
Festival do Queijo Artesanal de Minas 2026 em Belo Horizonte celebra queijo agroecológico e práticas regenerativas
Resumo: A Faz o Bem Queijaria, localizada em Piumhi (Canastra), produz queijo artesanal agroecológico com práticas regenerativas e foco em bem-estar animal e meio ambiente. A produção orgânica certificada atuou até meados de 2025, mantendo grande parte das práticas orgânicas (sem venenos nas pastagens e no milho, controle de carrapatos com biológicos e fitoterápicos) e adotando medidas de regeneração ambiental, como preservação de cerca de 45% da área em mata nativa (APP e RL), acima do exigido pela legislação. Entre as ações estão pastejo integrado com sistemas agroflorestais, sombra e alimento para o gado, além do aproveitamento do soro na alimentação de suínos, gerando menor impacto ambiental. A produção atual fica em torno de 10 peças de queijo por dia, a partir de aproximadamente 100 litros de leite, com itens como Queijo Minas Artesanal da Canastra, Canastra casca florida natural e o queijo autoral Tardezinha, comercializados em todo o Brasil, com São Paulo como principal demanda.
Queijo artesanal agroecológico ganha destaque em Minas Gerais com produção regenerativa e festival em 2026
A produção de queijo artesanal em Minas Gerais avança em direção a modelos mais sustentáveis, combinando impacto ambiental positivo, bem-estar animal e fortalecimento de cadeias locais. Na região da Canastra, em Piumhi, a Faz o Bem Queijaria se tornou um exemplo desse movimento ao adotar práticas agroecológicas e regenerativas em todas as etapas, do campo à queijaria.
O tema ganha ainda mais relevância com a celebração do Dia dos Queijos Artesanais de Minas Gerais, em 16 de maio, data que reforça a importância cultural e econômica do produto e reconhece a evolução dos produtores rumo a uma produção mais qualificada e sustentável.
Da produção orgânica às práticas regenerativas: o caminho de uma queijaria na Canastra
O projeto da Faz o Bem Queijaria começou em 2019, com a proposta de produzir queijo artesanal com foco em sustentabilidade e em benefícios para as próximas gerações. A estrutura da queijaria foi consolidada e, em setembro de 2021, a produção teve início.
De acordo com o produtor e engenheiro agrônomo Vinícius Soares, a propriedade manteve por um período a certificação orgânica, e mesmo após esse ciclo segue aplicando grande parte das práticas associadas a esse modelo, como a não utilização de produtos químicos nas pastagens e na produção de milho destinado à alimentação do rebanho. O controle de carrapatos, por exemplo, é realizado com soluções biológicas e fitoterápicas.
“Seguimos com a maioria das práticas e estamos, cada vez mais, implementando e desenvolvendo as práticas agroecológicas e regenerativas”.
Preservação ambiental e agrofloresta: sombra, alimento e recuperação do solo
Um dos pilares do sistema adotado pela queijaria é a preservação ambiental. Segundo o produtor, cerca de 45% da área do sítio é composta por mata nativa preservada, incluindo áreas protegidas e reserva legal, em proporção superior ao mínimo exigido para o módulo fiscal da propriedade.
Outro ponto central é a integração entre pastagem e sistemas agroflorestais. O modelo inclui linhas de agrofloresta nas bordas dos piquetes, contribuindo para o conforto térmico do rebanho, fornecendo sombra e ampliando a diversidade de recursos disponíveis. Além de favorecer a alimentação animal com forrageiras, o sistema também pode apoiar a produção de alimentos para consumo humano, como banana, mamão e mandioca.
Principais práticas adotadas na propriedade
Manejo sem químicos em pastagens e lavouras destinadas à alimentação animal
Controle biológico e fitoterápico de parasitas
Preservação de mata nativa em grande proporção da área total
Integração pasto-agrofloresta para conforto animal e diversificação produtiva
Aproveitamento de subprodutos da queijaria para reduzir impacto ambiental
Aproveitamento do soro e redução de impactos
Na busca por reduzir resíduos e evitar impactos ambientais, o soro gerado na produção é direcionado para a alimentação de suínos criados no sítio. A prática, além de dar destino útil a um subproduto que poderia se tornar um passivo ambiental, integra a dinâmica da propriedade: os animais são criados com acesso a pasto e ajudam no preparo de áreas destinadas ao plantio de milho crioulo.
