
Movimento é puxado pela expansão das usinas de etanol de milho e pela maior demanda por grãos, com reflexos em Estados como Mato Grosso e Paraná.
A produção de milho no Brasil vem ganhando força e pode, nos próximos anos, ultrapassar a soja como o grão mais produzido do país. A avaliação é de Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, que atribui a mudança principalmente ao avanço acelerado da indústria de etanol de milho — um setor que cresceu de forma expressiva e tem alterado decisões de plantio e estratégias comerciais no campo.
Segundo estimativas recentes da Conab, a safra 2025/26 deve registrar produção total de 179,2 milhões de toneladas de soja, enquanto o milho — somando as três safras — foi projetado em 139,6 milhões de toneladas. Apesar de a soja ainda liderar no total, a leitura do setor é que o milho tem maior potencial de expansão por poder ser cultivado em três safras e em diferentes regiões do país.
“O milho tem uma potencialidade enorme de crescimento no Brasil, por ser produzido em três safras no país inteiro”, afirmou Bertolini, durante o congresso anual da Abramilho, em Brasília.
O avanço do milho não ocorre apenas no agregado nacional. Em alguns Estados, a mudança já é visível. Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos, já viu o milho ultrapassar a soja em volume em determinadas áreas e ciclos produtivos. Já o Paraná, segundo maior produtor do país, estaria a dois ou três anos de alcançar o mesmo marco, de acordo com Bertolini.
Um dos pontos centrais dessa transformação é a reconfiguração do calendário agrícola. Em determinadas regiões, o milho começa a ocupar espaço na primeira safra do ano — período historicamente dominado pela soja — em razão do aumento da demanda e da previsibilidade de compra por parte das usinas de etanol.
Para o produtor, a mudança pode significar oportunidade de maior renda e melhor diversificação de mercado, especialmente quando há infraestrutura local para escoamento e processamento do grão.
Fator de tração: expansão das usinas de etanol de milho e aumento do consumo interno.
Vantagem agronômica: possibilidade de produzir em múltiplas safras e regiões.
Impacto econômico: mais alternativas de comercialização e potencial de renda no campo.
A produção de etanol de milho cresceu rapidamente no Brasil nos últimos anos, em um movimento que trouxe novos investimentos e ganhos de escala a um mercado antes dominado pela cana-de-açúcar. O avanço do biocombustível feito a partir do grão cria uma demanda industrial contínua, o que pode estimular o plantio e reduzir a dependência de janelas específicas de exportação.
Na prática, o fortalecimento do milho para etanol tende a elevar a importância do grão na matriz agroindustrial do país, com reflexos em logística, armazenagem, planejamento de safra e política de preços.
Em destaque: o aumento do processamento local do milho pode reduzir custos de transporte de longas distâncias e incentivar a formação de polos regionais de produção e consumo.
O crescimento do setor de etanol de grãos e a ampliação do interesse internacional também vêm impulsionando a produção de sorgo no Brasil. De acordo com Bertolini, o apetite da China pelo sorgo brasileiro deve aumentar, ampliando oportunidades para exportadores e produtores.
Ele afirmou que há poucas empresas atualmente exportando sorgo para o mercado chinês, mas que muitas outras aguardam autorização para entrar no fluxo de comércio, o que pode acelerar o volume embarcado nos próximos períodos.
A Conab estima que a produção brasileira de sorgo deve crescer mais de 20% na temporada atual, alcançando 7,48 milhões de toneladas. Na avaliação do setor, a tendência é que o grão se consolide como alternativa estratégica, sobretudo em regiões onde o sorgo se encaixa bem no sistema produtivo e na rotação de culturas.
Indicador Estimativa / Informação Relevância Soja (safra 2025/26) 179,2 milhões de toneladas Ainda lidera no volume total nacional Milho (3 safras – 2025/26) 139,6 milhões de toneladas Potencial de expansão por múltiplas janelas de cultivo Sorgo (temporada atual) 7,48 milhões de toneladas Alta puxada por demanda e exportações
Autoridades chinesas também indicaram que as compras devem ganhar tração. Em pronunciamento durante o evento da Abramilho, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, destacou que as exportações brasileiras de sorgo para o país asiático já registraram embarques neste ano e que a tendência é de aumento gradual ao longo do tempo.
Se o milho de fato se consolidar como o grão de maior produção nacional, o Brasil pode entrar em uma nova etapa de organização produtiva e industrial. O cenário envolve mais processamento interno, fortalecimento de cadeias como biocombustíveis e nutrição animal, além de novas rotas de exportação para milho e sorgo.
Planejamento de safra: maior competição por área entre culturas e reequilíbrio do calendário agrícola.
Indústria e logística: expansão de plantas de etanol e necessidade de armazenagem mais robusta.
Mercado externo: crescimento de demanda por grãos alternativos e oportunidades em novos destinos.
A combinação entre demanda industrial e exportações, somada à flexibilidade de cultivo em três safras, reforça a leitura de que o milho ganhou um papel central na estratégia do agronegócio brasileiro — com efeitos que podem se intensificar já nos próximos ciclos.

Com apoio das soluções da BASF, o produtor reforçou a importância do manejo integrado para proteger o potencial produtivo da lavoura

A Embrapa anunciou o lançamento do projeto Do risco à decisão, com o objetivo de fortalecer o monitoramento de riscos climáticos na agricultura para que os produtores possam se prevenir contra problemas como geadas e secas que afetam a produtividade. O programa terá início em julho, duração de 48 meses e reunirá uma rede de 39 pesquisadores e analistas da estatal, sob a liderança da Embrapa Agropecuária Oeste. O foco inclui culturas estratégicas como soja, milho e trigo, além de arroz, feijão (comum e caupi), mandioca e frutíferas de clima temperado (uva e maçã). Entre os principais fatores de risco a serem analisados estão geadas e seca. O objetivo é transformar dados climáticos em informações acionáveis para orientar decisões de manejo e prevenção no campo. O texto também menciona conteúdos relacionados sobre El Niño e seus impactos no agronegócio brasileiro, ressaltando a importância de acompanhar variações climáticas para a produção nacional.

Resumo: O mercado ainda observa atraso na decisão dos produtores, mas a expectativa é de equilíbrio entre oferta e demanda no ciclo 2026/27, diferente de 2025. Embora a expansão da área de cultivo tenha desacelerado, há potencial de crescimento no Brasil, especialmente em pastagens, dependente de demanda, rentabilidade e cenário geopolítico.
Resumo: A queda dos preços da soja, impulsionada pela oferta elevada e pelo endividamento no campo, combinada com as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, tem diminuído o ânimo dos agricultores para a próxima safra, mesmo após uma produção recorde no Brasil no ciclo 2025/26. O setor permanece cauteloso, ajustando planos de plantio diante desse cenário macroeconômico. Em nível regional, a Argentina busca manter embarques do grão para a UE após a rejeição da Holanda, sinalizando tensões logísticas que podem impactar os mercados.

Cultura avança como solução eficiente diante de custos elevados, riscos climáticos e busca por maior previsibilidade no campo