
Os Estados Unidos autorizaram, de forma emergencial e temporária, a venda nacional da gasolina com maior teor de etanol, em uma medida destinada a reduzir a pressão sobre os preços nas bombas e ampliar a oferta doméstica de combustível em meio às incertezas no mercado global de energia. A decisão abre uma exceção à regra tradicional do país, onde a mistura padrão costuma ficar limitada a até 10% de etanol.
A medida permite a comercialização do chamado E15 — gasolina com 15% de etanol — em todo o território norte-americano a partir de 1º de maio. O aval foi anunciado em um momento em que a cadeia de combustíveis enfrenta instabilidade causada por um choque de oferta associado ao conflito entre os EUA e o Irã, cenário que tende a sustentar preços elevados por mais tempo do que o inicialmente previsto.
No plano político, o movimento ocorre em um ano eleitoral, quando o aumento do custo da gasolina costuma ter impacto direto na percepção do governo. Ao mesmo tempo, o agronegócio busca mais previsibilidade para a demanda por insumos usados na produção de biocombustíveis, especialmente o milho — principal matéria-prima do etanol no país.
A elevação da mistura foi definida como excepcional e válida por 20 dias. A legislação permite que o período seja prorrogado de forma sucessiva caso persistam condições de “escassez extrema ou incomum” de combustível. Historicamente, esse tipo de permissão costuma ocorrer durante o verão, quando a demanda por combustíveis aumenta.
A liberação depende da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, responsável por autorizações emergenciais relacionadas a padrões de qualidade do ar. Em nota, o órgão informou que seguirá acompanhando o abastecimento em conjunto com a indústria e parceiros federais e que está preparado para estender as isenções, se as condições justificarem.
Embora a motivação principal envolva segurança energética e reforço da oferta nacional, a decisão também tem implicações ambientais. O aumento do teor de etanol pode elevar a volatilidade da gasolina e, com isso, contribuir para maior formação de ozônio na atmosfera, um poluente associado à piora da qualidade do ar.
O tema evidencia o dilema regulatório dos EUA: ao mesmo tempo em que o etanol é visto como componente estratégico para o abastecimento e para a renda no campo, sua expansão enfrenta barreiras ligadas a normas ambientais e ao desenho do mercado de combustíveis, ainda fortemente dominado por fontes fósseis.
Contexto político e econômico: a decisão ocorre em meio à busca por equilíbrio entre interesses do setor de refino e os do agronegócio, pressionado por perdas em exportações associadas a disputas comerciais.
A liberação temporária do E15 reforçou o debate no Congresso sobre a possibilidade de transformar a mistura de 15% em um combustível autorizado o ano inteiro e em nível nacional. Parlamentares discutem um projeto para encerrar a regulação baseada em padrões de qualidade do ar que, na prática, limita o uso do E15 em determinados períodos e regiões.
O tema ganhou tração em 2026 diante do encarecimento da energia. Apesar de haver apoio bipartidário relevante, ainda não há votação final sobre um texto consolidado. Para o setor agrícola, a previsibilidade seria essencial para sustentar demanda interna por etanol e amortecer efeitos de instabilidades no comércio internacional.
A política de biocombustíveis coloca o governo em uma posição sensível. Refinarias acompanham com atenção qualquer mudança que possa influenciar os preços da gasolina e do diesel, enquanto produtores rurais defendem metas mais robustas para ampliar o consumo de combustíveis renováveis e fortalecer a renda agrícola.
O presidente norte-americano afirmou que seu governo deve anunciar medidas voltadas aos agricultores. O setor aguarda a definição oficial das diretrizes de mistura para este ano e o próximo, uma decisão considerada determinante para orientar investimentos e expectativas no campo e na indústria.
Diferentemente do modelo brasileiro, os EUA não operam com um percentual fixo e obrigatório único para mistura em todo o país. O sistema norte-americano define volumes obrigatórios de venda de combustíveis renováveis que refinarias e importadores precisam cumprir ao longo do ano.
A proposta apresentada pela agência ambiental eleva o mandato total de biocombustíveis para patamares recordes: 91 bilhões de litros em 2026 e 92,6 bilhões de litros em 2027, representando um avanço de quase 10% em relação a 2025. A expectativa é que os volumes anunciados sejam próximos aos que já vinham sendo discutidos antes da escalada do conflito com o Irã.
Categoria 2026 2027 Observação Mandato total de biocombustíveis 91 bilhões de litros 92,6 bilhões de litros Alta próxima de 10% vs. 2025 Etanol de milho 56,8 bilhões de litros 56,8 bilhões de litros Estável com teto padrão de mistura
Segundo a proposta, o crescimento do mandato seria sustentado principalmente pela expansão do diesel renovável, que integra a cota de biocombustíveis avançados. Já o volume de etanol de milho tende a permanecer estável, em parte porque a mistura padrão historicamente adotada limita o avanço do consumo sem ajustes regulatórios adicionais — como a liberação ampliada do E15.
Diretrizes mais ambiciosas de biocombustíveis costumam impulsionar a demanda por matérias-primas agrícolas, como milho e soja. Com a perspectiva de maior consumo, o mercado acompanha de perto a reação de preços e a competitividade entre combustíveis.
Além do etanol, cresce a atenção em torno do biodiesel e de seus incentivos. Setores ligados ao transporte rodoviário e à energia pressionam o Congresso para restabelecer um incentivo tributário a misturadores, mecanismo que vinha influenciando decisões de produção e mistura no país.
E15 liberado nacionalmente por um período emergencial, com possibilidade de prorrogação.
Objetivo imediato: conter preços e reforçar a oferta interna de combustível.
Impacto regulatório: decisão passa por órgão ambiental devido a efeitos na volatilidade e no ozônio.
Disputa política: refinarias e agricultores pressionam por regras mais previsíveis.
Debate no Congresso: proposta para liberar o E15 durante todo o ano segue sem votação final.
Com a autorização emergencial, o governo tenta responder simultaneamente à necessidade de estabilizar o abastecimento e aos interesses do agronegócio, sem perder de vista o debate ambiental. O desfecho, contudo, dependerá tanto das condições do mercado de energia nas próximas semanas quanto do avanço das negociações no Congresso sobre o futuro do E15 e das metas de combustíveis renováveis.
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O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO2e por MJ, aplicado ao biocombustível produzido na segunda safra. Esse valor contrasta com a intensidade média atual do transporte marítimo, de 93,3 g CO2e por MJ, sinalizando um marco importante enquanto a OMI elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono. Executivos da indústria afirmam que o marco posiciona o etanol de milho brasileiro e sul-americano como combustível viável para a descarbonização do setor de navegação. A produção de etanol de milho no Brasil cresceu de cerca de....