
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) anunciou uma atualização nas suas projeções do complexo soja, destacando o avanço do processamento doméstico. O novo relatório projeta um recorde histórico no esmagamento da soja no Brasil, que deverá atingir 61 milhões de toneladas em 2026, marcando um aumento de 0,8% em relação à última estimativa.
Esse crescimento reflete-se diretamente na oferta de derivados. Conforme as projeções da ABIOVE para 2026, a produção de farelo de soja deve chegar a 47 milhões de toneladas (+0,9%), enquanto a produção de óleo de soja está estimada em 12,25 milhões de toneladas (+0,8%). Esta expansão é sustentada por uma produção agrícola robusta, que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) acredita que atingirá 177,1 milhões de toneladas no próximo ciclo.
No cenário de comércio internacional, o Brasil deve manter sua posição de liderança com a exportação estimada em 111,5 milhões de toneladas de soja em grão (+0,5%). Entre os subprodutos, espera-se um embarque de 24,6 milhões de toneladas de farelo e um aumento expressivo de 11,5% nas exportações de óleo de soja, totalizando 1,45 milhão de toneladas.
Segundo Daniel Furlan Amaral, Diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da ABIOVE, “o foco crescente no esmagamento reflete o amadurecimento da indústria brasileira. Ao processarmos 61 milhões de toneladas, estamos agregando valor à nossa matéria-prima e garantindo o suprimento de proteínas e energia para o mercado interno e global”.
Os números de 2025 anteviam essa tendência de crescimento. O esmagamento consolidado para aquele ano foi de 58,5 milhões de toneladas, processando uma safra que alcançou 171,5 milhões de toneladas de grãos, de acordo com a Conab. O ano também fechou com a produção de 45,1 milhões de toneladas de farelo de soja e 11,7 milhões de toneladas de óleo de soja.
Quanto ao fluxo comercial, os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam a exportação de 108,2 milhões de toneladas de soja em grão, 23,3 milhões de toneladas de farelo e 1,36 milhão de toneladas de óleo. No lado das importações, o país adquiriu 969 mil toneladas de soja e 105 mil toneladas de óleo para atender demandas pontuais.
A força da indústria também é evidente nos dados mensais. Em novembro de 2025, o Brasil processou 4,369 milhões de toneladas de soja, um volume 5,4% superior ao registrado em novembro de 2024.
No acumulado do ano, entre janeiro e novembro de 2025, o processamento totalizou 48,1 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 4,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior, consolidando 2025 como um ano de contínua expansão para as indústrias de óleos vegetais.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.