
Movimentação econômica do cooperativismo mineiro alcançou R$ 184 bilhões em 2025, com alta de 16,6% em um ano. Ramo de saúde expandiu atendimentos e procedimentos no Estado.
Responsáveis por cerca de um sexto do Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, as cooperativas do Estado mantiveram trajetória de expansão em 2025 e registraram um crescimento muito superior ao desempenho da economia mineira no período. De acordo com o Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, a movimentação econômica do setor somou R$ 184 bilhões, resultado 16,6% maior do que o registrado em 2024.
O avanço foi puxado principalmente pelos ramos de crédito, agropecuário e saúde, que apresentaram crescimento em dois dígitos. O levantamento também aponta que, em cinco anos, as cooperativas mineiras praticamente dobraram a movimentação financeira: o volume passou de R$ 93,5 bilhões, em 2021, para R$ 184 bilhões, em 2025 — uma alta de 97%.
Além dos números econômicos, o cooperativismo mineiro reforçou sua importância como gerador de oportunidades: o quadro de funcionários cresceu 4,6% e ultrapassou, em 2025, a marca de 64,1 mil empregos. O número de cooperados também avançou, com alta de 13%, totalizando 4,2 milhões de pessoas vinculadas ao sistema em Minas Gerais.
Minas Gerais reúne 788 cooperativas distribuídas em oito ramos de atividade: crédito, agropecuário, saúde, transportes, infraestrutura, consumo, seguros e trabalho, produção de bens e serviços.
Em destaque: em cinco anos, a movimentação econômica do cooperativismo mineiro avançou 97%, consolidando o setor como um dos motores de desenvolvimento regional.
Segundo o presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, a presença das cooperativas em diversos setores e a conexão com áreas estratégicas — como agropecuária, crédito e saúde — ajudam a explicar a capacidade de atravessar períodos de maior turbulência. Ele atribui o desempenho ao compromisso com sustentabilidade, inovação e solidez de investimentos, mesmo diante de juros elevados, oscilações climáticas e instabilidade econômica.
Scucato também destaca que o modelo cooperativista combina escala econômica com compromisso de longo prazo. Na avaliação dele, quando cooperativas oferecem financiamento, assistência técnica, armazenagem e acesso a mercados, tendem a consolidar relações de confiança com os cooperados e a gerar um efeito multiplicador nas comunidades onde atuam — o que contribui para um crescimento mais consistente.
Apesar de um cenário desafiador, os ramos de crédito, agropecuário e saúde concentraram parcela expressiva da evolução do cooperativismo no Estado em 2025. A seguir, os principais resultados.
Ramo Movimentação em 2025 Variação vs. 2024 Destaque Crédito R$ 93,4 bilhões +12,3% Capilaridade e presença física em municípios sem bancos Agropecuário R$ 66,8 bilhões +26,7% Força de cadeias como café e leite Saúde R$ 18,4 bilhões +11,1% Ampliação de acesso e grande volume de procedimentos
O ramo de crédito movimentou R$ 93,4 bilhões em 2025, com crescimento de 12,3% frente ao ano anterior. Um dos pontos centrais é a capilaridade: as cooperativas de crédito estão presentes em 720 cidades — o equivalente a 84,4% dos municípios mineiros — e são a única instituição financeira com presença física em 84 dessas localidades.
Em perspectiva histórica, a movimentação do ramo saltou de R$ 43,1 bilhões, em 2021, para R$ 93,4 bilhões, em 2025, o que representa avanço de 116,9%. O segmento também ampliou operações de crédito, fortaleceu o financiamento ao produtor rural e avançou no interior do Estado.
Maior ramo em número de cooperativas, com 196 organizações, o setor agropecuário movimentou R$ 66,8 bilhões em 2025, alta de 26,7% — ou R$ 14,1 bilhões a mais em apenas um ano. O ramo respondeu por 33,6% de todo o crescimento econômico do cooperativismo mineiro no período.
O segmento reúne 228,8 mil cooperados, gera 21,3 mil empregos diretos e responde por 26,5% do PIB do agronegócio mineiro. Entre os fatores que contribuíram para o desempenho, Scucato ressalta a força de cadeias como café e leite, destacando que quase dois terços do café produzido em Minas passa por cooperativas.
As cooperativas de saúde registraram movimentação de R$ 18,4 bilhões em 2025, com crescimento de 11,1%. No Estado, são 119 cooperativas no ramo, com 56,1 mil cooperados e 17,9 mil empregos diretos.
Um dos destaques foi a ampliação do acesso: em um ano, 129 mil mineiros passaram a contar com serviços por meio de cooperativas, totalizando 3,9 milhões de pessoas atendidas em todo o Estado. Em capacidade assistencial, o setor registrou 100,7 milhões de procedimentos no período, entre exames e atendimentos — volume que equivale, em média, a cerca de 227 mil exames e 49 mil consultas por dia.
Movimentação: R$ 18,4 bilhões em 2025
Cooperativas: 119
Pessoas atendidas: 3,9 milhões
Procedimentos no ano: 100,7 milhões
Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento do cooperativismo, mesmo com um ambiente econômico global mais pressionado. Scucato avalia que a economia no Brasil e no mundo segue impactada por instabilidade geopolítica, com efeitos como conflitos armados, alta no preço do petróleo, juros elevados, sobretaxação de commodities e intensificação de impactos relacionados às mudanças climáticas.
Nesse contexto, a projeção é de um cenário de crescimento moderado e necessidade de maior eficiência e adaptação. Ainda assim, o dirigente afirma que o cooperativismo tende a seguir na contramão, citando reconhecimento internacional do modelo por sua capacidade de expandir mesmo em tempos de crise.
O setor também observa novas oportunidades com a abertura para cooperativas de seguros, autorizadas a operar no país após a publicação da Lei Complementar 213/2025. A expectativa do mercado regulado é que o novo ramo impulsione o crescimento do segmento de seguros em torno de 15% ao ano, ampliando espaço para expansão do cooperativismo.

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A cooperativa Coamo anunciou a segunda emissão de notas comerciais escriturais, de R$ 500 milhões, para financiar a construção de uma usina de etanol de milho em Campo Mourão (PR). As notas vencem em 2036 e oferecem rentabilidade prefixada de 12,37% ao ano, com a operação liderada pelo Santander dentro do Programa Eco Invest Brasil.

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