
Queda nos Preços do Milho: Alta Oferta e Demanda Fraca Impactam Mercado Nacional e Internacional em 2026
Oferta elevada e demanda enfraquecida estão derrubando os preços do milho no Brasil, com impacto também no mercado futuro. O aumento da disponibilidade do cereal, impulsionado por safra recorde e condições climáticas favoráveis, contribui para a queda, ao mesmo tempo que a demanda interna está retraída. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros começaram a semana em baixa devido à especulação, enquanto exportações e condições das lavouras argentinas geraram leve recuperação. A perspectiva é de que os preços continuem pressionados, a menos que ocorram eventos climáticos adversos ou aumento nas exportações americanas.
Oferta elevada e demanda reduzida impactam preços do milho
No início deste ano, os preços do milho apresentam queda nas principais regiões do Brasil, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Esse cenário é resultado de uma oferta elevada e de uma demanda mais fraca.
Pesquisadores indicam que o clima favorável e o avanço da colheita da safra de verão contribuem para o aumento na oferta do cereal. Ao mesmo tempo, os compradores optam por utilizar os estoques anteriores, o que diminui o interesse por novas compras.
Com a chegada da colheita da soja, há expectativas de que produtores precisarão liberar espaço nos armazéns e gerar receita, aumentando ainda mais a pressão sobre os preços do milho. Enquanto isso, o plantio da segunda safra já teve início em regiões do Sul e Centro-Oeste, intensificando as previsões de oferta elevada nos próximos meses.
Mercado futuro em queda na B3
Na Bolsa Brasileira de Mercadorias (B3), as movimentações foram mistas nesta segunda-feira, com cotações variando entre R$ 67,77 e R$ 69,21. Embora tenha ocorrido algumas altas pontuais, como:
- Março/26: R$ 69,21 (+0,54%)
- Maio/26: R$ 68,65 (+0,34%)
- Julho/26: R$ 67,86 (+0,50%)
- Setembro/26: R$ 67,77 (-0,07%)
A semana anterior foi marcada por quedas nos preços, influenciadas pelo aumento da oferta interna e pela busca por liquidez dos produtores. A média de preços segundo o Cepea teve recuo de 2,60%, acompanhando a desvalorização do dólar de 1,60%, o que reduziu a competitividade das exportações.
Influência no mercado global
Os contratos futuros de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) também iniciaram a semana em baixa, impactados pela especulação. Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) indicam que investidores aumentaram posições vendidas, apostando na redução de preços do cereal. Apesar da pressão externa, leves recuperações foram registradas, sustentadas por dados positivos de exportação, somando 4,01 milhões de toneladas, 33,68% acima do mesmo período do ano passado.
Perspectivas futuras
A expectativa é de que o mercado de milho permaneça sob pressão nas próximas semanas, devido ao avanço da colheita de verão e à safrinha. Com estoques altos, demanda interna enfraquecida e câmbio desfavorável, o cenário para recuperação de preços a curto prazo é limitado. Apenas mudanças significativas no cenário internacional, como eventos climáticos adversos na América do Sul ou uma elevação nas exportações dos Estados Unidos, poderiam oferecer suporte às cotações.



