
A produção brasileira de carnes encerrou 2025 em alta, com recordes históricos em bovinos, frangos e suínos, impulsionados por ganhos de produtividade, aumento do consumo interno e forte desempenho nas exportações. Dados divulgados pelo IBGE indicam que o país consolidou sua posição de potência global, com expansão relevante também em leite, ovos e couro.
De acordo com o Instituto, a produção nacional de carne bovina alcançou 11,1 milhões de toneladas no ano, crescimento de 7,2% em relação a 2024, considerando apenas abates fiscalizados por órgãos federais, estaduais ou municipais. Quando se incluem os abates informais — realizados em propriedades para consumo próprio — a produção total de carne bovina chega a 12,3 milhões de toneladas, segundo estimativas de consultoria do setor.
Com esse patamar, o Brasil, que já lidera as exportações, também se tornou o principal produtor mundial de carne bovina, conforme dados de referência internacional. A liderança ocorreu antes do que o mercado projetava, apoiada por aumento de produtividade e pela combinação de demanda doméstica e demanda externa.
Somadas as três principais proteínas de origem animal — carne bovina, suína e de frango — o Brasil encerrou 2025 com 31,1 milhões de toneladas de produção sob inspeção, o que representa alta de 5,5% sobre 2024. Ao considerar também os abates informais, a oferta total supera 33 milhões de toneladas.
O aumento de disponibilidade ocorre em um contexto de maior consumo interno e de exportações em crescimento. Indicadores de mercado apontam consumo anual per capita de:
45,5 kg de carne de frango;
18,6 kg de carne suína;
30 kg de carne bovina.
O avanço simultâneo na produção e no consumo reforça a relevância do setor de proteínas animais para a economia brasileira e para o abastecimento alimentar, com impacto direto sobre preços internos e cadeias associadas.
Uma das principais explicações para o crescimento do volume produzido está no aumento do rendimento por animal. Na bovinocultura, o peso médio da carcaça era de 262 kg por animal em 2020 e atingiu 303 kg em 2025, marco registrado pela primeira vez em setembro. No mesmo mês, a produção mensal de carne bovina superou 1 milhão de toneladas, sinalizando forte desempenho industrial e de campo.
O movimento de ganhos de eficiência também aparece em outras cadeias:
Suínos: produtividade da carcaça passou de 90,7 kg (2020) para 94,2 kg (2025).
Frango: peso médio por ave subiu para 2,1 kg no período.
Na prática, produzir mais com a mesma base de recursos melhora a competitividade do país no mercado internacional e ajuda a sustentar o abastecimento doméstico, mesmo em anos de demanda aquecida.
No comércio exterior, o Brasil ampliou sua presença com destaque para o mercado chinês. Em 2015, as vendas combinadas de carnes bovina, suína e de frango para a China somavam 406 mil toneladas. Em 2025, esse volume chegou a 2,1 milhões de toneladas.
A demanda chinesa variou conforme ciclos sanitários e mudanças no consumo local: a carne de frango teve forte entrada no período mais crítico de gripe aviária; a carne suína ganhou tração em meio à peste suína africana; e a bovina consolidou espaço como alternativa diante da restrição de oferta e pela incorporação gradual na dieta de uma população em ascensão de renda.
O abate de gado totalizou 42,9 milhões de cabeças em 2025, alta de 8,2% frente a 2024. O resultado contrariou projeções anteriores de queda de oferta e sustentou o avanço das exportações: o Brasil embarcou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, crescimento de 21% na comparação anual.
Já o abate de suínos alcançou 60,7 milhões de animais, com avanço de 4,3%. O desempenho permitiu exportações de 1,51 milhão de toneladas, aumento de 12%.
Na avicultura, o abate resultou em 14,3 milhões de toneladas em peso de carcaça, com exportações de 5,3 milhões de toneladas.
Indicador (2025) Resultado Variação vs. 2024 Produção bovina (fiscalizada) 11,1 milhões de toneladas +7,2% Abate de bovinos 42,9 milhões de cabeças +8,2% Abate de suínos 60,7 milhões de cabeças +4,3% Carne de frango (carcaça) 14,3 milhões de toneladas (crescimento no abate: +3,1%)
As exportações das três proteínas renderam US$ 31,4 bilhões em 2025, um recorde para o setor. A maior participação do Brasil no mercado global — atualmente respondendo por 11% da produção mundial — contribuiu para trazer a dinâmica de preços internacionais, em alta, para o mercado doméstico.
Entre 2019 e 2025, a inflação geral acumulada foi de 45,6%, enquanto a inflação de alimentação avançou 76,4%. No mesmo período, os preços das proteínas subiram com intensidade:
Carne suína: +92%
Carne bovina: +93%
Carne de frango: +94%
Esse cenário reforça o desafio de conciliar competitividade exportadora, renda do consumidor e custos de produção, especialmente em um ambiente de demanda firme e oferta ajustada em outros grandes produtores globais.
Além das carnes, o IBGE informou recorde na produção de leite, que chegou a 27,5 bilhões de litros em 2025, alta de 8,5% em relação ao ano anterior.
A aquisição de couro alcançou 44 milhões de unidades, volume superior ao número de animais abatidos sob inspeção sanitária. O levantamento do setor de curtumes aponta ainda 44,03 milhões de peças inteiras de couro bovino, com aumento de 9,8% ante 2024.
Na produção de ovos, o país chegou a 54,4 bilhões de unidades, crescimento de 5,7%.
O desempenho brasileiro também ocorre em meio a dificuldades em concorrentes globais. Grandes produtores enfrentaram gargalos produtivos, incluindo redução de rebanho e restrições que limitam o ritmo de crescimento da oferta. Nesse contexto, o Brasil aproveitou:
Ganho de produtividade (mais peso por carcaça e maior eficiência);
Base produtiva ampla e cadeia industrial estruturada;
Demanda externa aquecida, com destaque para a Ásia;
Consumo interno resiliente e diversificação entre proteínas.
Com recordes em múltiplos segmentos, o setor de proteínas animais encerra 2025 como um dos principais motores do agronegócio brasileiro, combinando volume, exportação e evolução tecnológica — com reflexos diretos no abastecimento e nos preços ao consumidor.
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Resumo: O mercado de pecuária brasileiro está em cautela após dados do Ministério do Comércio Chinês mostrarem que o Brasil já atingiu metade da cota de exportação de carne bovina para 2026, fixada em 1,106 milhão de toneladas, com previsão de alcance já em junho. Se a cota não for ampliada, o excedente da produção pode enfrentar uma tarifa de salvaguarda de 55% para entrar na China, forçando o escoamento para o mercado interno e pressionando os preços. Analistas apontam que a arroba do boi gordo deve recuar no segundo semestre, com a cotação próxima de R$ 346,50 sob pressão. Em resposta, entidades buscam diversificar mercados, ampliando vendas para a Europa e outros países asiáticos que demandam o produto brasileiro, ainda que em volumes menores que a China. Cotas de Exportação 2026 (China): Brasil 1.106.000 t; Argentina 511.000 t; Uruguai 324.000 t. Mesmo com a cautela, o consumidor pode sentir alívio nos preços nos açougues caso o volume seja redirecionado para o mercado interno. Sobre a Salvaguarda Chinesa: o teto regula o mercado interno; volumes que excedem o limite pagam 55% de tarifa adicional; a medida vale até o final de 2028, com pequenos aumentos anuais na cota. O texto encerra questionando se a queda de preço chegará à mesa do consumidor mato-grossense ou se custos logísticos manterão os valores estáveis, além de como o pecuarista deve se preparar para esse cenário.
Resumo: A pecuária brasileira enfrenta falta de vacinas contra clostridioses, com o problema transcendente não se limitando a Minas Gerais e afetando o abastecimento nacional após a saída de uma empresa que detinha cerca de 40% do mercado. A CNA informou ao MAPA que está buscando acelerar a recomposição de estoques. Na Expozebu, a CNA e o Sindan mostraram que as demais indústrias estão ampliando a capacidade de produção para atender à demanda emergencial, mas a regularização deve ocorrer somente no segundo semestre. Clostridiose é um grupo de doenças virais graves e frequentemente letais, cuja prevenção depende principalmente da vacinação. Enquanto a vacinação não está amplamente disponível, o Sistema Faemg/Senar orienta pecuaristas a reforçar boas práticas de manejo, com suplementação mineral, alimentação adequada, descarte correto de carcaças e priorização de animais não vacinados quando houver vacinas. O Mapa atribui o desabastecimento a decisões mercadológicas de fabricantes que descontinuaram produção entre o fim de 2025 e janeiro deste ano, e afirmou que atua para estimular a ampliação da fabricação e de importações, bem como acelerar fiscalização e liberação das vacinas.

