
Exportação de carne para a China: Radar Verde propõe distribuição de cotas com base em critérios ambientais
A discussão sobre critérios socioambientais na exportação de carne envolve rastreabilidade, padrões de conformidade e mecanismos de incentivo.
Radar Verde quer usar critérios socioambientais para orientar cotas de exportação de carne à China
Proposta do Imazon não prevê bloqueio imediato de embarques, mas sugere um novo parâmetro para distribuição de volumes exportados pelo Brasil.
O pesquisador associado do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Paulo Barreto, um dos coordenadores do Radar Verde, afirmou que o nível de atendimento a critérios socioambientais avaliados pela iniciativa não deve interromper o fluxo de embarques de carne. Segundo ele, a proposta pode, no entanto, servir como base para a distribuição de cotas de exportação do produto fornecido pelo Brasil.
A ideia, de acordo com Barreto, é que o desempenho de empresas e cadeias de fornecimento em critérios ambientais e de rastreabilidade passe a ser considerado na definição de volumes destinados ao mercado chinês, em um modelo que favoreça fornecedores com maior aderência a padrões de conformidade.
Agenda na China e foco em critérios de conformidade
A sugestão do Radar Verde deve ser apresentada em uma série de agendas na China, iniciadas recentemente, com duração prevista de duas semanas. O objetivo é discutir como mecanismos de avaliação socioambiental podem ser incorporados a práticas comerciais e regulatórias ligadas às importações de carne.
Embora o debate envolva o comércio exterior, a discussão tem repercussão direta sobre temas de interesse público, como transparência da cadeia produtiva, monitoramento ambiental e gestão de risco socioambiental.
Em resumo: a proposta não aponta para suspensão de exportações, mas para um modelo em que a distribuição de cotas possa considerar o cumprimento de critérios ambientais e de rastreabilidade.
O que dizem as empresas
Procurada para comentar o tema, a MBRF informou, em nota, que monitora 100% dos fornecedores diretos e indiretos por meio de um sistema que inclui tecnologias geoespaciais, com cruzamento de bases públicas e protocolos próprios. A empresa acrescentou que atende às exigências ambientais de todos os mercados em que atua, incluindo a China.
A Minerva também declarou que possui sistemas robustos de controle e monitoramento socioambiental e que está plenamente apta a atender às exigências regulatórias e comerciais de todos os mercados em que opera.
Pontos centrais da proposta em discussão
Manutenção do comércio: critérios não seriam usados para interromper embarques.
Incentivo à conformidade: desempenho socioambiental poderia influenciar a distribuição de cotas.
Monitoramento e rastreabilidade: foco em sistemas de verificação com apoio de dados e tecnologias.
Diálogo internacional: apresentação do modelo em agendas com atores relevantes na China.
Para analistas do setor, iniciativas como o Radar Verde tendem a ganhar espaço à medida que compradores internacionais elevam expectativas sobre rastreabilidade e comprovação de conformidade ambiental na origem dos produtos. Nesse cenário, ferramentas baseadas em dados podem funcionar como referência para decisões comerciais sem necessariamente impor barreiras imediatas ao fluxo de exportações.
Quadro comparativo: declarações das companhias sobre monitoramento
Empresa Principais pontos informados MBRF Monitoramento de fornecedores diretos e indiretos; uso de tecnologias geoespaciais; cruzamento de bases públicas e protocolos próprios; atendimento a exigências ambientais em todos os mercados, incluindo a China. Minerva Sistemas robustos de controle e monitoramento socioambiental; capacidade declarada de atender exigências regulatórias e comerciais nos mercados em que atua.




