
A produção de queijo artesanal em Minas Gerais avança em direção a modelos mais sustentáveis, combinando impacto ambiental positivo, bem-estar animal e fortalecimento de cadeias locais. Na região da Canastra, em Piumhi, a Faz o Bem Queijaria se tornou um exemplo desse movimento ao adotar práticas agroecológicas e regenerativas em todas as etapas, do campo à queijaria.
O tema ganha ainda mais relevância com a celebração do Dia dos Queijos Artesanais de Minas Gerais, em 16 de maio, data que reforça a importância cultural e econômica do produto e reconhece a evolução dos produtores rumo a uma produção mais qualificada e sustentável.
O projeto da Faz o Bem Queijaria começou em 2019, com a proposta de produzir queijo artesanal com foco em sustentabilidade e em benefícios para as próximas gerações. A estrutura da queijaria foi consolidada e, em setembro de 2021, a produção teve início.
De acordo com o produtor e engenheiro agrônomo Vinícius Soares, a propriedade manteve por um período a certificação orgânica, e mesmo após esse ciclo segue aplicando grande parte das práticas associadas a esse modelo, como a não utilização de produtos químicos nas pastagens e na produção de milho destinado à alimentação do rebanho. O controle de carrapatos, por exemplo, é realizado com soluções biológicas e fitoterápicas.
“Seguimos com a maioria das práticas e estamos, cada vez mais, implementando e desenvolvendo as práticas agroecológicas e regenerativas”.
Um dos pilares do sistema adotado pela queijaria é a preservação ambiental. Segundo o produtor, cerca de 45% da área do sítio é composta por mata nativa preservada, incluindo áreas protegidas e reserva legal, em proporção superior ao mínimo exigido para o módulo fiscal da propriedade.
Outro ponto central é a integração entre pastagem e sistemas agroflorestais. O modelo inclui linhas de agrofloresta nas bordas dos piquetes, contribuindo para o conforto térmico do rebanho, fornecendo sombra e ampliando a diversidade de recursos disponíveis. Além de favorecer a alimentação animal com forrageiras, o sistema também pode apoiar a produção de alimentos para consumo humano, como banana, mamão e mandioca.
Manejo sem químicos em pastagens e lavouras destinadas à alimentação animal
Controle biológico e fitoterápico de parasitas
Preservação de mata nativa em grande proporção da área total
Integração pasto-agrofloresta para conforto animal e diversificação produtiva
Aproveitamento de subprodutos da queijaria para reduzir impacto ambiental
Na busca por reduzir resíduos e evitar impactos ambientais, o soro gerado na produção é direcionado para a alimentação de suínos criados no sítio. A prática, além de dar destino útil a um subproduto que poderia se tornar um passivo ambiental, integra a dinâmica da propriedade: os animais são criados com acesso a pasto e ajudam no preparo de áreas destinadas ao plantio de milho crioulo.
O resultado, segundo o produtor, vai além do queijo: a combinação dessas práticas teria contribuído para a regeneração ambiental, com melhoria na recarga do lençol freático, presença de nascentes mais perenes e aumento da biodiversidade, incluindo o retorno e maior circulação de fauna e polinizadores.
A produção da Faz o Bem Queijaria é de aproximadamente 10 peças por dia, utilizando cerca de 100 litros de leite. Entre os produtos, estão o Queijo Minas Artesanal (QMA) da Canastra e o Canastra de casca florida natural. O portfólio também inclui um queijo autoral, o Tardezinha, inspirado no estilo brie e produzido com leite da tarde.
A comercialização ocorre em diferentes regiões do Brasil, com maior demanda em São Paulo, atendendo consumidores finais e empórios. O reconhecimento de um produto com proposta ecológica e diferenciado no mercado tem permitido agregar valor, com preços alinhados aos de produtores tradicionais já consolidados na região, além de uma base de clientes considerada fiel.
“Produzimos muito mais que queijo. Produzimos água, solo, biodiversidade. É um sistema que realmente regenera o ambiente e que precisa ser replicado”.
Item Informação Localização Piumhi, região da Canastra (MG) Escala de produção Cerca de 10 peças/dia Leite utilizado Aproximadamente 100 litros/dia Principais produtos QMA Canastra, casca florida natural e autoral inspirado no brie Mercado Venda em todo o Brasil, com destaque para São Paulo
Apesar do avanço do modelo agroecológico, o produtor aponta obstáculos relevantes. Um deles é a menor produtividade em comparação a sistemas tradicionais, o que exige maior valorização por parte do consumidor. Outro desafio é a falta de dados e estrutura sobre esse nicho de mercado, dificultando a mensuração do potencial e o planejamento de políticas e investimentos.
Há também preocupação com a concorrência desleal de produtos sem inspeção que circulam no mercado, especialmente na própria região da Canastra. O tema, segundo Soares, afeta tanto quem investe em qualidade e regularização quanto a imagem do queijo artesanal como patrimônio regional. A dificuldade de encontrar e reter mão de obra qualificada no campo completa a lista de entraves.
Ainda assim, o setor segue avançando, impulsionado por produtores, consumidores e iniciativas que valorizam o alimento como expressão cultural e também como componente de saúde pública, ao incentivar boas práticas, rastreabilidade e conformidade sanitária.
O calendário do setor já aponta para um dos principais encontros do segmento: o Festival do Queijo Artesanal de Minas confirmou sua 8ª edição, marcada para 4 a 6 de junho de 2026, no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte.
A iniciativa será realizada em paralelo à Megaleite, feira reconhecida como uma das maiores vitrines da pecuária leiteira. O festival se posiciona não apenas como evento gastronômico, mas como espaço de conexão entre produtores, especialistas e consumidores, reforçando a identidade do queijo artesanal mineiro e sua diversidade territorial.
Nesta edição, 13 regiões produtoras estarão representadas, reunindo territórios tradicionais e áreas em fortalecimento. Entre os destaques anunciados estão a entrada do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí e a presença do Vale do Jequitinhonha com estande dedicado ao queijo cabacinha.
Valorização da diversidade regional do queijo artesanal mineiro
Ampliação de oportunidades de comercialização para pequenos e médios produtores
Qualificação técnica com programação voltada à profissionalização
A programação mantém o foco na melhoria contínua da cadeia e prevê, no dia 5 de junho, a realização do Seminário Técnico do Queijo Artesanal, reunindo produtores, técnicos e especialistas para discutir desafios, inovação e qualidade.
Com a combinação entre tradição, sustentabilidade e qualificação, o queijo artesanal mineiro reafirma seu papel como um dos símbolos do estado e como um setor com potencial para crescer de forma responsável, agregando valor e promovendo desenvolvimento regional.
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Criado em 2018 pela Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), o Prêmio Mulheres do Agro (PMA) reconhece e valoriza o protagonismo feminino no agronegócio brasileiro. A iniciativa destaca produtoras rurais, pesquisadoras e cientistas que desenvolvem práticas inovadoras, sustentáveis e de impacto social no setor.

