
A Agrishow, considerada a principal feira do agronegócio do Brasil, realizada em Ribeirão Preto (SP), terminou sob um clima de cobranças ao governo federal e de fortalecimento da agenda de oposição em meio a preocupações econômicas do setor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu presencialmente ao evento e foi representado na abertura pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e por ministros.
Mesmo com o anúncio de uma linha de crédito extra de 10 bilhões de reais para aquisição de máquinas agrícolas, com juros mais baixos, o gesto não reduziu as críticas de produtores e lideranças. Na avaliação de representantes do setor, a medida foi recebida como insuficiente diante do volume de crédito consumido e do patamar das taxas de juros.
A discussão sobre financiamento rural e custo do capital dominou conversas em estandes e encontros ao longo da feira. Produtores, entidades e empresários apontaram que a necessidade de recursos para modernização de frota, manutenção e expansão da produção permanece elevada, o que aumenta a sensibilidade do setor ao tema dos juros.
A leitura predominante entre participantes ouvidos pela reportagem é que o crédito adicional, embora relevante, não resolve o problema central: o acesso a financiamento em volume suficiente e com condições compatíveis com a realidade do campo.
A expectativa, segundo dirigentes de associações e executivos de fabricantes de máquinas, é de que um Plano Safra robusto seja o principal instrumento capaz de reduzir a rejeição e reaproximar o governo do agronegócio. Apesar disso, a avaliação é que não haveria anúncio nesse formato durante o período do evento, com a atenção voltada aos próximos meses.
Juros e custo do crédito para investimento e custeio;
Volume de recursos considerado abaixo da necessidade do setor;
Previsibilidade e sinalização de políticas para a próxima safra;
Confiança na condução da política econômica.
A presença de oposicionistas de direita foi constante durante a Agrishow, com lideranças e pré-candidatos circulando pelos corredores, conversando com agricultores e reforçando discursos críticos ao governo. O movimento destacou, na prática, a disputa política em torno do agronegócio, um setor que tem peso econômico e simbólico no debate nacional.
Entre os nomes que estiveram na feira, participaram Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Também compareceram Aldo Rebelo e Augusto Cury, que circularam pelos estandes e acompanharam atividades do evento.
Em destaque: A combinação entre ausência presencial do presidente e a atuação intensa de figuras da oposição consolidou a percepção de que a Agrishow virou um palco político para críticas ao governo, além das pautas econômicas e tecnológicas tradicionais da feira.
O ambiente econômico foi outro fator que alimentou o tom crítico. A cotação da soja ficou em torno de R$ 130 por saca de 60 kg, segundo dados do Cepea, bem abaixo do pico registrado em anos anteriores. Para muitos produtores, a diferença em relação aos melhores momentos do ciclo recente reforça o sentimento de aperto nas margens e de maior risco na tomada de crédito.
A avaliação que circulou entre participantes é de que o governo não teria conseguido reduzir gastos públicos ou impulsionar, na velocidade esperada, a economia ligada ao agronegócio. Esse pano de fundo, somado aos custos financeiros, aumenta a cobrança por políticas de fomento e previsibilidade.
Tema O que foi observado na feira Crédito para máquinas Anúncio de 10 bilhões de reais com juros mais baixos, mas críticas sobre suficiência e alcance. Preço da soja Cotação em torno de R$ 130 por saca (60 kg), abaixo de picos anteriores e com impacto na confiança. Ambiente político Forte presença de oposição e reforço da narrativa de distanciamento do governo em relação ao setor. Plano Safra Expectativa por anúncio mais robusto nos próximos meses, visto como possível caminho para reaproximação.
Além das críticas direcionadas ao governo, houve manifestações de descontentamento de alguns participantes com o Supremo Tribunal Federal. O episódio reforça que, para além das questões de produção e tecnologia, eventos agropecuários têm sido também espaços de debate político e institucional.
A edição do evento reuniu 197 mil visitantes em cinco dias, segundo os organizadores. O número evidencia a relevância da Agrishow como vitrine de negócios, tendências e debates do setor, mas também como termômetro do humor político e econômico no campo.
Leitura final do evento
O anúncio de crédito ajudou a sinalizar atenção ao setor, mas não neutralizou a insatisfação com juros e condições.
A ausência presencial do presidente e a atuação da oposição ampliaram a percepção de distanciamento político.
A combinação entre preços mais baixos da soja e incertezas econômicas mantém a pressão por um Plano Safra mais forte.
Com o cenário observado em Ribeirão Preto, a expectativa é de que a disputa política no entorno do agronegócio continue presente em novos eventos do setor, especialmente à medida que se aproximam as próximas campanhas e que o governo seja cobrado por medidas de maior impacto para crédito, juros e previsibilidade.

Criado em 2018 pela Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), o Prêmio Mulheres do Agro (PMA) reconhece e valoriza o protagonismo feminino no agronegócio brasileiro. A iniciativa destaca produtoras rurais, pesquisadoras e cientistas que desenvolvem práticas inovadoras, sustentáveis e de impacto social no setor.

O texto celebra a participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos em feiras internacionais — Hannover Messe, Feimec e Agrishow — destacando que esses eventos vão além da exposição, funcionando como palcos onde a engenharia se materializa por meio de protótipos, demonstrações e negócios capazes de redefinir setores. A Hannover Messe é apresentada como um dos principais termômetros da indústria global, reunindo visitantes de diversos continentes e setores como automação, energia, digitalização e engenharia de precisão, promovendo parcerias estratégicas e a convergência entre inovação e negócios. O Brasil é retratado como capaz de atuar em feiras de nível internacional, promovendo soluções tecnológicas competitivas, não apenas na Europa ou na Ásia, mas....

A Bahia Farm Show chega à sua 20ª edição, de 8 a 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães (Oeste da Bahia). Com o lema “Somos um só”, a feira reforça a importância do agronegócio regional, que responde por cerca de 14% do PIB da Bahia e movimenta cerca de R$ 40 bilhões na economia local. Dados da Aiba apontam que o Oeste produz entre 9 e 10 milhões de toneladas de grãos por ano (89% da produção estadual) e 96% da produção de algodão, com 843 mil toneladas em pluma. A região, que abrange Barreiras, São Desidério e Formosa do Rio Preto, ocupa 171 mil km² e abriga quase 1 milhão de habitantes; muitos moradores são migrantes do Sul que chegaram na década de 1970/1980 em busca de oportunidades no Cerrado.

O 18º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu fiscais estaduais agropecuários de diferentes regionais da Seapi para discutir sanidade, produção, reprodução e gestão na suinocultura brasileira. O evento, que se encerrou em 21 de maio no Centro de Eventos da PUCRS, teve como objetivo ampliar a qualificação técnica dos profissionais da defesa sanitária. Gustavo Diehl, fiscal estadual agropecuário e coordenador do Programa de Sanidade Suína da Seapi, destacou que a participação em eventos técnicos é uma excelente oportunidade de qualificação para enfrentar desafios sanitários e aprimorar o atendimento às demandas da cadeia produtiva de suínos.

Resumo executivo: - A Rondônia Rural Show Internacional (RRSI) chega à 13ª edição, em Ji-Paraná, de 25 a 30 de maio, consolidando-se como uma das maiores feiras do agronegócio da Região Norte, reunindo produtores e investidores de diversas regiões do país. -