
Os produtores de soja nos Estados Unidos estão vivenciando um clima de pessimismo em relação à safra atual, destacando o Brasil como o principal fator de preocupação. De acordo com o Ag Barometer, um levantamento realizado pela Universidade de Purdue em parceria com o CME Group, existe um aumento da preocupação em relação à competitividade das exportações de soja dos EUA comparadas aos embarques brasileiros. A pesquisa foi conduzida em dezembro.
O estudo revela que, embora as expectativas para exportações agrícolas permaneçam, em geral, positivas, o cenário para a soja se torna mais incerto. O aumento da competição com o Brasil tem tido um peso significativo nas preocupações dos produtores. Aproximadamente 84% dos produtores de milho e soja expressaram preocupação, sendo que 45% estão "muito preocupados" com o futuro do mercado.
Essa sensação de incerteza segue após a safra de 2025, onde a guerra tarifária iniciada pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, fez com que a China optasse por aumentar suas compras de soja brasileira em detrimento da americana. Em 2025, as exportações do Brasil para a China alcançaram cerca de 90 milhões de toneladas, um recorde segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). Para 2026, a projeção é de aproximadamente 77 milhões de toneladas.
Em resposta à competição com o Brasil, os EUA e a China firmaram um acordo para que o país asiático aumente suas compras de soja americana. Em 2025, foram exportadas 12 milhões de toneladas, com expectativas de que em 2026 esse volume retorne a 25 milhões de toneladas, conforme declarado por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, durante participação no Fórum Econômico Mundial em Davos.
No levantamento da Universidade de Purdue com o CME, houve uma queda na confiança dos produtores americanos em um crescimento nas exportações de soja, diminuindo de 47% para 39%, atribuído à percepção de diminuição de competitividade frente ao Brasil. Esse sentimento de insegurança sobre o desempenho da soja é um dos principais fatores negativos para as expectativas futuras do setor agrícola nos EUA. O número de produtores projetando quedas nas exportações aumentou de 8% para 13%.
Organizações como a Federação Americana de Escritórios Agrícolas e a Associação Americana de Soja se mobilizaram, enviando uma carta ao Congresso dos EUA pedindo apoio econômico adicional para compensar perdas, após o anúncio de um pacote emergencial de US$ 12 bilhões pelo governo Trump para mitigar prejuízos.
Em paralelo, houve uma redução no apoio às tarifas comerciais como política agrícola. Em dezembro, 54% dos entrevistados acreditavam que tarifas fortaleceriam a economia agrícola, uma redução em relação a 59% do mês anterior. Esse é o terceiro declínio mensal consecutivo, desde que o indicador atingiu 70% em abril.
"A porcentagem de produtores que dizem estar incertos quanto ao impacto das tarifas mais que dobrou", afirma o relatório.
Apesar da incerteza, 75% dos entrevistados acreditam que o país está na "direção certa", registrando o maior nível de confiança desde julho.

A proibição da União Europeia a produtos brasileiros de carne bovina e mel entra em vigor em 3 de setembro, com base em alegações de monitoramento insuficiente de antimicrobianos. Exportações de carne e mel orgânico para o bloco registraram altas recentes, mas o cenário futuro torna-se incerto.
Após a expansão do ecossistema de inovação voltado ao agronegócio, o mercado de fusões e aquisições envolvendo agtechs caminha para uma etapa mais seletiva. Com investidores e compradores cada vez mais atentos à geração de valor, empresas capazes de comprovar resultados operacionais, escalabilidade e maturidade de gestão tendem a concentrar as oportunidades de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, de acordo com Camila Perez, líder de M&A da Galapos, a expectativa é que 2026 seja marcado por operações mais qualificadas, com foco em ativos que combinem tecnologia validada, base de clientes consistente, governança madura e capacidade comprovada de gerar vantagem competitiva no campo.

Produzir mais, preservando os recursos naturais e reduzindo a vulnerabilidade às mudanças climáticas, deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma estratégia de sobrevivência no agronegócio. Essa necessidade acelerou a busca por sistemas produtivos mais resilientes.
Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há 60 anos, a Netafim é pioneira e líder mundial em soluções para irrigação. Com atuação em mais de 110 países, chegou ao Brasil na década de 1990, com um portfólio completo de produtos e soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, que visam contribuir com o eficiente uso da água, aumentando a produtividade na agricultura e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural.
A construção de uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas e capaz de gerar valor para toda a cadeia produtiva passa, cada vez mais, pela atuação conjunta entre empresas, instituições financeiras e produtores rurais. Foi com esse objetivo que a BB Seguros sediou, na última semana, o encontro "Agricultura Regenerativa em Pauta: Valor, Métricas e Mercado", promovido pelo Consórcio Reg.IA, primeiro consórcio de agricultura regenerativa da América Latina, liderado pela Produzindo Certo, empresa que conecta produtores rurais a empresas comprometidas com a sustentabilidade.