Plano Safra 2025/26: R$70 bilhões em crédito rural com juros subvencionados ainda disponíveis
Política & LegislaçãoA Granja·Publicado em 13 de abril de 2026 às 17h54·5 mins de leituraGrátis

Plano Safra 2025/26: R$70 bilhões em crédito rural com juros subvencionados ainda disponíveis

Plan Safra 2025/26 ainda possui ~R$70 bi subsidiados; desembolsos caem e produtores cautelosos.

Plano Safra 2025/26: R$70 bilhões em crédito rural com juros subvencionados ainda disponíveis

Plano Safra 2025/26 tem cerca de R$ 70 bilhões em crédito rural subvencionado ainda disponível, mas desembolsos seguem abaixo do esperado

Mesmo sendo a modalidade de financiamento considerada mais acessível dentro do sistema oficial, o crédito rural equalizado (com juros subvencionados pelo governo) segue com ritmo de liberação abaixo do programado no Plano Safra 2025/26. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura indicam que ainda há aproximadamente R$ 70 bilhões disponíveis para contratação por médios e grandes produtores.

No acumulado de nove meses da safra 2025/26 (de julho de 2025 a março de 2026), os desembolsos de crédito equalizado somaram R$ 43,4 bilhões, o equivalente a 38% do total de R$ 113,4 bilhões previsto para toda a temporada. O resultado reforça um cenário de restrição de crédito e maior cautela do produtor rural em um ambiente de juros elevados.


Desembolso menor reflete cautela, juros altos e maior seletividade bancária

A desaceleração ocorre apesar de o crédito equalizado contar com subvenção direta da União. Na avaliação de especialistas, parte relevante desses recursos permanece “empoçada” nas instituições financeiras, que estariam mais conservadoras diante do aumento de inadimplência e do volume de recuperações judiciais no setor.

“As instituições financeiras estão apertando as avaliações de crédito em virtude do alto nível de inadimplência e de recuperações judiciais no setor. Isso está dificultando as concessões.”

Rogério Boueri, consultor da Sapeba Agroambiental e ex-secretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais do Ministério da Fazenda.

Segundo a leitura do consultor, as instituições podem preferir endurecer critérios e lidar com eventuais questionamentos regulatórios a assumir riscos adicionais de perdas por inadimplência. Ao fim da temporada, bancos e cooperativas que não aplicarem integralmente recursos vinculados a exigibilidades podem arcar com custo financeiro e até sofrer sanções administrativas — embora exista a expectativa de maior flexibilidade do Banco Central para evitar pressão adicional sobre o mercado financeiro rural.


Saldo elevado em custeio, investimento e comercialização

O boletim do Ministério da Agricultura detalha que a maior parcela do crédito equalizado ainda disponível se concentra nas linhas de custeio e investimento, com percentuais acima de 60% do volume programado. Já as linhas de comercialização também apresentam grande saldo remanescente.

Linha equalizada (agricultura empresarial) Concedido até março Programado na safra Saldo aproximado Custeio R$ 24,7 bilhões R$ 63 bilhões 61% do total Investimento R$ 18,4 bilhões R$ 49,5 bilhões 63% do total Comercialização R$ 307 milhões R$ 845 milhões 64% do total

Na prática, os números indicam que, mesmo com recursos disponíveis e taxas teoricamente mais competitivas do que as de mercado, a combinação de crédito mais restrito e avaliações mais rigorosas vem limitando o acesso às linhas subsidiadas.


Crédito oficial cai 13% na safra 2025/26; CPR ganha espaço

Ao analisar o crédito rural para a agricultura empresarial em linhas oficiais (sem incluir CPR), o quadro é de retração. Entre julho de 2025 e março de 2026, o desembolso total chegou a R$ 203,8 bilhões, queda de 13% em comparação com os R$ 235,1 bilhões registrados no mesmo período do ciclo anterior, segundo o Boletim do Crédito Rural com base em dados do Banco Central.

O número de contratos também diminuiu: foram 283.043 operações na safra atual até março, recuo de 26% na comparação anual. Em contrapartida, o crédito via Cédulas de Produto Rural (CPR) avançou com força: cresceu 38%, alcançando R$ 183,1 bilhões no mesmo intervalo.

Quando se somam linhas tradicionais e CPRs, o desembolso acumulado na safra chega a quase R$ 387 bilhões, alta de 5% frente ao ano anterior. Já o total contratado no período, incluindo valores ainda não liberados, soma R$ 404 bilhões, crescimento de 10%.

Em destaque: a migração de parte do financiamento para CPRs sugere que produtores e empresas têm buscado alternativas fora das linhas oficiais, em meio a restrições, custos e exigências de crédito.


Queda nas regiões e recuos mais fortes no Nordeste e no Norte

O recuo dos desembolsos em linhas oficiais aparece em todas as regiões. A retração foi mais intensa no Nordeste, com diminuição de 30%, e no Norte, onde a queda chegou a 20%, de acordo com os dados do ministério.

Por finalidade: custeio e investimento recuam; industrialização cresce

Dentro das linhas oficiais, o custeio respondeu por R$ 114,3 bilhões em desembolsos, queda de 15% na comparação anual. Quando se soma custeio oficial com CPRs destinadas a custeio, o total atinge R$ 297,4 bilhões, alta de 11%.

  • Investimentos: R$ 37,6 bilhões, recuo de 30%.

  • Comercialização: R$ 25,5 bilhões, queda de 16%.

  • Industrialização: R$ 26,4 bilhões, alta de 64%.

O boletim também aponta queda nas contratações e nos desembolsos de quase todas as linhas de investimento, com exceção do Prodecoop, que cresceu 20%. Já o Moderfrota, principal programa de financiamento de máquinas agrícolas, teve volume contratado 47% menor na comparação com os nove meses equivalentes da safra anterior. O Proirriga também registrou forte retração, de 46%.

Para o governo, a redução nos investimentos está ligada à postura defensiva do setor diante do custo do dinheiro. A avaliação considera ainda a expectativa de que a taxa básica de juros possa encerrar 2026 com recuo de cerca de 2 pontos percentuais, o que tende a influenciar decisões de tomada de crédito e de ampliação de capacidade produtiva.


O que o cenário indica para a safra

A combinação de saldo elevado de crédito equalizado, desembolsos menores nas linhas oficiais e avanço das CPRs desenha um ambiente em que o financiamento segue disponível no papel, mas depende de condições de risco, garantias e apetite dos agentes financeiros. Para médios e grandes produtores, a disputa entre custo, previsibilidade e exigências de crédito deve continuar determinando o ritmo das contratações ao longo do restante da temporada.

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