
As exportações aquecidas e um consumo interno resiliente devem continuar dando suporte aos preços da carne bovina ao longo de 2026, mesmo com incertezas no cenário internacional e dúvidas sobre o ritmo de compras da China. A avaliação é da Scot Consultoria, que analisou os principais vetores de oferta e demanda do mercado.
Segundo a analista Juliana Pila, a venda ao exterior tem sido um componente central para a sustentação das cotações do boi gordo. Em evento do setor realizado na última semana, ela destacou que a exportação atua como um “ponto de sustentação” importante para o preço da arroba, sobretudo em um contexto de elevada produção nos últimos anos.
Mesmo com maior volume produzido, a consultoria observa que o avanço das exportações ajudou a reduzir a disponibilidade de carne no mercado doméstico em 2025, evitando que as cotações sofressem uma pressão mais intensa de baixa. Em outras palavras, parte relevante da produção foi direcionada ao mercado externo, diminuindo a oferta disponível internamente e contribuindo para a sustentação de preços.
Destaque: A exportação, ao ganhar participação, diminui a disponibilidade doméstica e ajuda a equilibrar o mercado, mesmo em períodos de produção elevada.
No Brasil, o consumo interno também tem mostrado força e funciona como complemento relevante na formação de preços. De acordo com a Scot, no primeiro trimestre de 2026, a carne bovina apresentou valorização, enquanto proteínas concorrentes registraram queda, o que evidencia um mercado doméstico com demanda suficiente para absorver a oferta e sustentar patamares mais altos.
Para o CEO da Scot, Alcides Torres, o comportamento recente dos preços reflete a presença de demanda consistente. Ele apontou que, no período, a carne bovina teve alta, enquanto frango e carne suína recuaram, indicando mudanças relevantes na dinâmica de consumo e nos preços relativos entre as proteínas.
Proteína Movimento de preço (1º trimestre de 2026) Leitura de mercado Carne bovina Valorização Demanda firme e suporte de exportações Frango Queda Recuo em proteína concorrente no período Carne suína Queda Pressão negativa em preços no trimestre
A consultoria ressalta que, além do papel do mercado externo, o consumo interno tem funcionado como um motor adicional para a precificação do boi gordo. Na prática, a combinação de demanda doméstica consistente e exportações fortes cria um ambiente mais favorável para a manutenção de preços em níveis elevados.
Para o restante de 2026, a Scot mantém expectativa de bons volumes exportados, mas recomenda atenção especial ao segundo semestre. A leitura é que podem surgir sinais de desaceleração nas compras da China, além de impactos vindos de conflitos geopolíticos e de questões comerciais no ambiente internacional.
Embora a demanda chinesa siga sendo peça-chave na composição do mercado, a consultoria alerta que qualquer mudança relevante no ritmo de importações pode influenciar o fluxo de exportação e, por consequência, alterar a disponibilidade interna e a trajetória de preços.
Do lado interno, a Scot aponta elementos que podem continuar favorecendo o consumo ao longo do ano. Entre os fatores citados estão a possibilidade de maior renda disponível, o impulso de eventos de grande visibilidade, além do impacto típico do reforço de renda no fim do ano. Esse conjunto tende a estimular as vendas e contribuir para a manutenção de patamares elevados nas cotações da carne bovina.
Em resumo: a Scot vê a exportação como pilar central de sustentação e o consumo interno como complemento decisivo para manter a firmeza dos preços em 2026, apesar das incertezas externas.
Exportações: continuidade dos embarques e manutenção do apetite internacional.
China: atenção ao ritmo de compras no segundo semestre e ao ambiente comercial.
Oferta interna: efeito do direcionamento de produção para fora do país.
Consumo doméstico: demanda firme, renda disponível e sazonalidade no fim do ano.
Cenário global: riscos geopolíticos e oscilações em comércio e logística.
Com a soma desses fatores, a tendência indicada pela consultoria é de que o mercado continue encontrando sustentação, ainda que o setor acompanhe de perto as mudanças no cenário externo e a evolução da demanda dos principais compradores.

A arroba do boi gordo tende a permanecer firme pelos próximos 50 dias, mas sem fundamentos para altas mais agressivas, segundo análise de mercado. Oferta de confinamento pode limitar cotações, enquanto demandas terão pouca influência.

Na primeira semana de agosto, a maioria das categorias de reposição em São Paulo caiu na comparação semanal, salvo o bezerro de desmama, que subiu 0,8%. No intervalo de julho de 2025 a julho de 2026, o bezerro desmamado valorizou 22,6% e a relação de troca com o boi gordo piorou para o pecuarista.

As cotações do boi gordo em São Paulo acumularam alta de 7,3% desde 13 de julho, segundo The AgriBiz. O indicador Datagro marcou R$ 325,08/@ naquela data, e contratos futuros de outubro na B3 negociam a R$ 354,35.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, participa, no dia 12 de agosto, às 8 horas, da abertura oficial da 5ª edição do Beefday, realizada pela APTA Regional, em Colina. Com o tema “A ciência a favor do campo”, o encontro reunirá produtores, técnicos, pesquisadores, estudantes e profissionais ligados à cadeia da carne bovina.
O setor brasileiro de nutrição animal atravessa uma mudança estrutural em 2026, ditada pela necessidade de eficiência máxima em um cenário de custos operacionais elevados.