
Bebedouro (SP) — A Coopercitrus – Cooperativa de Produtores Rurais chega aos 50 anos consolidada como uma das maiores organizações do agronegócio brasileiro, com uma estratégia centrada em tecnologia aplicada, eficiência produtiva e práticas sustentáveis. Sediada em Bebedouro, no interior paulista, a cooperativa reúne 43 mil produtores — com predominância de pequenas e médias propriedades — distribuídos por São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Embora carregue “citrus” no nome, a Coopercitrus se tornou uma cooperativa multicultura. Atualmente, os principais produtos ligados à sua base de cooperados são cana-de-açúcar, soja, café e milho, enquanto os cítricos representam menos de 5% da receita. No último ano, o faturamento chegou a R$ 9,3 bilhões, com perspectiva de crescimento de 10% neste ano.
Ao longo das décadas, a atuação da Coopercitrus foi ampliada até se consolidar como um ecossistema integrado voltado ao produtor rural. A cooperativa passou a oferecer, além de insumos, um conjunto mais amplo de serviços e produtos que envolve máquinas agrícolas, assistência técnica, agricultura digital, nutrição animal, soluções financeiras e energia.
Essa presença se apoia em uma estrutura capilarizada, com atuação física em mais de 70 municípios e um time de 3.200 colaboradores. A operação inclui 75 lojas, 28 concessionárias de máquinas agrícolas e 18 postos de combustíveis, além de unidades industriais e logísticas como fábricas de ração, armazéns de café, silos de grãos e centros de distribuição.
“A Coopercitrus nasceu do propósito de fortalecer os produtores rurais por meio da cooperação e, ao longo desse caminho, acompanhou a evolução do agro, que exige cada vez mais tecnologia, gestão e eficiência”, afirma Matheus Marino, presidente do Conselho de Administração.
Uma das frentes centrais da cooperativa é disseminar o uso de novas tecnologias entre os cooperados. Para isso, a organização mantém uma presença intensa no campo, com cerca de 500 profissionais de diferentes especialidades, que acompanham propriedades rurais em rotinas de manejo, orientação técnica e melhoria de processos.
A proposta, segundo a gestão, vai além da assistência tradicional: inclui o esforço de adaptar soluções digitais e de precisão à realidade de cada produtor, de forma que a tecnologia seja viável, escalável e mensurável. Entre os recursos citados estão drones, georreferenciamento, inteligência artificial, agricultura de precisão e irrigação inteligente.
“Nossa experiência demonstra que o produtor adota tecnologia quando percebe que há entrega de resultados”, diz Fernando Degobbi, CEO da Coopercitrus.
Segundo ele, o uso de soluções que permitem monitorar e ajustar operações em tempo real aumenta a precisão e fortalece a tomada de decisão.
Melhorar a eficiência no uso de insumos e no manejo das lavouras;
Aprimorar a tomada de decisão com monitoramento e correções em tempo real;
Ampliar produtividade e previsibilidade, com mais precisão operacional;
Democratizar tecnologia para pequenos e médios produtores, com suporte técnico constante.
A cooperativa também aponta um efeito relevante da modernização no campo: a atração de jovens para a atividade rural. Em um setor que enfrenta desafios crescentes de sucessão familiar, a digitalização e o uso de ferramentas modernas podem ajudar a reduzir a distância entre a rotina do campo e as expectativas das novas gerações.
Para apoiar esse movimento, a Coopercitrus mantém iniciativas como o Programa Jovem Cooperado e a Liga Coopercitrus Jovem, com ações voltadas à formação de lideranças e à preparação de familiares de cooperados por meio de experiências práticas em diferentes áreas da cooperativa.
De acordo com Matheus Marino, o desafio vai além de escolher um herdeiro para o negócio: é preciso formar gestores preparados. Na avaliação da cooperativa, a sucessão bem-sucedida exige planejamento, orientação e estrutura que deem segurança ao processo.
Nesse contexto, a Fincoop, fintech ligada à Coopercitrus, atua na estruturação da sucessão familiar, oferecendo suporte jurídico, contábil e estratégico para contribuir com transições mais organizadas e seguras entre gerações.
Com o avanço de exigências de mercado e a necessidade de produzir com responsabilidade ambiental, a Coopercitrus intensificou investimentos em sustentabilidade, com foco em agricultura regenerativa e soluções biológicas. Entre os destaques estão os bioinsumos, que deixaram de ser uma alternativa restrita para ganhar espaço como tecnologia de alta performance no agronegócio.
Segundo a cooperativa, o uso de biológicos integrado ao manejo convencional pode elevar a eficiência, contribuindo para o desempenho da lavoura ao longo do tempo. A estratégia inclui ampliar o acesso a essas soluções com orientação técnica, buscando reduzir riscos e maximizar resultados no campo.
“O uso de biológicos, aliado ao manejo convencional, permite maior eficiência e melhora do desempenho da lavoura ao longo do tempo”, afirma Marino. Ele ressalta a importância de garantir suporte técnico para que a tecnologia seja aplicada com segurança.
Frente Objetivo Tecnologia e agricultura digital Aumentar precisão, produtividade e capacidade de decisão com dados e monitoramento. Assistência técnica e presença no campo Acompanhar o produtor na rotina e adaptar soluções à realidade de cada propriedade. Sucessão e formação de lideranças Preparar novas gerações para gestão e continuidade do negócio rural. Sustentabilidade e bioinsumos Avançar em práticas regenerativas e ampliar adoção de soluções biológicas com segurança.
Com atuação próxima ao mercado, a Coopercitrus participa dos principais eventos do setor e mantém uma feira própria, a Coopercitrus Expo, programada para a semana de 21 a 25 de julho. O encontro é descrito como um espaço para apresentação de inovações, fortalecimento de parcerias e geração de negócios.
Em destaque: ao completar meio século, a Coopercitrus projeta crescimento e reforça a estratégia de levar tecnologia e suporte técnico a pequenos e médios produtores, enquanto amplia ações em sustentabilidade e sucessão familiar — temas cada vez mais decisivos para o futuro do campo.
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