
O PIB da agropecuária avançou 11,7% no último ano, impulsionado por condições climáticas mais favoráveis e por volumes recordes tanto nas lavouras quanto na pecuária. O resultado sucede uma retração de 3,7% registrada em 2024, quando a frustração de safra, atribuída a eventos climáticos, comprometeu o desempenho do setor.
Apesar da recuperação recente, as estimativas para 2026 apontam um cenário mais fraco. Projeções de safra agrícola menor, dúvidas sobre a continuidade do ritmo da pecuária e incertezas geopolíticas — com o risco de prolongamento e expansão do conflito envolvendo o Irã e países do Oriente Médio — podem afetar exportações e, por consequência, a produção brasileira.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB da agropecuária acumula alta de 29,1% desde 2020. No mesmo período, o PIB total do país subiu 14,1%. O avanço do campo foi sustentado por sucessivas safras robustas e pela expansão da produção de proteínas animais, consolidando o agronegócio como um dos principais motores da economia.
Produções recordes, na agricultura e na pecuária, foram determinantes para a vantagem do setor em relação ao crescimento médio da economia.
A trajetória recente evidencia a sensibilidade do setor às condições climáticas. Em 2024, a produção de grãos, inicialmente projetada em 308 milhões de toneladas, terminou em 293 milhões. Já em 2025, a estimativa inicial de 311 milhões foi superada com folga, chegando a 346 milhões de toneladas, conforme o IBGE.
Entre os destaques agrícolas do período estão soja, milho e laranja, além de desempenho relevante de arroz e algodão. Parte desse desempenho ajudou a elevar o PIB agropecuário e a compensar perdas anteriores.
Na soja, o clima adverso no ciclo 2023/24 derrubou a produção para 145 milhões de toneladas, contrariando as projeções iniciais. No ciclo 2024/25, a colheita subiu para 166 milhões de toneladas, um crescimento de 14,6% na comparação anual.
O país colhe no início do ano a safra 2025/26, também em bom volume, fator que deve influenciar o desempenho do PIB agropecuário em 2026. Ainda assim, o cenário geral para o próximo ano tende a ser menos favorável, porque outras culturas podem recuar.
O milho teve papel relevante no resultado recente. Em 2025, o cereal alcançou o recorde de 142 milhões de toneladas, volume 23,6% superior ao ciclo anterior. Para 2026, porém, as projeções indicam uma redução para 134 milhões de toneladas, com queda estimada de 6%.
A laranja voltou a ter participação importante no PIB agropecuário graças ao aumento de 28,4% na produção, que chegou a 15,7 milhões de toneladas. O arroz também contribuiu: o setor colocou 12,7 milhões de toneladas no mercado, alta de 19,4% frente a 2024, com impulso de área maior e clima mais favorável.
Já o algodão registrou safra de 9,9 milhões de toneladas, com avanço de 11,4% em relação a 2024. O IBGE também aponta elevações em amendoim, sorgo e trigo no período analisado.
Além das lavouras, a pecuária foi decisiva para o desempenho do PIB do setor. Em ritmo recorde, o segmento colocou 33 milhões de toneladas de carne no mercado no último ano, fortalecendo a renda do campo e o volume de produção agroindustrial.
Uma das principais mudanças foi o avanço da bovinocultura, que levou o Brasil à liderança mundial na produção de carne bovina, superando os Estados Unidos. As estimativas indicam 12,5 milhões de toneladas de carne bovina no período.
Carne bovina: 12,5 milhões de toneladas
Carne de frango: 15,5 milhões de toneladas
Carne suína: 5,6 milhões de toneladas
Segmento Dado/Volume Observação PIB da agropecuária +11,7% Resultado do último ano Grãos (2024) 293 milhões de toneladas Abaixo da projeção inicial (308) Grãos (2025) 346 milhões de toneladas Acima da estimativa inicial (311) Milho (2025) 142 milhões de toneladas Recorde Milho (2026) 134 milhões de toneladas Queda projetada Carnes (total) 33 milhões de toneladas Volume ofertado no último ano
O quadro para 2026 deve ser distinto do visto em 2025. As leituras atuais do IBGE apontam uma safra menor, ainda que a soja possa atingir novo recorde. A projeção para a oleaginosa é de 173 milhões de toneladas, o que tende a sustentar parte da renda agrícola.
Outras culturas, no entanto, devem perder fôlego. O arroz, após a boa evolução em 2025, aparece com recuo de 2,2%, para 11,5 milhões de toneladas. Segundo a avaliação presente nos dados, preços mais baixos no ano anterior reduziram o incentivo para ampliação de área no ciclo colhido no início do ano.
A cana-de-açúcar tende a ficar estável, enquanto a laranja recua. O milho, após recorde, cai para 134 milhões de toneladas. As estimativas também indicam retração nas safras de algodão, trigo e sorgo. Por outro lado, o café pode ajudar a segurar o PIB setorial, com previsão de aumento de 6%. Cacau e batata também são citados como culturas com potencial de contribuição positiva.
A participação da pecuária no desempenho de 2026 ainda é incerta. Há apostas tanto de manutenção quanto de queda na oferta, especialmente de carne bovina. O setor atravessa uma mudança de ciclo, com tendência de redução no abate de fêmeas, o que pode limitar a disponibilidade de animais no curto prazo.
No comércio exterior, medidas e limites impostos por compradores podem influenciar o ritmo de produção. Parte do mercado avalia que essas restrições podem frear a expansão, enquanto outra parcela aposta em um fator compensatório: o maior rendimento de carcaças, resultado de investimentos dos últimos anos, o que poderia sustentar a oferta mesmo com ajustes no ciclo.
Além das previsões já embutidas nos números, o setor segue exposto a riscos difíceis de antecipar. O clima continua sendo o principal deles: em seis anos, pelo menos três registraram impacto negativo relevante sobre lavouras, com reflexo direto no PIB agropecuário.
Também cresce a atenção ao cenário internacional. Um prolongamento e a expansão do conflito envolvendo o Irã e outros países do Oriente Médio podem afetar exportações brasileiras e pressionar cadeias de produção, elevando a incerteza sobre custos, logística e demanda.
Em síntese: após um salto expressivo no último ano, a agropecuária entra em 2026 com fundamentos ainda relevantes — como a soja forte e parte do desempenho da pecuária —, mas com perspectiva de desaceleração por conta de recuos em culturas-chave, transição no ciclo bovino e riscos climáticos e geopolíticos.
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Resumo: O fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar o agronegócio de Minas Gerais ao elevar o custo do petróleo, combustíveis e fretes, pressionando a logística e o custo de produção. A crise tende a valorizar o dólar, o que, por um lado, pode favorecer exportações para o mercado árabe, mas, por outro, encarece fertilizantes, defensivos e máquinas importadas. O setor de fertilizantes, dependente de insumos importados, fica particularmente vulnerável à volatilidade de preços. A Faemg/Senar recomenda reforçar a gestão de risco, planejar compras de insumos com antecedência, usar instrumentos de proteção de preços e manter o fluxo de caixa sob controle, além de cobrar ações diplomáticas para reduzir impactos. Apesar dos riscos, há potencial de maior receita em reais com as exportações, desde que custos permaneçam sob controle.