A palma forrageira tem ganhado espaço em Minas Gerais, principalmente no Norte de Minas, como alternativa de alimentação do rebanho diante das secas. A 4ª edição do Palmatech ocorre até 7 de maio, em Janaúba e Nova Porteirinha, promovida pela Epamig, com o SimPalma e o PalmaDay no Campo Experimental de Gorutuba. A expectativa é de mais de 200 participantes; os painéis abordarão uso da palma na alimentação animal, formas de cultivo e manejo, desafios e pesquisas em andamento.armazenem a palma por tempo indeterminado, assegurando alimentação caso haja escassez.

Resumo: A FIAPE (Feira Internacional de Agropecuária de Estremoz), em sua 38ª edição, ocorre até domingo, 3 de maio, no Parque de Feiras e Exposições de Estremoz. A organização é da Câmara Municipal, com o apoio da Associação de Criadores de Gado de Estremoz (ACORE). O destaque é o setor agropecuário, com cerca de mil animais em exposição, principalmente bovinos e ovinos. Segundo Manuel Ramalho, presidente da ACORE, a FIAPE é um espaço importante de promoção, troca e venda entre criadores; se houvesse mais espaço, haveria mais animais. Participam produtores de norte a sul do país, além de representantes estrangeiros.

A JBJ Agropecuária, controlada por José Batista Júnior (Júnior Friboi), formalizou a aquisição da Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), proprietária de um dos maiores confinamentos de gado bovino do país. Júnior Friboi é irmão de Wesley e Joesley Batista, controladores da JBS. O texto também cita a expansão de uma unidade de bovinos pela Próxima MBRF no Uruguai, além de promover conteúdos sobre Valor One e ferramentas de mercado.