
Dados oficiais e análise de mercado indicam impacto do atraso da colheita da soja sobre o diesel, enquanto a gasolina ganha força com mudança de paridade do etanol.
As vendas de diesel B (diesel com mistura de biodiesel) no Brasil registraram leve alta em fevereiro na comparação anual, influenciadas principalmente pelo atraso na colheita da soja, que reduziu a movimentação do grão e, consequentemente, a demanda por transporte no período. Ao mesmo tempo, a demanda por gasolina ganhou mais fôlego, em um cenário de etanol hidratado menos competitivo, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e análise da consultoria StoneX.
No segundo mês do ano, as vendas de diesel B somaram 5,32 bilhões de litros, o que representa alta de 0,8% em relação a fevereiro do ano anterior e aumento de 2,4% frente a janeiro, conforme os números da ANP. Segundo a leitura da StoneX, o resultado reflete uma menor tração na frente agrícola, com impacto direto do cronograma de colheita da soja.
A consultoria avalia que o atraso da colheita reduziu o transporte do grão em fevereiro, limitando o consumo do combustível no período. Para os próximos meses, porém, a expectativa é de melhora, com a recomposição do ritmo de colheita e o escoamento da produção.
A recuperação do indicador de colheita em março deve sustentar um crescimento do consumo para transporte do grão até centros consumidores e terminais de exportação.
No acumulado de janeiro a fevereiro, as vendas de diesel B totalizaram 10,52 bilhões de litros, indicando queda de 1,3% sobre o mesmo período do ano anterior, ainda de acordo com a ANP. A StoneX atribui a redução a dois fatores principais:
Antecipação de compras por parte de postos em dezembro, diante do aumento do ICMS em janeiro;
Atraso na colheita da soja, com menor necessidade de transporte do grão no começo do ano.
Apesar da leitura mais fraca no bimestre, a consultoria vê potencial de recuperação nas próximas semanas, com o avanço das atividades agrícolas e o início do plantio do milho, que tende a elevar a demanda por diesel ao longo do ciclo.
Indicador Volume Variação Leitura Fevereiro 5,32 bilhões de litros +0,8% (anual) | +2,4% (mensal) Impacto do atraso da colheita da soja 1º bimestre 10,52 bilhões de litros -1,3% (anual) Antecipação de compras e menor demanda agrícola
Já as vendas de gasolina avançaram de forma mais intensa em fevereiro, alcançando 3,76 bilhões de litros. O volume representa alta de 10,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo a ANP.
A StoneX avalia que o movimento foi favorecido pela piora relativa da competitividade do etanol hidratado, com a paridade do biocombustível ficando acima de 70% em todas as unidades da federação no período analisado. Na prática, isso tende a direcionar parte do consumo para a gasolina, especialmente em regiões onde a decisão de abastecimento é mais sensível à relação de preços entre os combustíveis.
Outro ponto destacado pela consultoria é que a maior procura por gasolina ajudou a suavizar a queda sazonal típica de fevereiro, mês em que o consumo de combustíveis leves costuma arrefecer.
No acumulado do primeiro bimestre, as vendas de gasolina somaram 7,68 milhões de metros cúbicos, com alta de 5,9% na comparação anual, apontam os dados oficiais.
Para os meses seguintes, a StoneX projeta desaceleração do crescimento da demanda por gasolina, especialmente a partir do segundo trimestre. Em março, o aumento dos preços da gasolina voltou a elevar a atratividade do etanol em alguns estados — embora o ajuste do consumo, em geral, ocorra com defasagem.
A tendência é que a substituição de preferência entre etanol e gasolina ganhe força a partir de abril, com a ampliação da oferta de etanol associada ao início da moagem no Centro-Sul, fator que costuma influenciar preços e competitividade do biocombustível no mercado.
Em linha com o quadro de competitividade observado em fevereiro, a comercialização de etanol hidratado recuou 11,5% na comparação anual, totalizando 1,52 bilhão de litros no mês.
No acumulado de janeiro e fevereiro, as vendas do biocombustível somaram 3,17 bilhões de litros, com queda de 10,8% ante o mesmo período do ano anterior.
Destaques do mês: diesel com avanço tímido e influência do agro; gasolina em forte alta; etanol em queda com perda de competitividade.
Produto Volume Variação anual Fator-chave Diesel B 5,32 bilhões de litros +0,8% Atraso da colheita da soja Gasolina 3,76 bilhões de litros +10,3% Etanol hidratado menos competitivo Etanol hidratado 1,52 bilhão de litros -11,5% Paridade desfavorável no mês
Com o avanço da colheita e a mudança sazonal da oferta de biocombustíveis, o mercado deve seguir acompanhando de perto a dinâmica entre diesel, gasolina e etanol, além dos impactos de logística agrícola e preços ao consumidor na trajetória do consumo de combustíveis.

O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

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