Safra da Tainha 2025 em Florianópolis: programação oficial, ranchos e cotas de pesca nas praias da ilha
Safra da Tainha em Florianópolis começa dia 1º com ações culturais, religiosas e educativas.

Safra da Tainha em Florianópolis começa com agenda cultural, religiosa e educativa a partir de domingo
Abertura oficial está marcada para sexta-feira (1º), na praia do Campeche, com programação em diferentes pontos da cidade.
Florianópolis inicia, nos próximos dias, uma série de ações que antecedem a Safra da Tainha, uma das tradições mais marcantes do litoral catarinense. As atividades começam no domingo (26) e reúnem momentos culturais, religiosos e educativos, envolvendo comunidades pesqueiras e moradores, até o início oficial da temporada, na sexta-feira (1º), na praia do Campeche.
A programação abre cedo no domingo, às 7h30, com a missa da safra no Rancho Getúlio Manoel Inácio, no Campeche. A celebração marca simbolicamente a preparação dos pescadores e das famílias para o período de captura do peixe, reforçando a dimensão comunitária e tradicional que acompanha a safra ano após ano.
Já na quinta-feira (30), a partir das 14h, o mesmo rancho recebe atividades com foco em educação e memória cultural, com ações voltadas especialmente para crianças. Estão previstas exibições de material audiovisual e uma roda de conversa sobre os 200 anos da Igreja São Sebastião do Campeche, além de outras iniciativas de caráter formativo e comunitário.
Na sexta-feira (1º), ocorre a abertura oficial da Safra da Tainha no Campeche, com abertura do rancho às 7h15, seguida por café comunitário e atividades ao longo do dia. Paralelamente, a praia do Moçambique também entra no roteiro de celebrações: o Rancho Parelha Atobá organiza uma agenda com apresentações e um café da tarde aberto à população.
Destaque: A Safra da Tainha em Florianópolis vai além da pesca e envolve organização comunitária, planejamento e respeito aos ciclos da natureza.
Safra da Tainha: período, migração e limites de captura
A Safra da Tainha deve seguir até o final de julho, período em que os cardumes deixam a costa de Santa Catarina ao avançarem em sua rota migratória. Durante a temporada, pescadores das regiões Sul e Sudeste podem capturar até 8.186 toneladas de tainha — limite definido por portaria federal para o ciclo atual.
Em Santa Catarina, as cotas variam conforme a modalidade de pesca autorizada. O modelo de emalhe anilhado tem limite estadual de 1.094 toneladas, enquanto o arrasto de praia, prática tradicional e bastante associada à cultura local, pode atingir até 1.332 toneladas. Para as modalidades de emalhe costeiro e cerco ou traineira, os tetos estabelecidos são de 2.070 e 720 toneladas, respectivamente.
Informação essencial: As cotas por modalidade buscam equilibrar a atividade econômica com o manejo responsável do recurso pesqueiro.Resumo das cotas em Santa Catarina (por modalidade)
| Modalidade | Limite máximo |
|---|---|
| Emalhe anilhado | 1.094 toneladas |
| Arrasto de praia | 1.332 toneladas |
| Emalhe costeiro | 2.070 toneladas |
| Cerco / traineira | 720 toneladas |
Rota da Tainha em Florianópolis: 26 praias reconhecidas
A cidade conta com a chamada Rota da Tainha, composta por 26 praias reconhecidas oficialmente. A lista inclui comunidades tradicionais e pontos com intensa mobilização durante a temporada, reforçando o papel de Florianópolis como referência na pesca artesanal e no patrimônio cultural ligado ao mar.
Praias reconhecidas na Rota da Tainha:
- Armação do Pântano do Sul
- Barra da Lagoa
- Caieira da Barra do Sul
- Caiacanga
- Campeche
- Canasvieiras
- Cachoeira do Bom Jesus
- Praia da Daniela
- Praia do Forte
- Galheta
- Gravatá
- Ingleses
- Joaquina
- Jurerê
- Jurerê Internacional
- Lagoinha do Norte
- Moçambique
- Morro das Pedras
- Naufragados
- Pântano do Sul
- Ponta das Canas
- Praia Brava
- Prainha da Barra da Lagoa
- Ribeirão da Ilha
- Santinho
- Tapera
Para apoiar a movimentação nas regiões dos ranchos de pesca, haverá instalação de banheiros químicos e reforço de iluminação em áreas próximas às estruturas tradicionais dos pescadores. Além disso, algumas praias poderão ter restrições temporárias à prática de esportes aquáticos durante o período da safra, como medida de organização e segurança das operações de pesca.
Organização e preparação antes de maio
O subsecretário de pesca, Gabi Floripa, ressalta que a temporada não se resume ao momento de puxar a rede. Segundo ele, a safra envolve planejamento, organização comunitária e respeito ao ambiente, com mobilização que começa semanas antes da abertura oficial.
“Muito antes do dia 1º de maio, os pescadores já estão mobilizados fazendo investimentos, preparando embarcações, revisando redes e alinhando estratégias.”
Números recentes: Safra da Tainha em Florianópolis em 2025
Em 2025, Florianópolis registrou 51 embarcações licenciadas para emalhe anilhado, com cerca de 500 a 600 pescadores envolvidos diretamente nessa modalidade. A produção total na temporada chegou perto de 400 toneladas, gerando um impacto econômico estimado em aproximadamente R$ 4 milhões.
No caso do arrasto de praia, mais de 1 mil pessoas participaram da atividade, distribuídas entre 57 ranchos na capital catarinense — um indicador do peso social e cultural da safra, que mobiliza famílias, vizinhança e visitantes.
Contexto Global Saúde: Embora seja uma pauta de cultura e economia local, a Safra da Tainha também se relaciona à organização de espaços públicos e ao convívio comunitário nas praias, exigindo planejamento e medidas de apoio durante a temporada.




