
No dia 1º de julho entrou em vigor o Plano Safra 26/27, com recorde de R$ 610 bilhões disponibilizados no pacote de financiamento, dos quais R$525,1 bilhões (86%) são destinados à agricultura empresarial. Do total, o governo destinou R$384 bilhões para custeio e comercialização, enquanto os R$140 bilhões restantes foram direcionados a investimentos, como armazenagem, irrigação, inovação e aquisição de máquinas e equipamentos. No plano anterior, de 25/26, as proporções foram de R$ 414,7 bilhões e R$ 101,5 bilhões, respectivamente.
Com isto, os produtores rurais que, até então, tinham como principal preocupação o volume de recursos disponíveis, passam a considerar também os critérios de distribuição desses valores, como taxas de juros, prazos, exigências de garantias e condições de contratação.
Naturalmente, garantir os recursos necessários para a produção de cada safra é a principal prioridade do produtor. No entanto, adiar investimentos em tecnologias, infraestrutura e renovação de equipamentos podem comprometer a produtividade e rentabilidade do negócio a longo prazo. Por outro lado, assumir simultaneamente financiamentos para custeio e investimento nem sempre é a alternativa mais recomendada para a saúde financeira da operação.
Neste cenário, preservar o capital de giro é algo que se torna fundamental, levando em consideração que é ele o responsável por garantir a atividade no curto e médio prazo, promover o equilíbrio financeiro e manter a saúde do negócio, além de contribuir para que o produtor siga com um bom histórico e com condições favoráveis para aquisição de crédito agrícola.
Repensando o uso do crédito agrícola
Uma pesquisa recente do Serasa Experian apontou que, ao final de 2025, 8,2% dos produtores rurais brasileiros estavam inadimplentes. O dado demonstra os impactos de um agronegócio endividado, o que também se reflete nos critérios adotados pelas instituições financeiras para distribuir os recursos do novo Plano Safra, que estão mais rigorosas em suas análises de risco.
Por outro lado, parte dos produtores tem patrimônio, capacidade produtiva e histórico consolidado de trabalho, mas enfrentam dificuldades decorrentes do descasamento do fluxo de caixa. Ou seja, precisam investir para manter ou ampliar a produção, mas nem sempre encontram crédito em condições adequadas ao ciclo do negócio rural.
Esse cenário tem condicionado os produtores a buscarem o crédito agrícola apenas para sobreviver, postergando os planos de crescimento do negócio. De acordo com a Frente Parlamentar da Agropecuária, as linhas de investimento adquiridas com o Plano Safra 25/26 recuaram 20% em relação ao ciclo anterior, enquanto a modernização teria recuado quase 50%.
Investindo sem prejudicar as contas
Para quebrar o ciclo de avanço e retração dos investimentos, os agricultores devem aproveitar os incentivos do governo para realizar as modernizações mais urgentes e usar o momento de alívio para planejar renovações à longo prazo, evitando a dependência do crédito agrícola para manterem-se tecnologicamente competitivos. Nos últimos anos, opções como o consórcio têm sido usadas pelos produtores para garantir uma atualização constante da frota.
De acordo com a Associação Brasileira de Administradores de Consórcios (ABAC), o número de participantes interessados na aquisição de máquinas agrícolas cresceu 149% entre 2020 e 2025. Apenas entre 2024 e 2025, mesmo período em que o Serasa Experian aponta que a inadimplência rural avançou 1 ponto percentual, a quantidade de consorciados com este intuito cresceu 7,7%.
Esses dados demonstram que os produtores têm buscado alternativas para manter seus planos de investimento mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo. Não à toa, os bens mais buscados por meio do consórcio estão ligados diretamente à produtividade e à logística da operação, como caminhões, tratores, colheitadeiras, pulverizadores e outros equipamentos utilizados na produção, transporte e apoio operacional.
Estratégia de crescimento
Se atender às expectativas do setor, o Plano Safra 26/27 poderá desempenhar um papel importante de romper com a inércia imposta pelo endividamento e preparar o setor para uma nova rodada de investimentos nos próximos ciclos. Isso significa que a competitividade do produtor dependerá cada vez mais da eficiência operacional e da capacidade de produzir em maior quantidade, qualidade e previsibilidade e com menor custo.
Nesse contexto, seja para o pequeno produtor, que busca adquirir sua primeira máquina, até grandes empresas, que trocam frotas inteiras em ciclos, diversificar as fontes de acesso ao crédito agrícola e estabelecer planos concretos de investimento são medidas essenciais para promover um crescimento sustentável e de longo prazo.

Não é novidade que o agronegócio brasileiro atravessa um momento desafiador. Soja, milho e algodão, pilares da nossa balança comercial, enfrentam preços pressionados e margens mais apertadas. Para quem se alavancou nos últimos anos, surfando no crédito farto e expansão acelerada, o cenário ficou ainda mais duro.

Minas Gerais é o segundo maior produtor de feijão do Brasil, ficando atrás apenas do Paraná, e deve colher cerca de 514,1 mil toneladas na safra 2025/26. Além do volume expressivo, o Estado se destaca por produzir três safras anuais — a safra das águas, a safra da seca e o feijão irrigado — demonstrando adaptação tecnológica. Nesse contexto, MG sediará o 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe), de 27 a 29 de maio, na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, em Belo Horizonte.

Resumo: Os futuros de café encerraram a semana em alta nos pregões da NY e de Londres, com ganhos próximos a 2% e 2,7%, respectivamente, impulsionados por uma correção técnica após as fortes quedas da semana anterior. O recuo dos estoques certificados, de cerca de 650 mil para 600 mil sacas, em patamar historicamente baixo, atuou como suporte aos preços no curto prazo. O atraso da colheita brasileira manteve o mercado de arábica relativamente apertado, com a colheita até o momento em cerca de 14% frente a uma média histórica de 21%.

O governo lançou o Plano Safra 2026-2027, reservando 525,1 bilhões de reais para a agricultura empresarial. O crédito para produtores familiares também será oferecido, mas o valor não foi divulgado até o momento.

O algodão em pluma brasileiro encerrou junho em queda após quatro meses de valorização, com retração puxada pela cautela dos compradores e pela desvalorização no mercado internacional. Segundo o Cepea, as indústrias têxteis reduziram o ritmo de compras diante das dificuldades de comercialização de produtos manufaturados, limitando o repasse de custos ao consumidor e adotando uma postura mais conservadora. O abastecimento por estoques existentes e por contratos firmados anteriormente reduziu a necessidade de novas aquisições. Na oferta, questões de qualidade em alguns lotes dificultam o fechamento de negócios, com compradores exigindo padrões mais específicos. Em resposta, produtores e vendedores flexibilizaram condições, oferecendo preços diferenciados para viabilizar novos contratos, o que pressionou ainda mais as cotações da pluma no mercado interno. O Brasil continua entre os maiores produtores e exportadores globais, e as oscilações de preços são acompanhadas por produtores, indústrias têxteis e investidores. O desempenho nos próximos meses dependerá da demanda interna, das exportações e da evolução das cotações internacionais. Mesmo com a queda em junho, o setor permanece atento à safra e ao comércio global, que devem influenciar as cotações no segundo semestre de 2025.