R$ 75,00.
Analistas apontam que o movimento desta quarta-feira foi sustentado por um conjunto de elementos que atuaram simultaneamente, reforçando a tendência de baixa. Entre eles, o destaque ficou com o câmbio, a oferta interna e o cenário internacional de commodities.
Dólar em queda: a moeda americana recuou com força frente ao real e chegou a testar níveis abaixo de R$ 5,10, mantendo pressão direta sobre os preços do milho na B3.
Colheita da safra de verão: o andamento da colheita aumenta a disponibilidade do cereal e influencia a percepção de oferta no curto prazo.
Plantio da safrinha evoluindo melhor: o retorno de chuvas em áreas importantes, como o Paraná, trouxe alívio ao risco climático e adicionou peso às cotações.
Baixas em Chicago: o milho também recuou na Bolsa de Chicago, acompanhado por quedas do petróleo e do trigo.
O dólar foi um dos principais vetores de baixa para o milho no mercado futuro. Com a moeda americana recuando perto de 1% e voltando à casa de R$ 5,11 no início da tarde, os contratos na B3 sentiram o impacto. Em geral, um dólar mais fraco reduz a competitividade do produto brasileiro nas exportações e tende a diminuir o apetite por compras no mercado futuro.
“No Brasil, o mercado físico está pressionado, oscilando entre pequenas quedas e estabilidade nas principais regiões produtoras do país.”
— Analista de mercado João Vitor Bastos

O ouro operou em queda nesta terça-feira, negociado em torno de 4.698,41 dólares por onça, pressionado pela escalada dos preços da energia e pelos conflitos no Médio Oriente. O metal segue mais como indicador de risco macroeconómico do que refúgio seguro, oscilando entre petróleo, inflação, o dólar e as expectativas sobre a política monetária da Fed. As declarações de Donald Trump sobre o Irã — chamando a contraproposta de “um pedaço de lixo” e afirmando que o acordo está em “suporte de vida” — aumentam a incerteza. O mercado projeta, contudo, a possibilidade de aperto da Fed até o fim do ano, com a probabilidade de uma subida de 25 pontos-base ainda na mesa. Economistas esperam que a inflação norte-americana de Abril tenha acelerado de 3,3% para 3,7%.

Além do efeito do câmbio sobre os contratos futuros, o mercado físico também apresenta sinais de pressão. A combinação entre colheita avançando e expectativa mais positiva para a safrinha contribui para um ambiente de maior oferta e cautela na formação de preços, com os valores oscilando entre estabilidade e pequenas baixas nas principais regiões produtoras.
Esse quadro ajuda a explicar por que a B3 acompanhou o movimento de fraqueza, especialmente nos vencimentos mais próximos, que refletem com maior sensibilidade as condições imediatas de oferta e demanda no país.
No cenário internacional, a Bolsa de Chicago também registrou perdas relevantes. Os preços do milho reagiram ao avanço considerado adequado do plantio da safra 2026/27 dos Estados Unidos, sinalizando um ritmo que reduz preocupações com atraso e melhora a percepção de normalidade na produção.
Outro fator que pesou sobre o complexo agrícola foi o comportamento do mercado de energia. O petróleo devolveu parte das altas recentes, com os barris de brent e WTI abaixo de US$ 100, após o anúncio de cessar-fogo envolvendo Irã e Estados Unidos, ainda cercado de informações divergentes. Mesmo com incertezas sobre a consolidação do acordo, o impacto imediato foi uma retração expressiva nas cotações do petróleo.
As perdas nos futuros do petróleo superaram 15% na tarde desta quarta-feira, ampliando o sentimento de aversão a preços elevados em diversas commodities e influenciando diretamente o milho, que mantém correlação com o setor de energia em diferentes frentes de demanda e precificação.
O milho também sentiu o efeito de um movimento mais amplo entre os grãos. O trigo registrou quedas superiores a 3% na CBOT, contribuindo para um ambiente de baixa generalizada nas commodities agrícolas. Quando o trigo cai com força, parte do mercado tende a reavaliar posições em outros grãos, elevando a volatilidade e aumentando a pressão sobre o milho.
Contrato Preço (R$ por saca) Tendência no dia Maio 69,24 Queda Julho 69,45 Queda Setembro 70,52 Mais estável (nível de R$ 70) Janeiro/27 75,00 Mais firme (longo prazo)
Para os próximos dias, o mercado deve seguir monitorando a trajetória do dólar, o ritmo da colheita e o desenvolvimento da safrinha, especialmente em áreas onde a umidade do solo e a regularidade das chuvas podem determinar o potencial produtivo. No exterior, a atenção permanece voltada ao ritmo de plantio nos Estados Unidos e ao comportamento do petróleo, que tem influenciado o sentimento geral das commodities.
Em síntese: a queda do milho na B3 nesta quarta-feira refletiu um cenário de pressão cambial, melhora de condições climáticas em regiões produtoras e baixa internacional, com Chicago e o setor de energia reforçando o viés negativo do pregão.
```
Os mercados globais de commodities fecharam em movimento positivo, com o MXV subindo 1,15% e atingindo 2.918 pontos, em seu nono pregão consecutivo de ganhos impulsionado pelos efeitos indiretos do setor de energia diante das tensões no Oriente Médio.