O texto celebra a participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos em feiras internacionais — Hannover Messe, Feimec e Agrishow — destacando que esses eventos vão além da exposição, funcionando como palcos onde a engenharia se materializa por meio de protótipos, demonstrações e negócios capazes de redefinir setores. A Hannover Messe é apresentada como um dos principais termômetros da indústria global, reunindo visitantes de diversos continentes e setores como automação, energia, digitalização e engenharia de precisão, promovendo parcerias estratégicas e a convergência entre inovação e negócios. O Brasil é retratado como capaz de atuar em feiras de nível internacional, promovendo soluções tecnológicas competitivas, não apenas na Europa ou na Ásia, mas....

A Bahia Farm Show chega à sua 20ª edição, de 8 a 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães (Oeste da Bahia). Com o lema “Somos um só”, a feira reforça a importância do agronegócio regional, que responde por cerca de 14% do PIB da Bahia e movimenta cerca de R$ 40 bilhões na economia local. Dados da Aiba apontam que o Oeste produz entre 9 e 10 milhões de toneladas de grãos por ano (89% da produção estadual) e 96% da produção de algodão, com 843 mil toneladas em pluma. A região, que abrange Barreiras, São Desidério e Formosa do Rio Preto, ocupa 171 mil km² e abriga quase 1 milhão de habitantes; muitos moradores são migrantes do Sul que chegaram na década de 1970/1980 em busca de oportunidades no Cerrado.

O 18º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu fiscais estaduais agropecuários de diferentes regionais da Seapi para discutir sanidade, produção, reprodução e gestão na suinocultura brasileira. O evento, que se encerrou em 21 de maio no Centro de Eventos da PUCRS, teve como objetivo ampliar a qualificação técnica dos profissionais da defesa sanitária. Gustavo Diehl, fiscal estadual agropecuário e coordenador do Programa de Sanidade Suína da Seapi, destacou que a participação em eventos técnicos é uma excelente oportunidade de qualificação para enfrentar desafios sanitários e aprimorar o atendimento às demandas da cadeia produtiva de suínos.

Resumo executivo: - A Rondônia Rural Show Internacional (RRSI) chega à 13ª edição, em Ji-Paraná, de 25 a 30 de maio, consolidando-se como uma das maiores feiras do agronegócio da Região Norte, reunindo produtores e investidores de diversas regiões do país. -