
O governo de Minas Gerais oficializou a Política Estadual de Desenvolvimento Agrícola da Região Central Mineira, considerada um marco para o planejamento territorial e para a organização do agronegócio no estado. A medida foi estabelecida por meio de decreto publicado em 15 de maio de 2026, reconhecendo a Região Central, com destaque para o município de Curvelo, como área estratégica para articular políticas públicas e iniciativas voltadas à produção agropecuária e ao fortalecimento da cadeia agroindustrial.
A nova política mira a integração de ações relacionadas à produção agrícola e pecuária, agroindustrialização, logística, inovação tecnológica, energia, irrigação, sustentabilidade e atração de investimentos. Na prática, a iniciativa busca criar um ambiente mais coordenado para ampliar a competitividade regional e acelerar decisões de investimento, apoiando produtores e empresas ligadas ao setor.
Para Ricardo Costa, gerente regional do Sistema Faemg Senar e responsável pela Região Central, a área desponta como a nova fronteira agrícola de Minas Gerais por reunir condições favoráveis a diferentes culturas e atividades pecuárias. Segundo ele, há espaço para expansão e consolidação de lavouras como café, soja, milho e cana-de-açúcar, além do avanço da pecuária de corte e da pecuária leiteira.
“A região tem grande potencial com várias culturas sendo implantadas e investimentos chegando”, afirma Costa.
Ele também destaca que a presença de uma fábrica de nutrição animal da Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR) é um sinal do fortalecimento do setor, criando um efeito de atração para novos empreendimentos ligados à produção e ao abastecimento da cadeia produtiva.
Entre os fatores que sustentam a escolha da Região Central como área prioritária, Costa aponta o acesso facilitado e a logística aprimorada, favorecida pelo cruzamento de importantes rodovias federais no território mineiro. Essa característica tende a reduzir custos de transporte e ampliar a eficiência no escoamento de grãos e produtos agropecuários, fortalecendo a conexão com mercados consumidores e com polos industriais.
Outro ponto citado é a topografia mais plana, que pode facilitar a mecanização e contribuir para ganhos de produtividade. Soma-se a isso a possibilidade de captação de água e a viabilidade de projetos de irrigação, aspecto considerado relevante para estabilidade da produção e para a expansão de áreas cultivadas.
De acordo com o gerente regional, apesar das vantagens naturais e logísticas, faltava um suporte institucional mais estruturado para acelerar o desenvolvimento. Nesse contexto, ele avalia que a nova política representa um passo decisivo ao promover coordenação entre diferentes frentes de atuação pública e privada, com participação de entidades do setor e embasamento técnico.
Conforme dados divulgados pelo governo estadual, a política nasce com a proposta de superar a fragmentação institucional existente entre órgãos, programas e territórios. O objetivo é estabelecer uma estrutura permanente de governança regional capaz de integrar ações do Estado e do setor produtivo, reduzindo sobreposições, alinhando prioridades e criando mecanismos de acompanhamento e avaliação.
Destaques do decreto: a iniciativa prevê diagnóstico territorial, definição de prioridades estratégicas, articulação entre instituições e monitoramento de resultados.
Com o decreto, a etapa inicial será a realização de um diagnóstico para mapear potencialidades e orientar ações de médio e longo prazo. Esse levantamento deverá apoiar a estruturação de propostas de aproveitamento da terra, expansão da produção agrícola e fortalecimento da pecuária na região.
A expectativa é que o diagnóstico também contribua para identificar investimentos viáveis, tanto do poder público quanto da iniciativa privada, levando em conta características como topografia favorável, demanda já estabelecida e a presença de segmentos industriais relacionados ao processamento de grãos.
Organização territorial para ampliar eficiência produtiva.
Definição de prioridades para infraestrutura, logística e irrigação.
Identificação de oportunidades para agroindustrialização e inovação.
Coordenação de investimentos públicos e privados para acelerar resultados.
O decreto prevê ainda a criação da Câmara Técnica da Região Central Mineira (CT-Central), no âmbito do Conselho Estadual de Política Agrícola. Esse colegiado será responsável pelo planejamento, acompanhamento e avaliação das ações integradas voltadas ao desenvolvimento regional.
Entre as atribuições da Câmara Técnica estão a elaboração do diagnóstico territorial, a definição de prioridades estratégicas, a articulação entre instituições públicas e privadas e o monitoramento dos resultados alcançados. A proposta é garantir continuidade e coerência às ações, com metas e acompanhamento sistemático.
Eixo Foco Produção agropecuária Expansão e consolidação de lavouras e pecuária. Agroindustrialização Aumento do valor agregado e fortalecimento de cadeias locais. Logística Melhor integração para escoamento e redução de custos. Irrigação e água Viabilização de projetos e estabilidade produtiva. Inovação e sustentabilidade Tecnologias e práticas para produtividade com responsabilidade. Energia e investimentos Ambiente propício à atração de projetos estruturantes.
Com a formalização da política e a estrutura de governança, a expectativa do setor é que a Região Central Mineira avance em direção à consolidação como polo produtivo, combinando expansão agrícola, fortalecimento da pecuária e crescimento de atividades agroindustriais. A diretriz do governo é integrar esforços e estabelecer uma base técnica para orientar decisões, priorizando ações com potencial de gerar impacto econômico regional.
A medida também sinaliza, para investidores e agentes da cadeia produtiva, que a região passa a ser tratada como estratégica no planejamento estadual, com instrumentos voltados a ampliar eficiência, organizar iniciativas e criar condições mais favoráveis para o crescimento sustentável do agronegócio mineiro.
Em resumo: o decreto cria uma política estadual específica para a Região Central Mineira, prevê diagnóstico territorial, estabelece uma câmara técnica para governança e busca integrar ações públicas e privadas em temas como produção, logística, irrigação, inovação e atração de investimentos.

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