
Por EUZIANY TEODORO
DA REDAÇÃO
O produtor de soja em Mato Grosso deve se preparar para um novo ciclo agrícola que se apresenta mais oneroso. De acordo com o Projeto CPA-MT, em boletim divulgado pelo Imea, os custos para a safra de 2026/27 estão estimados em R$ 4.201,32 por hectare, representando um aumento de 0,54% em comparação ao cálculo de dezembro passado.
O aumento nos custos é impulsionado, principalmente, pelo crescimento de 3,04% nas despesas com defensivos agrícolas, que agora somam R$ 1.388,63 por hectare.
Já o Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.879,32 por hectare, marcando um incremento de 0,36% em relação ao mês anterior.
Com o aumento dos custos, o indicador de Ponto de Equilíbrio tem ganhado atenção. Este indicador é fundamental no agronegócio, pois determina a quantidade de produção ou receita mínima necessária para cobrir os custos e despesas, sem lucro nem prejuízo.
Com base na produtividade média dos últimos três anos, de 60,45 sacas por hectare, o produtor precisaria vender a soja por R$ 97,25 por saca para cobrir as despesas do COE. Atualmente, o preço médio da comercialização da safra 26/27 está em R$ 104,99 por saca, o que é 7,95% acima do necessário para cobrir os custos.
Para equilibrar o COE mediante a produtividade, seriam requeridas 53,48 sacas por hectare, o que representa um aumento de 0,57% em relação a novembro.
As condições nos campos têm sido favorecidas pelas condições climáticas. A redução das chuvas na última semana permitiu um avanço de 4,71 pontos percentuais na colheita da safra 25/26, que já alcançou 6,69%, mantendo-se acima da média histórica.
No comércio exterior, dezembro registrou uma queda de 18,16% no volume mensal de soja exportada por Mato Grosso. Apesar disso, os embarques foram 9,31 vezes maiores que os do mesmo período de 2024.
O mercado portuário também demonstra tendências de valorização, com o indicador Prêmio Santos registrando uma alta de 26,98% na comparação semanal, encerrando a US$¢ 80 por bushel.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.