Resumo: A agricultura regenerativa pode transformar uma propriedade de emissora de carbono para capturadora, armazenando carbono no solo na forma de matéria orgânica, com o solo como o segundo maior reservatório do planeta. O modelo aumenta biodiversidade, recupera ecossistemas e reduz custos a médio e longo prazo ao diminuir a dependência de insumos. Além disso, favorece a vida microbiana do solo e polinizadores, com sistemas integrados como ILPF e o uso de bioinsumos contribuindo para reduzir emissões de óxido nitroso e metano. Economicamente, pode gerar até US$ 1,4 trilhão em oportunidades e criar 62 milhões de empregos no mundo; no Brasil, tende a alinhar conservação ambiental e competitividade, ampliando acesso a mercados e financiamento verde por meio de rastreabilidade. A estabilidade de custos vem da menor dependência de insumos importados e do maior uso de processos biológicos. Embora associada à orgânica, a regenerativa foca em resultados ecológicos (sequestro de carbono, biodiversidade, melhoria do solo) em vez de proibições de insumos. Em transições, podem ocorrer insumos sintéticos pontuais, desde que avaliados por indicadores ambientais. Para iniciar, é essencial um diagnóstico detalhado do solo, identificação de problemas e medidas como bioinsumos, diversificação de culturas, rotação de plantios e plantio direto, com apoio de extensão rural e troca entre produtores já atuantes.

Resumo: A indústria brasileira de máquinas e equipamentos desacelerou em janeiro, com a receita líquida de vendas caindo 17% ante janeiro de 2025, para R$ 17,28 bilhões. No mercado interno, a receita recuou 19% (R$ 12,8 bilhões) e o consumo aparente caiu 21,5% (R$ 26,5 bilhões). As exportações chegaram a US$ 838,2 milhões, alta de 3,1% YoY, mas queda de 41,4% em relação a dezembro. As importações somaram US$ 2,48 bilhões, -10,3% YoY. O nível de utilização da capacidade instalada ficou em 78,6% (alta de 0,6 ponto percentual MoM e 4% frente a janeiro de 2025). O backlog de pedidos ficou em 9 semanas. A Abimaq projeta crescimento de 3,5% na produção e aproximadamente 4% na receita líquida do setor neste ano, sustentados principalmente pelo mercado doméstico, com expansão da demanda próxima de 5,6%, impulsionada por projetos de infraestrutura e investimentos continuados em atividades extrativistas. Em máquinas agrícolas, as vendas devem cair cerca de 5% em 2026; em janeiro, a receita com venda de máquinas e implementos caiu 15,6% YoY, para R$ 3,6 bilhões.

Resumo: Em Minas Gerais, produtores aderem às boas práticas ao destinar corretamente as embalagens vazias de defensivos através do Sistema Campo Limpo. Em 2025, o Brasil teve 75.996 toneladas devolvidas, 11% a mais que 2024, com MG respondendo por 4.246 toneladas (6% do total). O Campo Limpo é baseado na responsabilidade compartilhada entre agricultores, indústria, canais de distribuição e poder público, gerido pelo Inpev. MG possui a maior rede de recebimento do país, com sete centrais e mais de 60 postos, além de recebimentos itinerantes que ajudam comunidades remotas, totalizando mais de 200 pontos por ano. A prática evita contaminação do solo e da água e protege a saúde humana, reforçando a importância de devolver as embalagens no local indicado na nota fiscal. Planos de expansão incluem novas unidades em Governador Valadares e Teófilo Otoni, com Capinópolis no radar, e a taxa de devolução no Brasil varia entre 94% e 96%.

Resumo: Em 2025, o Sistema Faemg Senar registrou crescimento expressivo na qualificação profissional, assistência técnica e inovação tecnológica voltadas ao produtor rural mineiro. Os programas de Formação Profissional Rural e Promoção Social mantiveram desempenho acima de 90%, ampliando o acesso à capacitação e ao desenvolvimento social.