
A guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz provocaram um choque de oferta de petróleo em escala rara, acelerando o uso de reservas estratégicas e estoques comerciais em diversos países. Analistas e organismos internacionais alertam que, mantido o ritmo atual, os níveis podem se aproximar de um patamar criticicamente baixo nas próximas semanas, elevando o risco de novas altas e maior volatilidade nos preços.
A interrupção prolongada do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz — rota central para a energia do Oriente Médio — alterou rapidamente o equilíbrio do mercado. Antes do conflito, o cenário era de superávit no petróleo bruto. Com o bloqueio, governos passaram a buscar fontes alternativas e a adotar medidas para reduzir a demanda por combustíveis, sobretudo em países asiáticos mais expostos à região.
Em março, a Agência Internacional de Energia (AIE) coordenou uma liberação maciça de petróleo a partir de estoques de emergência de países industrializados, totalizando cerca de 400 milhões de barris. A iniciativa visou ampliar a oferta no curto prazo e amortecer a escalada de preços em meio à incerteza.
“Os estoques de petróleo não são infinitos e estão diminuindo rapidamente em todo o mundo.” — alertou o diretor da AIE, Fatih Birol.
As principais economias entraram na crise com volumes expressivos de reservas estratégicas de petróleo, com destaque para China, Estados Unidos e Japão. A disponibilidade desses estoques tem sido essencial para reduzir a volatilidade e evitar escassez imediata, mas o consumo acelerado limita a margem de manobra.
País/Bloco Estoque/Reserva (aprox.) Observações China Quase 1,4 bilhão de barris Inclui estoques comerciais e do governo; dados não são divulgados oficialmente. Estados Unidos 413 milhões (reserva estratégica) + 411 milhões (estoques comerciais) Liberou 172 milhões de barris por meio da coordenação da AIE. Japão 263 milhões de barris (sob controle do governo) Contribuiu com 80 milhões de barris na liberação recorde. União Europeia Obrigação legal de manter 90 dias de importações líquidas ou 61 dias de consumo Respondeu por cerca de 20% do total liberado pela AIE; Alemanha, França, Espanha e Itália lideraram volumes citados. Índia Cerca de 21 milhões de barris (reserva estratégica) Cobre cerca de 9,5 dias de importações líquidas; com estoques de estatais, estimativas sobem para 74 dias.
Além das reservas formais, parte da oferta global ganhou reforço temporário com a disponibilidade de milhões de barris de petróleo russo que permaneciam em petroleiros, direcionados a compradores na Ásia após flexibilização temporária de sanções norte-americanas em meados de abril.
Três meses após o início da guerra, o bloqueio de Ormuz continua, apesar de expectativas de um possível entendimento diplomático. Enquanto isso, países seguem utilizando tanto estoques estratégicos quanto estoques comerciais para manter o abastecimento.
A AIE informou que os estoques globais de petróleo caíram em ritmo recorde em março e abril, com redução de 246 milhões de barris. O alerta é reforçado por avaliações do setor financeiro: o Goldman Sachs também apontou redução acelerada e, segundo análise da Capital Economics, no ritmo atual os estoques comerciais podem chegar a níveis criticamente baixos até o fim de junho.
Ponto de atenção: mesmo com liberações coordenadas, especialistas indicam que a recuperação de produção e capacidade de refino pode levar tempo, prolongando o período de instabilidade.
O mercado já precifica parte do risco: os valores do petróleo seguem acima dos níveis anteriores ao conflito, com forte volatilidade. Notícias que sugerem uma solução rápida tendem a aliviar as cotações, enquanto sinais de prolongamento do bloqueio elevam os preços.
Para o especialista Antoine Halff, o impacto não será uniforme. Países asiáticos devem enfrentar maior pressão por dependerem mais do petróleo do Oriente Médio. Entre os setores, o transporte aéreo aparece como um dos mais vulneráveis, devido ao consumo intenso de combustível e à dificuldade de substituição no curto prazo.
Ainda assim, o efeito tende a ser global. Mesmo economias com produção doméstica significativa, como os Estados Unidos, podem sentir a alta, já que o petróleo é uma commodity precificada em mercado internacional.
A analista Helima Croft avalia que o mercado pode estar subestimando a complexidade de uma normalização rápida do fluxo por Ormuz. Em seu cenário, se o ritmo de perda de oferta continuar, as perdas acumuladas podem superar 1 bilhão de barris até o fim do mês e alcançar 1,5 bilhão até o fim de junho, reacendendo a possibilidade de preços próximos aos picos históricos observados em 2008.
Pressão inflacionária por encarecimento de energia e transporte.
Maior custo logístico para cadeias de suprimentos globais.
Risco de escassez regional durante o pico de demanda no verão do Hemisfério Norte.
Destruição de demanda como mecanismo de reequilíbrio, com redução forçada do consumo.
Alguns governos já adotaram iniciativas de contenção de consumo e economia de combustíveis, com ajustes em rotinas de trabalho e uso de transporte, como forma de reduzir a pressão sobre o abastecimento.
Diante da velocidade de queda dos estoques, cresce o debate sobre uma segunda liberação coordenada de reservas estratégicas. No entanto, a disposição política parece limitada: governos temem comprometer a proteção de longo prazo caso o conflito se estenda.
A avaliação de especialistas é que a liberação de reservas pode suavizar a crise, mas apenas até certo ponto. Com estoques finitos e demanda global ainda elevada, a estratégia funciona como ponte temporária — e não como solução definitiva — enquanto o bloqueio persistir.
Se não houver melhora rápida nas condições de oferta, o cenário aponta para preços mais altos, maior sensibilidade a notícias geopolíticas e desafios adicionais para países importadores, especialmente na Ásia.

O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO2e por MJ, aplicado ao biocombustível produzido na segunda safra. Esse valor contrasta com a intensidade média atual do transporte marítimo, de 93,3 g CO2e por MJ, sinalizando um marco importante enquanto a OMI elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono. Executivos da indústria afirmam que o marco posiciona o etanol de milho brasileiro e sul-americano como combustível viável para a descarbonização do setor de navegação. A produção de etanol de milho no Brasil cresceu de cerca de....