O resultado, segundo o produtor, vai além do queijo: a combinação dessas práticas teria contribuído para a regeneração ambiental, com melhoria na recarga do lençol freático, presença de nascentes mais perenes e aumento da biodiversidade, incluindo o retorno e maior circulação de fauna e polinizadores.
Queijos da Canastra: portfólio e mercado consumidor
A produção da Faz o Bem Queijaria é de aproximadamente 10 peças por dia, utilizando cerca de 100 litros de leite. Entre os produtos, estão o Queijo Minas Artesanal (QMA) da Canastra e o Canastra de casca florida natural. O portfólio também inclui um queijo autoral, o Tardezinha, inspirado no estilo brie e produzido com leite da tarde.
A comercialização ocorre em diferentes regiões do Brasil, com maior demanda em São Paulo, atendendo consumidores finais e empórios. O reconhecimento de um produto com proposta ecológica e diferenciado no mercado tem permitido agregar valor, com preços alinhados aos de produtores tradicionais já consolidados na região, além de uma base de clientes considerada fiel.
“Produzimos muito mais que queijo. Produzimos água, solo, biodiversidade. É um sistema que realmente regenera o ambiente e que precisa ser replicado”.
Produção e comercialização (resumo)
Item Informação Localização Piumhi, região da Canastra (MG) Escala de produção Cerca de 10 peças/dia Leite utilizado Aproximadamente 100 litros/dia Principais produtos QMA Canastra, casca florida natural e autoral inspirado no brie Mercado Venda em todo o Brasil, com destaque para São Paulo
Desafios do queijo artesanal sustentável: produtividade, mercado e concorrência irregular
Apesar do avanço do modelo agroecológico, o produtor aponta obstáculos relevantes. Um deles é a menor produtividade em comparação a sistemas tradicionais, o que exige maior valorização por parte do consumidor. Outro desafio é a falta de dados e estrutura sobre esse nicho de mercado, dificultando a mensuração do potencial e o planejamento de políticas e investimentos.
Há também preocupação com a concorrência desleal de produtos sem inspeção que circulam no mercado, especialmente na própria região da Canastra. O tema, segundo Soares, afeta tanto quem investe em qualidade e regularização quanto a imagem do queijo artesanal como patrimônio regional. A dificuldade de encontrar e reter mão de obra qualificada no campo completa a lista de entraves.
Ainda assim, o setor segue avançando, impulsionado por produtores, consumidores e iniciativas que valorizam o alimento como expressão cultural e também como componente de saúde pública, ao incentivar boas práticas, rastreabilidade e conformidade sanitária.
Festival do Queijo Artesanal de Minas anuncia edição de 2026 com 13 regiões produtoras
O calendário do setor já aponta para um dos principais encontros do segmento: o Festival do Queijo Artesanal de Minas confirmou sua 8ª edição, marcada para 4 a 6 de junho de 2026, no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte.
A iniciativa será realizada em paralelo à Megaleite, feira reconhecida como uma das maiores vitrines da pecuária leiteira. O festival se posiciona não apenas como evento gastronômico, mas como espaço de conexão entre produtores, especialistas e consumidores, reforçando a identidade do queijo artesanal mineiro e sua diversidade territorial.
Nesta edição, 13 regiões produtoras estarão representadas, reunindo territórios tradicionais e áreas em fortalecimento. Entre os destaques anunciados estão a entrada do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí e a presença do Vale do Jequitinhonha com estande dedicado ao queijo cabacinha.
O que o festival reforça para o setor
Valorização da diversidade regional do queijo artesanal mineiro
Ampliação de oportunidades de comercialização para pequenos e médios produtores
Qualificação técnica com programação voltada à profissionalização
A programação mantém o foco na melhoria contínua da cadeia e prevê, no dia 5 de junho, a realização do Seminário Técnico do Queijo Artesanal, reunindo produtores, técnicos e especialistas para discutir desafios, inovação e qualidade.
Com a combinação entre tradição, sustentabilidade e qualificação, o queijo artesanal mineiro reafirma seu papel como um dos símbolos do estado e como um setor com potencial para crescer de forma responsável, agregando valor e promovendo desenvolvimento regional.
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