
A entrada do grupo Summit no mercado de combustível sustentável de aviação (SAF) marca uma movimentação relevante em um setor que ainda é pequeno, mas tende a crescer rapidamente diante das metas obrigatórias de descarbonização que passam a valer a partir de 2027. A iniciativa ocorre por meio da JetBio, nova frente de investimentos do grupo, com planos de produção que podem colocar o projeto entre os primeiros esforços de produção em grande escala no mundo.
Apesar do avanço do debate climático e da pressão regulatória, os combustíveis sustentáveis ainda representam uma fatia reduzida do consumo global do setor aéreo: no ano passado, responderam por apenas 0,6% do total, com expectativa de atingir 0,8% neste ano. Mesmo assim, o cenário deve mudar à medida que companhias aéreas se adequem a parâmetros internacionais de redução de emissões definidos pela Organização da Aviação Civil Internacional.
A obrigatoriedade de metas de descarbonização cria um ambiente em que o SAF deixa de ser apenas uma alternativa e passa a ser um componente estratégico para o setor. Na avaliação do Summit, o momento é de posicionamento: investir agora pode garantir escala, contratos e competitividade quando a demanda aumentar.
“A oportunidade é usar a experiência que adquirimos investindo no Brasil para avançar ainda mais na cadeia de valor do etanol no país”, afirmou o empresário e investidor Bruce Rastetter.
Embora seja norte-americano e tenha crescido em uma fazenda no Estado de Iowa, Rastetter é um nome conhecido do mercado brasileiro. O Summit realizou seu primeiro negócio no país em 2011, ao investir em um fundo de terras posteriormente vendido quase uma década depois. Desde então, o grupo ampliou sua presença e afirma ter acumulado quase R$ 10 bilhões em investimentos no Brasil.
Hoje, o Summit é acionista da FS, segunda maior produtora brasileira de etanol de milho. A empresa foi criada em 2017 e é controlada por uma joint venture entre o Summit e a Tapajós Participações. Neste mês, 40% do capital da FS foi adquirido pela Amaggi, reforçando o movimento de consolidação e interesse no setor.
Segundo Rastetter, a JetBio é uma operação independente e não está diretamente ligada ao veículo usado pelo grupo para investir na FS. O aporte na nova iniciativa deve ocorrer por meio de outro fundo. Ainda assim, a FS terá papel importante no projeto, já que deve atuar como fornecedora de etanol a ser utilizado na produção do combustível sustentável.
Um dos fatores determinantes para a decisão de desenvolver a iniciativa no Brasil, e não nos Estados Unidos, é a baixa pegada de carbono do etanol produzido localmente em comparação com outras regiões. De acordo com Rastetter, esse atributo é decisivo para que o modelo da JetBio funcione com eficiência em escala e custo, requisitos fundamentais para atender o mercado de aviação.
Destaque: A competitividade do SAF depende não apenas de volume, mas também do desempenho ambiental do insumo. Etanol com menor intensidade de carbono amplia a viabilidade econômica e regulatória do combustível sustentável.
A FS planeja dar um passo adicional na redução de emissões com a inauguração, prevista para setembro, de uma unidade de captura e armazenamento de carbono em Lucas do Rio Verde (MT). A tecnologia, conhecida como CCS, captura o dióxido de carbono gerado durante a fermentação, comprime e liquefaz o gás e, em seguida, o injeta no subsolo para armazenamento.
De acordo com Rafael Abud, fundador e CEO da FS, a iniciativa pode posicionar a empresa como a primeira produtora de etanol de milho negativa em carbono no mundo. A expectativa é que a combinação de biomassa, milho de segunda safra e sequestro de carbono resulte em emissões líquidas abaixo de zero.
Fonte do CO₂: fermentação no processo industrial de produção de etanol.
Etapas: captura, compressão, liquefação e injeção no subsolo.
Objetivo: reduzir a intensidade de carbono do combustível, com potencial de resultado negativo em emissões.
A JetBio já iniciou conversas com empresas do setor aéreo para comercializar o combustível sustentável. A estratégia é avançar em contratos de compra conforme a construção da planta evoluir, acompanhando a demanda crescente por soluções de baixo carbono.
“Quando você olha ao redor do mundo, todas as grandes companhias aéreas têm metas para combustível sustentável de aviação. Então, conversamos com várias delas e continuaremos fechando contratos de compra conforme avançarmos na construção da planta”, afirmou Rastetter.
Além do setor aéreo, o Summit avalia oportunidades no mercado marítimo, ainda em fase inicial na adoção de biocombustíveis. Nesse segmento, os parâmetros de descarbonização ainda estão em discussão, mas há demanda por alternativas capazes de reduzir emissões e atender futuros requisitos regulatórios.
A unidade de CCS da FS prevê investimento de R$ 500 milhões. Paralelamente, a empresa avança na construção de sua quarta usina de etanol, em Campo Novo do Parecis (MT), com previsão de inauguração no fim do ano e investimento estimado em R$ 2 bilhões.
Projeto Local Foco Investimento Unidade de captura e armazenamento de carbono (CCS) Lucas do Rio Verde (MT) Redução de emissões e potencial etanol carbono negativo R$ 500 milhões Quarta usina de etanol Campo Novo do Parecis (MT) Expansão da capacidade produtiva R$ 2 bilhões
A corrida por SAF e combustíveis de baixo carbono se intensifica à medida que regulamentações internacionais ganham força. Nesse contexto, projetos baseados em cadeias produtivas com menor intensidade de carbono, como o etanol de milho associado a soluções de captura de CO₂, tendem a ganhar protagonismo.
Com a JetBio, o Summit amplia sua atuação no Brasil e se posiciona em um mercado que deve sair de participação residual para um ciclo de crescimento acelerado, impulsionado por metas globais, necessidade de redução de emissões e expansão de capacidade industrial.

O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO2e por MJ, aplicado ao biocombustível produzido na segunda safra. Esse valor contrasta com a intensidade média atual do transporte marítimo, de 93,3 g CO2e por MJ, sinalizando um marco importante enquanto a OMI elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono. Executivos da indústria afirmam que o marco posiciona o etanol de milho brasileiro e sul-americano como combustível viável para a descarbonização do setor de navegação. A produção de etanol de milho no Brasil cresceu de cerca de....