
Soja no Brasil: Produtores Hesitam em Vender Maior Safra da História com Preços de Mercado em Queda
Os produtores brasileiros iniciaram a colheita da maior safra de soja e estão vendendo pouco devido aos preços baixos, com 30,3% da produção comercializada, comparado à média de 41,1% dos últimos cinco anos. Preços têm caído, desestimulando vendas, especialmente em Mato Grosso, onde a saca chegou a menos de R$ 100. Expectativas de grandes colheitas e preços deprimidos devem agravar a situação, aumentando o custo de armazenamento. Consultorias indicam vendas atrasadas e uma possível recuperação pontual em abril e maio, porém o cenário geral segue desafiador.
Produtores Rurais Enfrentam Desafios com a Maior Safra de Soja da História
Os produtores rurais brasileiros iniciaram a colheita da maior safra de soja da história, mas enfrentam desafios na comercialização dos grãos. **Embora a produção atinja recordes, a venda segue em ritmo lento devido aos preços baixos, o que pode comprometer ainda mais a margem dos agricultores.**
Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado, informa que até agora apenas 30,3% da safra foi vendida. No mesmo período em 2025, o índice de vendas era de 39%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 41,1%.
A desvalorização acentuada dos preços, com a saca se desvalorizando até R$ 10 em algumas regiões, é indicada como principal razão para essa situação. No Mato Grosso, os preços abaixo de R$ 100 estão gerando prejuízos aos produtores.
Conforme Silveira, as negociações não devem recuperar o atraso, já que os preços estão projetados para permanecerem baixos devido à grande oferta esperada. A última projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê a produção de 176,12 milhões de toneladas, 2,7% acima do ciclo passado, enquanto a Safras & Mercado estima um volume ainda maior, superando 180 milhões de toneladas.
Com um baixo índice de vendas antecipadas, o avanço da colheita deve pressionar ainda mais as cotações, levando a um aumento nos custos de armazenagem da soja. A falta de armazéns disponíveis, à medida que mais produtos chegam ao mercado, agrava a situação, destaca Silveira.
Em concordância, a Hedgepoint Global Markets informa que as vendas da safra 2025/26 estão em 30%, comparado à média de 41% dos últimos cinco anos. Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de mercado da consultoria, avalia que o atraso deve-se a uma estratégia de mercado pouco eficiente por parte dos produtores.
Roque antecipa um aumento pontual nas vendas entre abril e maio, devido à necessidade dos produtores de arcar com compromissos financeiros. No entanto, ele não acredita em uma recuperação significativa no ritmo de vendas deste ciclo.
Segundo Ale Delara, sócio da Pine Agronegócios, as estratégias de negociação para 2026 foram baseadas na conjuntura do ano anterior. Os preços mais altos em 2025, em parte impulsionados por discussões em torno da guerra comercial, podem ter criado expectativas de um contexto similar neste ano. As vendas da safra atual estão em 30%, abaixo dos 39,6% de um ano atrás, completa Delara.



