
Os contratos futuros de café terminaram a última semana em alta nas principais bolsas internacionais, em um movimento sustentado por correção técnica após quedas recentes, além de sinais de oferta mais restrita no curto prazo. Em Nova York, as cotações avançaram cerca de 2%, enquanto em Londres a alta foi de aproximadamente 2,7%.
A recuperação ocorre depois de uma semana anterior marcada por forte recuo, quando os preços em Nova York atingiram os níveis mais baixos em cerca de um ano e meio. A recomposição parcial das cotações, porém, não se apoia apenas em ajustes de mercado: fatores de oferta e estoques voltaram ao centro das atenções de traders e indústria.
Um dos elementos que ajudaram a sustentar os preços foi a redução dos estoques certificados, que caíram de aproximadamente 650 mil para 600 mil sacas. O nível é considerado historicamente baixo e tende a funcionar como um colchão de suporte às cotações, especialmente em momentos de volatilidade.
Estoques menores aumentam a sensibilidade do mercado a qualquer ruído de oferta, elevando a volatilidade e, em alguns casos, sustentando preços.
Alta nos futuros em Nova York e Londres, após quedas anteriores.
Queda dos estoques certificados para patamar considerado baixo.
Atraso na colheita brasileira, mantendo o mercado mais ajustado, sobretudo no arábica.
Primeiras estimativas internacionais para a safra 2026/27, com revisão de produção e estoques.
Outro fator relevante para a dinâmica recente foi o atraso da colheita no Brasil. Estimativas de mercado indicam que a colheita alcançou cerca de 14% até o momento, abaixo da média histórica de 21% para o período. Esse descompasso contribui para manter o mercado, principalmente o de arábica, relativamente mais apertado no curto prazo.
Na prática, um avanço mais lento da colheita tende a reduzir a entrada imediata de oferta no mercado, o que costuma aumentar a atenção sobre estoques disponíveis e ritmo de embarques. Em um ambiente de estoques baixos, qualquer atraso ganha peso na formação de preço.
O principal destaque do período foi a divulgação das primeiras estimativas do USDA para a safra 2026/27 em países produtores importantes. As projeções iniciais apontam crescimento em algumas origens relevantes e revisão para baixo em outras, refletindo condições locais e impactos climáticos.
País Estimativa 2026/27 (milhões de sacas) Variação Observação Vietnã 32,5 +2,5% Incremento projetado na produção Colômbia 13,4 +7% Crescimento frente à temporada anterior Indonésia 11,3 Revisão para baixo Impactos climáticos com excesso de chuvas
No caso da Indonésia, a estimativa menor foi atribuída a efeitos do clima, com destaque para o excesso de precipitações. Já no Vietnã e na Colômbia, a projeção sinaliza aumento de produção, o que pode influenciar o balanço global ao longo da temporada.
No consolidado parcial divulgado até aqui, a produção global de café apresenta crescimento de cerca de 1,7% na comparação anual. A leitura é compatível com projeções de mercado que apontam recuperação da produção e um superávit estimado em aproximadamente 10 milhões de sacas na temporada 2026/27.
Apesar disso, um ponto chamou atenção: mesmo com maior produção em diversas origens, o acumulado parcial indica queda de 11% nos estoques finais globais para a próxima temporada. Essa combinação — produção em alta, mas estoques finais em baixa — reforça o entendimento de que a recomposição pode ocorrer de forma desigual entre regiões.
Destaque: Mesmo com sinal de superávit global, a perspectiva de estoques finais menores pode sustentar preços em alguns momentos, dependendo do comportamento da oferta e das revisões para o Brasil.
A expectativa de recomposição dos estoques globais, segundo avaliações de mercado, pode ocorrer com uma distribuição diferente da observada em anos anteriores. A leitura é que o Brasil pode concentrar uma parcela maior desses estoques, o que tende a criar distorções regionais e períodos pontuais de aperto de oferta em determinadas origens.
Esse cenário ajuda a explicar por que, mesmo com perspectiva de superávit e preços médios potencialmente mais baixos do que no ano passado, a estrutura de estoques pode seguir oferecendo suporte às cotações. Além disso, o USDA sinalizou estoques finais mais baixos em grandes produtores como Vietnã, Colômbia, Etiópia, Uganda e Índia, o que sugere uma demanda global resiliente.
Com as projeções iniciais já divulgadas para parte dos principais produtores, o mercado volta as atenções para os números do Brasil, que ainda não foram apresentados pelo USDA. A expectativa é de que esses dados tenham influência relevante sobre o rumo dos preços nas próximas semanas, especialmente por conta do peso brasileiro no balanço global.
Até que as novas estimativas sejam conhecidas, a combinação de estoques mais enxutos, colheita atrasada e revisões de oferta em algumas origens deve manter o mercado mais sensível a informações climáticas, logísticas e de ritmo de comercialização.
Em um contexto de possível superávit, mas com estoques finais globais projetados menores, o café segue em um ambiente propenso a oscilações — e com o Brasil no centro das próximas decisões do mercado.
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No dia 1º de julho entrou em vigor o Plano Safra 26/27, com recorde de R$ 610 bilhões disponibilizados no pacote de financiamento, dos quais R$525,1 bilhões (86%) são destinados à agricultura empresarial.

Não é novidade que o agronegócio brasileiro atravessa um momento desafiador. Soja, milho e algodão, pilares da nossa balança comercial, enfrentam preços pressionados e margens mais apertadas. Para quem se alavancou nos últimos anos, surfando no crédito farto e expansão acelerada, o cenário ficou ainda mais duro.

Minas Gerais é o segundo maior produtor de feijão do Brasil, ficando atrás apenas do Paraná, e deve colher cerca de 514,1 mil toneladas na safra 2025/26. Além do volume expressivo, o Estado se destaca por produzir três safras anuais — a safra das águas, a safra da seca e o feijão irrigado — demonstrando adaptação tecnológica. Nesse contexto, MG sediará o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe), de 27 a 29 de maio, na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte.

O governo lançou o Plano Safra 2026-2027, reservando 525,1 bilhões de reais para a agricultura empresarial. O crédito para produtores familiares também será oferecido, mas o valor não foi divulgado até o momento.

O algodão em pluma brasileiro encerrou junho em queda após quatro meses de valorização, com retração puxada pela cautela dos compradores e pela desvalorização no mercado internacional. Segundo o Cepea, as indústrias têxteis reduziram o ritmo de compras diante das dificuldades de comercialização de produtos manufaturados, limitando o repasse de custos ao consumidor e adotando uma postura mais conservadora. O abastecimento por estoques existentes e por contratos firmados anteriormente reduziu a necessidade de novas aquisições. Na oferta, questões de qualidade em alguns lotes dificultam o fechamento de negócios, com compradores exigindo padrões mais específicos. Em resposta, produtores e vendedores flexibilizaram condições, oferecendo preços diferenciados para viabilizar novos contratos, o que pressionou ainda mais as cotações da pluma no mercado interno. O Brasil continua entre os maiores produtores e exportadores globais, e as oscilações de preços são acompanhadas por produtores, indústrias têxteis e investidores. O desempenho nos próximos meses dependerá da demanda interna, das exportações e da evolução das cotações internacionais. Mesmo com a queda em junho, o setor permanece atento à safra e ao comércio global, que devem influenciar as cotações no segundo semestre de 2025.