
Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprova, em primeiro turno, proposta que restringe a reconstituição de leite em pó importado
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em primeiro turno, o Projeto de Lei 2.160/24, que trata de restrições à reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido no Estado. A votação ocorreu durante Reunião Ordinária de Plenário realizada na quarta-feira (10).
A proposta, de autoria da deputada Maria Clara Marra (PSDB), tem como foco proteger produtores mineiros diante do aumento da concorrência com o leite em pó importado, especialmente de países do Mercosul. De acordo com a parlamentar, a prática pode configurar concorrência desleal e trazer riscos à sustentabilidade econômica da cadeia produtiva do leite em Minas Gerais.
O texto em discussão mira um ponto sensível do mercado: a reconstituição — processo de reidratação do leite em pó — para venda como leite fluido. Segundo a justificativa do projeto, a entrada e o uso do produto importado, quando reconstituído e colocado no mercado interno, podem pressionar preços e reduzir a competitividade do leite produzido localmente.
Na versão inicialmente apresentada, o projeto previa uma proibição da reconstituição de leite em pó importado para venda como leite fluido, com aplicação de multa de até R$ 100 mil para quem descumprisse a medida. O texto original também abria exceção em cenário de desabastecimento do produto no mercado, permitindo a reidratação nessas condições.
Ainda na proposta original, o Estado deveria adotar mecanismos de compensação aos produtores mineiros, como subsídio econômico e redução da carga tributária, caso a exceção por desabastecimento fosse acionada.
O texto aprovado em Plenário, no entanto, foi o substitutivo nº 3, elaborado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. Nessa redação, a proposta deixa de estabelecer uma proibição direta e passa a prever que o Poder Executivo poderá aplicar medidas restritivas à reconstituição de leite em pó importado para venda como leite fluido em Minas Gerais.
Na prática, o substitutivo aprovado redefine o instrumento de atuação do Estado: em vez de uma vedação automática, abre espaço para que o Executivo decida, conforme critérios e necessidade, quais restrições podem ser adotadas para limitar a prática no território mineiro.
O substitutivo também delimita situações em que as medidas não se aplicam. De acordo com a redação referendada, as restrições não alcançam produtos:
destinados diretamente ao consumidor final para uso doméstico;
que atendam às normas de rotulagem estabelecidas pela Anvisa.
A inclusão dessas exceções busca diferenciar a venda ao consumidor final — voltada ao consumo doméstico — do uso do leite em pó importado reconstituído para competir diretamente no mercado de leite fluido.
A discussão sobre a reconstituição de leite em pó importado tem sido recorrente em regiões produtoras, especialmente em um contexto de oscilação de preços e custos de produção. Para defensores da medida, o objetivo é reduzir distorções competitivas que poderiam afetar desde pequenos produtores até laticínios que dependem do leite in natura produzido no Estado.
Ao mesmo tempo, o debate envolve a relação entre abastecimento, preços ao consumidor e regras sanitárias e de rotulagem. A proposta aprovada em primeiro turno, ao direcionar a aplicação de restrições ao Executivo e manter ressalvas para o consumo doméstico com rotulagem adequada, tenta equilibrar interesses do setor produtivo e requisitos regulatórios.
Ponto Como fica no substitutivo nº 3 Reconstituição de leite em pó importado O Executivo poderá adotar medidas restritivas para venda como leite fluido em MG Proibição direta Não há vedação automática no texto aprovado em primeiro turno Exceção para consumo doméstico Não se aplica a produtos para o consumidor final, desde que sigam rotulagem da Anvisa
Com a aprovação em primeiro turno, o PL 2.160/24 segue a tramitação legislativa na ALMG. A evolução do texto e eventuais ajustes nas próximas etapas serão determinantes para definir como — e em que intensidade — Minas Gerais poderá restringir a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido.
O tema permanece no centro das discussões sobre política agrícola, segurança regulatória e competitividade da cadeia do leite, com atenção de produtores, indústria e consumidores.

Quando se fala em produtividade na pecuária leiteira, é comum que a atenção esteja voltada para as vacas em lactação. No entanto, boa parte dos resultados obtidos ao longo da vida produtiva dos animais começa a ser construída muito antes da primeira ordenha. As fases de cria e recria exercem influência direta sobre indicadores como idade ao primeiro parto, desempenho reprodutivo, produção de leite e longevidade do rebanho. Por esse motivo, decisões tomadas nos primeiros meses de vida das bezerras podem gerar reflexos econômicos durante vários anos.

Resumo: Em março de 2026, o preço do leite pago ao produtor subiu pelo terceiro mês consecutivo, confirmando expectativas de que a redução da oferta elevaria as cotações de forma mais intensa. Segundo Cepea, a alta foi de 10,5% em relação a fevereiro, levando a Média Brasil a R$ 2,3924 por litro. Apesar da recuperação, o valor ainda está 18,7% abaixo do registrado em março de 2025 em termos reais. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a elevação chega a 17,6%, com média de R$ 2,2038 por litro. O texto encerra com o convite para seguir o Agrofy News no WhatsApp.

O estado líder na produção de leite prevê queda de 21,9% no VBP da pecuária leiteira de 2025 para 2026, de R$ 18,1 bilhões para cerca de R$ 14,1 bilhões (78% das perdas da pecuária local). Em contrapartida, os criadores de bovinos devem registrar aproximadamente R$ 19 bilhões de receita bruta neste ano, +5% frente a 2025, consolidando o terceiro ano de resultados positivos. A recuperação de preços foi impulsionada pela reacomodação de embarques para Países Baixos, Filipinas e China, após a retirada de tarifas dos EUA.

Resumo: Em jan/2026, o preço do leite pago ao produtor, na Média Brasil segundo Cepea, fechou em 2,0216 R$/L, alta de 0,9% frente a dez/25, mas trajetória 26,9% menor que jan/25 (em termos reais). O mercado permanece com oferta relativamente estável, mas com pressão nas margens do produtor, já que o COE subiu 1,32% no mês. A valorização do milho continua limitando o poder de compra, exigindo 33,56 litros de leite para uma saca de 60 kg do grão (-3,76% frente ao mês anterior, mas +15,2% versus a média dos últimos 12 meses). Investimentos devem reduzir e a sazonalidade reforça a queda na captação; o ICAP-L caiu 3,6% de dez/25 para jan/26, especialmente no Sul e em SP. A transmissão de alta para o varejo permanece lenta, com impactos no setor industrial: os preços reais de UHT, muçarela e leite em pó recuaram 1,44%, 1,49% e 0,15%, respectivamente. Importações cresceram 8% (178,53 milhões de litros eqL) e as exportações subiram 16,75% (4,3 milhões de litros eqL), mas não foram suficientes para equilibrar o mercado. A expectativa é de que, a partir de fev/26, o viés de alta se consolide de forma gradual, condicionado ao escoamento dos estoques.

Sumário: A produção de leite em Mato Grosso caiu 41% nos últimos dez anos, segundo estudo técnico do Observatório de Mato Grosso, com a baixa produtividade dos rebanhos como principal fator. A Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop, pesquisa a melhor combinação entre genética e manejo de pastagem para reverter esse cenário, usando vacas girolando 5/8.