
Os preços do café terminaram a sessão desta quarta-feira (25) com movimentos distintos nas bolsas internacionais: o arábica recuou de forma moderada nos vencimentos mais próximos em Nova York, enquanto o robusta avançou mais de 1% em Londres. O cenário reforça a volatilidade do mercado e a sensibilidade às notícias sobre clima, oferta, estoques e câmbio.
Consultorias e agentes do setor continuam atentos às condições climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil e às estimativas, públicas e privadas, para a safra brasileira de café 2026. Há um aumento no otimismo em torno da possibilidade de uma colheita maior, impulsionada por chuvas mais frequentes no cinturão cafeeiro.
Além disso, a elevação recente dos estoques certificados na bolsa de Nova York trouxe um sentimento de maior alívio em relação ao risco de aperto de oferta no curto prazo. Ainda assim, o mercado mantém comportamento instável, sujeito a correções rápidas conforme surgem novos dados fundamentais e conforme variam as cotações do dólar.
Resumo do momento: a combinação de clima mais favorável, aumento de estoques certificados e oscilação cambial sustenta um mercado extremamente volátil, com movimentos divergentes entre arábica e robusta.
No Brasil, a percepção de mercado é de que a cadeia já incorporou a ideia de maior oferta de café conilon (robusta) a partir de abril, com operações de colheita começando já em março em áreas produtoras como Rondônia. Ao mesmo tempo, o comportamento de compra segue cauteloso: o consumo industrial e as tradings estariam adquirindo volumes mais próximos do necessário para cumprir compromissos imediatos, sem ampliar estoques de forma agressiva.
No mercado internacional, informações do setor indicam que o Vietnã mantém o andamento da primeira fase de irrigação, com o processo perto de 90% de conclusão. O objetivo é favorecer uma floração mais uniforme para a safra 2026/27. Parte relevante desse volume futuro já teria sido negociada, e produtores estariam atentos ao comportamento dos preços, avaliando possibilidades de recuperação após a volatilidade recente.
No encerramento do dia, os contratos futuros mostraram direções diferentes entre as duas variedades. Em Nova York, o arábica teve desempenho misto, com perdas nos vencimentos mais próximos e pequena variação no contrato mais adiante. Já em Londres, o robusta registrou ganhos consistentes entre os principais vencimentos.
Mercado Contrato Fechamento Variação no dia Arábica (NY) Março/26 288,30 cents/lbp +5 pontos Arábica (NY) Maio/26 284,85 cents/lbp -65 pontos Arábica (NY) Julho/26 279,90 cents/lbp -40 pontos Robusta (Londres) Março/26 US$ 3,759/tonelada +US$ 96 Robusta (Londres) Maio/26 US$ 3,703/tonelada +US$ 63 Robusta (Londres) Julho/26 US$ 3,630/tonelada +US$ 60
No Brasil, o mercado físico acompanha o ambiente de incerteza. A leitura recente é que a tendência de queda observada nas últimas semanas pode estar perdendo força, mas os produtores seguem resistentes em vender nos patamares atuais, o que limita a oferta disponível no curto prazo e mantém as negociações mais travadas em algumas praças.
Nas áreas monitoradas, o Café Arábica Tipo 6 registrou variações entre queda e alta, dependendo da região. Já o Cereja Descascado teve valorização em uma das principais praças acompanhadas.
Arábica Tipo 6: Araguari/MG com baixa de 2,56% a R$ 1.900,00/saca.
Arábica Tipo 6: Varginha/MG com alta de 1,65% a R$ 1.850,00/saca.
Arábica Tipo 6: Machado/MG com valorização de 0,56% a R$ 1.780,00/saca.
Cereja Descascado: Varginha/MG com ganho de 1,58% a R$ 1.930,00/saca.
Para o curto prazo, a atenção do mercado permanece voltada a três pontos-chave: a evolução do clima no cinturão cafeeiro, a confirmação do ritmo de colheita do conilon no Brasil e a dinâmica dos estoques certificados no mercado internacional. Em paralelo, as oscilações do câmbio devem seguir influenciando o apetite por compras e o ritmo de vendas, tanto para exportação quanto no mercado doméstico.
Com fundamentos ainda em ajuste e expectativas divididas entre safra maior e cautela na oferta, o café tende a continuar com fortes variações entre sessões, exigindo atenção redobrada de produtores, indústria e consumidores.

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