
Soja: EUA em Alerta com Competitividade do Brasil e Impactos Econômicos em 2026
Os produtores de soja dos Estados Unidos estão demonstrando pessimismo em relação à safra, principalmente devido à crescente competitividade do Brasil no mercado de exportação. O Ag Barometer, levantamento realizado pela Universidade de Purdue e CME Group, destaca que 84% dos produtores de milho e soja estão preocupados com a competitividade da soja brasileira, sendo que 45% estão "muito preocupados". Este cenário decorre, em parte, da guerra tarifária iniciada em 2025, que levou a China a preferir a soja brasileira. As exportações do Brasil para a China atingiram 90 milhões de toneladas em 2025, enquanto os EUA exportaram apenas 12 milhões de toneladas no mesmo ano. Embora um acordo recente entre EUA e China deva aumentar as exportações americanas para 25 milhões de toneladas em 2026, a percepção de perda de competitividade persiste, com o percentual de produtores esperando crescimento nas exportações de soja caindo de 47% para 39%. Há também um aumento na desconfiança sobre as tarifas comerciais, que, segundo o estudo, não estão mais sendo vistas com otimismo por muitos produtores.
Os produtores de soja nos Estados Unidos estão vivenciando um clima de pessimismo em relação à safra atual, destacando o Brasil como o principal fator de preocupação. De acordo com o Ag Barometer, um levantamento realizado pela Universidade de Purdue em parceria com o CME Group, existe um aumento da preocupação em relação à competitividade das exportações de soja dos EUA comparadas aos embarques brasileiros. A pesquisa foi conduzida em dezembro.
O estudo revela que, embora as expectativas para exportações agrícolas permaneçam, em geral, positivas, o cenário para a soja se torna mais incerto. O aumento da competição com o Brasil tem tido um peso significativo nas preocupações dos produtores. Aproximadamente 84% dos produtores de milho e soja expressaram preocupação, sendo que 45% estão "muito preocupados" com o futuro do mercado.
Essa sensação de incerteza segue após a safra de 2025, onde a guerra tarifária iniciada pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, fez com que a China optasse por aumentar suas compras de soja brasileira em detrimento da americana. Em 2025, as exportações do Brasil para a China alcançaram cerca de 90 milhões de toneladas, um recorde segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). Para 2026, a projeção é de aproximadamente 77 milhões de toneladas.
Em resposta à competição com o Brasil, os EUA e a China firmaram um acordo para que o país asiático aumente suas compras de soja americana. Em 2025, foram exportadas 12 milhões de toneladas, com expectativas de que em 2026 esse volume retorne a 25 milhões de toneladas, conforme declarado por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, durante participação no Fórum Econômico Mundial em Davos.
No levantamento da Universidade de Purdue com o CME, houve uma queda na confiança dos produtores americanos em um crescimento nas exportações de soja, diminuindo de 47% para 39%, atribuído à percepção de diminuição de competitividade frente ao Brasil. Esse sentimento de insegurança sobre o desempenho da soja é um dos principais fatores negativos para as expectativas futuras do setor agrícola nos EUA. O número de produtores projetando quedas nas exportações aumentou de 8% para 13%.
- 84% dos produtores estão preocupados com a competitividade da soja.
- 45% dos produtores estão "muito preocupados".
- Projeção de aumento nas exportações americanas de soja para 2026.
Organizações como a Federação Americana de Escritórios Agrícolas e a Associação Americana de Soja se mobilizaram, enviando uma carta ao Congresso dos EUA pedindo apoio econômico adicional para compensar perdas, após o anúncio de um pacote emergencial de US$ 12 bilhões pelo governo Trump para mitigar prejuízos.
Em paralelo, houve uma redução no apoio às tarifas comerciais como política agrícola. Em dezembro, 54% dos entrevistados acreditavam que tarifas fortaleceriam a economia agrícola, uma redução em relação a 59% do mês anterior. Esse é o terceiro declínio mensal consecutivo, desde que o indicador atingiu 70% em abril.
"A porcentagem de produtores que dizem estar incertos quanto ao impacto das tarifas mais que dobrou", afirma o relatório.
Apesar da incerteza, 75% dos entrevistados acreditam que o país está na "direção certa", registrando o maior nível de confiança desde julho.



