
A Embrapa anunciou o lançamento do projeto “Do risco à decisão”, iniciativa que pretende reforçar o monitoramento de riscos climáticos e transformar informação técnica em suporte prático para que produtores rurais possam se antecipar a eventos extremos e reduzir perdas na agricultura.
Previsto para começar em julho e com duração de 48 meses, o trabalho será conduzido por uma rede de 39 pesquisadores e analistas da estatal de pesquisa agropecuária, sob liderança da Embrapa Agropecuária Oeste. A proposta é fortalecer a capacidade de leitura de cenários e orientar escolhas que impactam diretamente o desempenho das lavouras, como janela de plantio, manejo e estratégias de mitigação.
Com a intensificação de oscilações do tempo e a maior frequência de episódios extremos, como geadas e secas, a gestão de risco passou a ser um dos pilares da sustentabilidade produtiva. No Brasil, esses eventos estão entre os que mais afetam a produtividade agrícola, com impacto direto na oferta de alimentos, custos de produção e estabilidade do abastecimento.
O objetivo do projeto é apoiar o produtor a sair do diagnóstico do risco e avançar para decisões mais seguras, baseadas em monitoramento e análise técnica.
O projeto terá foco em lavouras estratégicas da produção agrícola brasileira, incluindo soja, milho e trigo, que concentram grande parte do volume produzido e estão fortemente expostas às variações climáticas. Também serão analisadas culturas relevantes para a segurança alimentar e para diferentes regiões do país, como arroz, feijão-comum, feijão-caupi, mandioca e frutíferas de clima temperado, com destaque para uva e maçã.
Em resumo: o projeto mira culturas com grande peso econômico e social, cobrindo diferentes perfis de risco e de vulnerabilidade climática.
Grãos: soja, milho e trigo
Base alimentar: arroz, feijões e mandioca
Fruticultura temperada: uva e maçã
Entre os fatores que devem receber atenção prioritária estão as ocorrências de geada e seca, dois eventos que historicamente estão entre os mais danosos para a agricultura brasileira. A geada pode comprometer o desenvolvimento das plantas e, em casos mais severos, provocar perdas totais em áreas sensíveis. Já a seca afeta desde a germinação e o pegamento de flores até o enchimento de grãos, além de aumentar a pressão sobre recursos hídricos e elevar a necessidade de ajustes de manejo.
Ao longo do período de execução, a expectativa é que o projeto contribua para uma leitura mais detalhada do risco e para a tomada de decisão no campo com base em evidências. Isso inclui reconhecer períodos críticos, reduzir a exposição em janelas de maior vulnerabilidade e identificar medidas que aumentem a resiliência produtiva diante de eventos extremos.
Embora o anúncio destaque o fortalecimento do monitoramento, o avanço pretendido vai além de acompanhar o clima: o projeto busca apoiar o produtor a se preparar com antecedência, com informações que facilitem a adaptação do planejamento agrícola a condições adversas. Em um cenário de maior incerteza, decisões tomadas com antecedência podem reduzir perdas, melhorar o uso de insumos e ajudar a proteger a renda da atividade.
Elemento do projeto O que significa na prática Monitoramento de risco Acompanhar e analisar eventos como geadas e secas para antecipar impactos. Rede de especialistas Atuação de 39 pesquisadores e analistas ao longo de 48 meses. Foco em culturas-chave Atenção a grãos, alimentos básicos e frutíferas temperadas de alto risco climático.
A criação do “Do risco à decisão” reforça a aposta em pesquisa aplicada para enfrentar desafios crescentes do clima. Em vez de apenas reagir após a ocorrência de um evento extremo, a proposta mira prevenção e planejamento, com apoio técnico e análise estruturada. Em última instância, ações que reduzam perdas por geada e seca também contribuem para a estabilidade da produção e para a segurança alimentar, especialmente em cadeias que têm grande peso econômico.
Com a coordenação da Embrapa Agropecuária Oeste e participação de uma equipe multidisciplinar, o projeto chega em um momento em que o agronegócio demanda, cada vez mais, ferramentas para lidar com a variabilidade climática. Ao longo dos próximos quatro anos, a expectativa é consolidar informações capazes de orientar medidas preventivas e apoiar decisões de manejo com foco em resiliência e produtividade.

Com apoio das soluções da BASF, o produtor reforçou a importância do manejo integrado para proteger o potencial produtivo da lavoura

Resumo: A safra de milho do Brasil deve superar a soja como principal cultivo do país, impulsionada pela expansão da indústria de etanol de milho, segundo Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, em Brasília. A Conab, em abril, projetou soja em 179,2 milhões de toneladas para a safra 2025/26 e milho total (em três safras) em 139,6 milhões de toneladas. Mato Grosso já vê o milho à frente, enquanto o Paraná, segundo maior produtor, está a dois a três anos de ultrapassar a soja. Bertolini ressaltou o potencial do milho por ser cultivado em três safras no país e a possibilidade de gerar mais renda para o produtor com essa diversificação. O etanol de milho avançou nos últimos anos, trazendo ganhos a um setor historicamente dominado pela cana-de-açúcar. No âmbito financeiro, Bank of America e Santander enxergam viés de alta para soja e milho, sem ignorar o El Niño, em um ambiente que favorece investimentos. Além disso, o sorgo ganha tração: há demanda chinesa, com três empresas exportando hoje e mais de 100 na fila para liberar vendas ao exterior; a Conab estima alta de sorgo para 7,48 milhões de toneladas na temporada atual. Em janeiro, as exportações de sorgo para a China atingiram 25.800 toneladas, e o embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao, afirmou que as exportações devem crescer gradualmente.

Resumo: O mercado ainda observa atraso na decisão dos produtores, mas a expectativa é de equilíbrio entre oferta e demanda no ciclo 2026/27, diferente de 2025. Embora a expansão da área de cultivo tenha desacelerado, há potencial de crescimento no Brasil, especialmente em pastagens, dependente de demanda, rentabilidade e cenário geopolítico.
Resumo: A queda dos preços da soja, impulsionada pela oferta elevada e pelo endividamento no campo, combinada com as incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, tem diminuído o ânimo dos agricultores para a próxima safra, mesmo após uma produção recorde no Brasil no ciclo 2025/26. O setor permanece cauteloso, ajustando planos de plantio diante desse cenário macroeconômico. Em nível regional, a Argentina busca manter embarques do grão para a UE após a rejeição da Holanda, sinalizando tensões logísticas que podem impactar os mercados.

Cultura avança como solução eficiente diante de custos elevados, riscos climáticos e busca por maior previsibilidade no campo