
Lula veta Lei dos Safristas: FPA critica medida e aposta na derrubada no Senado
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) lamentou o veto integral do presidente Lula ao projeto de lei 715/2023, conhecido como Lei dos Safristas, publicado no Diário Oficial da União. O projeto, encampado pela FPA, foi aprovado pela Câmara em 19 de maio, após passar pelo Senado, e prevê que trabalhadores temporários da safra em contrato de safra e titulares de benefícios sociais mantenham o direito de receber o Bolsa Família, compatibilizando trabalho sazonal com benefícios. O governo justificou o veto citando....
FPA critica veto integral de Lula à Lei dos Safristas e anuncia articulação para derrubá-lo no Senado
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou o veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei 715/2023, conhecido como Lei dos Safristas. Em nota, a bancada afirmou que a decisão ignora a realidade do campo, dificulta a contratação de mão de obra temporária e pode ampliar a informalidade no trabalho rural.
Segundo a FPA, o veto foi recebido com “profunda consternação e perplexidade”. O grupo também informou que pretende atuar no Congresso para derrubar o veto presidencial, levando o tema novamente ao debate no Senado.
O que previa a Lei dos Safristas
A proposta tratava da compatibilidade entre o trabalho temporário na safra e a condição de titular de benefícios sociais. Na prática, o texto buscava permitir que trabalhadores contratados por regime de safra não perdessem imediatamente o benefício do Bolsa Família ao aceitar um emprego formal temporário.
Destaque: Para a FPA, a medida incentivaria a formalização, a geração de renda e daria segurança jurídica a um tipo de contratação comum no agronegócio, especialmente em períodos de colheita.
O projeto, encampado pela FPA, foi aprovado em votação simbólica pela Câmara dos Deputados em 19 de maio, após já ter passado pelo Senado. O texto havia sido defendido como alternativa para reduzir barreiras à contratação de trabalhadores temporários e mitigar o receio de perda de proteção social.
Governo justificou veto com inconstitucionalidade e “interesse público”
Ao justificar o veto integral, o governo apontou que a proposição legislativa teria vício de inconstitucionalidade e que a medida contrariaria o interesse público. Com isso, o texto aprovado pelo Congresso não entrou em vigor.
A FPA, porém, rebateu os argumentos e afirmou que a justificativa do Executivo não se sustenta diante do objetivo do projeto. Na avaliação da bancada, o veto acaba por manter um cenário em que trabalhadores evitam contratos formais durante a safra por medo de perder o benefício social.
FPA diz que veto cria “falsa oposição” entre proteção social e trabalho formal
Na nota, a FPA argumentou que o veto estabeleceria uma “falsa oposição” entre proteção social e emprego formal. Para a frente, o projeto não retirava direitos, não criava novos benefícios e não fragilizava a rede de proteção social. O foco, segundo a bancada, era permitir que trabalhadores temporários pudessem aceitar oportunidades formais durante a safra sem o receio de perder imediatamente o acesso a programas sociais.
A bancada também destacou que, sob a ótica da proposta, haveria alinhamento com princípios constitucionais como a valorização do trabalho, a livre iniciativa e a redução de desigualdades, ao estimular inclusão produtiva e geração de renda no meio rural.
Impactos no campo: informalidade e escassez de mão de obra temporária
Para a FPA, manter as regras atuais contribui para uma distorção que empurra trabalhadores para a informalidade e piora a escassez de mão de obra temporária no campo. A bancada avalia que impedir que brasileiros complementem a renda com trabalho formal durante a safra reduz oportunidades, aumenta a insegurança e afeta a eficiência da produção.
O tema é especialmente sensível em cadeias produtivas com forte demanda sazonal por trabalhadores, em períodos de colheita e processamento. Segundo a frente, nesses setores a contratação temporária é parte essencial do funcionamento do ciclo produtivo.
Pontos citados pela FPA como efeitos do veto
Maior risco de informalidade por medo de perda de benefício social ao assinar carteira.
Redução da oferta de mão de obra em períodos críticos de safra.
Insegurança jurídica para empregadores e trabalhadores em contratos temporários.
Impacto na produtividade e na eficiência de etapas de colheita, seleção e processamento.
Contexto político: bancada diz que veto se soma a medidas desfavoráveis ao agro
A FPA afirmou ainda que o veto à Lei dos Safristas se soma a outras decisões atribuídas ao governo federal e consideradas pela bancada como contrárias aos interesses do agronegócio. Entre os pontos mencionados estão debates sobre renegociação de dívidas rurais e cortes no seguro rural.
A frente sustenta que a combinação dessas medidas pode elevar a percepção de risco no setor e dificultar o planejamento de curto e médio prazo, especialmente em atividades agrícolas que dependem de mão de obra temporária para cumprir janelas de colheita.
Resumo do caso
Tema Informação principal Projeto PL 715/2023 (Lei dos Safristas) Objetivo Permitir compatibilidade entre contrato de safra e manutenção de benefícios sociais, como o Bolsa Família Status Veto integral do presidente Lula Justificativa do governo Alegação de inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público Posição da FPA Defende que a proposta incentivaria formalização e renda; afirma que atuará pela derrubada do veto
O tema deve continuar em evidência no Congresso, com a FPA prometendo mobilização para reverter a decisão. Caso o veto seja derrubado, o texto poderá ser restabelecido, reacendendo o debate sobre como conciliar proteção social e trabalho formal temporário no campo.
Global Saúde acompanha os desdobramentos e os impactos sociais e econômicos ligados à formalização do trabalho sazonal, especialmente em atividades essenciais para a produção de alimentos e a renda no meio rural.




