
Brasil e Coreia do Sul anunciam parceria estratégica com foco em terras raras, lítio, IA e semicondutores; reativação do Mercosul-Coreia
Brasil e Coreia do Sul elevaram suas relações a parceria estratégica, com a assinatura de 10 memorandos de entendimento em áreas como agricultura, tecnologia, semicondutores, IA e minerais críticos.
Brasil e Coreia do Sul elevam relação a parceria estratégica e anunciam cooperação em minerais críticos e tecnologia
Em Seul, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae-myung anunciaram a elevação das relações bilaterais ao nível de parceria estratégica, com foco em áreas consideradas decisivas para a economia do futuro, como agricultura, inteligência artificial, semicondutores e minerais críticos.
Pacote de memorandos amplia cooperação em setores-chave
O anúncio foi acompanhado pela assinatura de 10 memorandos de entendimento entre os dois países. Os documentos preveem iniciativas de cooperação e aproximação institucional em frentes que vão do desenvolvimento produtivo e tecnológico à segurança de cadeias estratégicas, com impacto potencial em inovação, indústria e competitividade internacional.
Entre os temas contemplados estão agricultura e tecnologias aplicadas ao setor, além de acordos voltados a IA e semicondutores — segmento no qual a Coreia do Sul ocupa posição de destaque global.
Contexto: a parceria estratégica reforça a coordenação política e técnica em áreas sensíveis, incluindo insumos críticos para tecnologias avançadas e a modernização de cadeias produtivas.
Destaque: processamento de terras raras e lítio entra no centro da agenda
Um dos principais pontos do entendimento anunciado em Seul é a intenção de cooperar no processamento de terras raras e de lítio — matérias-primas consideradas essenciais para a fabricação de componentes de alta tecnologia, incluindo chips, baterias e equipamentos eletrônicos.
O tema ganha relevância porque esses insumos são estratégicos para a indústria de semicondutores, e a Coreia do Sul é descrita como a segunda potência mundial no setor. A cooperação pode representar, segundo a leitura dos governos, uma oportunidade para o Brasil avançar no elo de maior valor agregado da cadeia produtiva, reduzindo dependências e ampliando a capacidade de industrialização.
Durante o anúncio, Lula defendeu que o Brasil não deve permanecer como “mero exportador de matéria-prima bruta”, sinalizando a intenção de estimular iniciativas que levem a beneficiamento, transformação industrial e transferência de conhecimento.
O que está em jogo na prática
Agregação de valor a recursos minerais estratégicos, com potencial de novas plantas e rotas de processamento;
Integração tecnológica com parceiros líderes em semicondutores e eletrônica;
Segurança de suprimentos em cadeias críticas para a indústria digital e de energia;
Cooperação produtiva para reduzir gargalos industriais e acelerar inovação.
Agricultura, inovação e indústria: ampliação do diálogo técnico
A agricultura aparece como um dos eixos da nova etapa bilateral, em linha com a busca por soluções para produtividade, sustentabilidade e modernização de processos. Embora os memorandos assinados sejam instrumentos de intenção e cooperação, o pacote sinaliza a criação de um ambiente político e técnico para projetos conjuntos, intercâmbio de conhecimento e aproximação entre instituições.
No campo tecnológico, a agenda em IA e semicondutores reforça a prioridade de ambos os governos em disputar competitividade em setores de alto valor. A participação de minerais críticos no mesmo conjunto de entendimentos evidencia uma abordagem integrada, combinando insumos, indústria e tecnologia.
Área Foco do entendimento Potencial impacto Minerais críticos Processamento de terras raras e lítio Mais valor agregado e integração industrial Semicondutores Cooperação em cadeia tecnológica Fortalecimento de capacidade produtiva e inovação Inteligência artificial Diálogo e iniciativas de desenvolvimento Aceleração de soluções digitais e competitividade Agricultura Cooperação técnica e produtiva Modernização e maior eficiência no setor
Democracia e estabilidade política entram no discurso
Além dos anúncios econômicos e tecnológicos, o encontro também teve tom político. Os dois presidentes compararam as tentativas de golpe enfrentadas em seus países e reafirmaram um compromisso comum com a democracia e a estabilidade institucional.
O posicionamento foi apresentado como um elemento de convergência entre Brasil e Coreia do Sul, em meio a um cenário internacional marcado por disputas comerciais, tensões geopolíticas e busca por alianças que sustentem políticas industriais e cadeias de suprimento.
Em destaque: ao associar a agenda econômica ao compromisso democrático, os líderes reforçam previsibilidade política — um fator frequentemente citado como essencial para atrair investimentos e viabilizar parcerias de longo prazo.
Lula defende retomada do acordo Mercosul–Coreia
Lula também impulsionou a retomada das conversas em torno do acordo entre Mercosul e Coreia do Sul, cuja negociação está paralisada desde 2021. A iniciativa foi mencionada como parte do esforço para ampliar comércio, cooperação e integração econômica entre os blocos.
A reativação do tema ocorre num contexto em que países buscam diversificar parceiros e reduzir vulnerabilidades em setores estratégicos. Para o Brasil, a pauta se soma à defesa de maior inserção em cadeias de tecnologia e indústria, além de abertura de mercados e construção de ambientes favoráveis a investimentos.
Principais pontos anunciados em Seul
Elevação do relacionamento bilateral ao nível de parceria estratégica;
Assinatura de 10 memorandos em setores como agricultura, tecnologia, semicondutores, IA e minerais críticos;
Cooperação para processamento de terras raras e lítio, com foco em cadeias de alto valor;
Reafirmação do compromisso democrático;
Defesa da retomada do acordo Mercosul–Coreia, parado desde 2021.
Com a nova etapa diplomática, Brasil e Coreia do Sul sinalizam uma agenda voltada a inovação, industrialização e segurança de cadeias estratégicas. O destaque dado a minerais críticos e semicondutores reforça a busca por competitividade em setores que determinam o ritmo da transformação tecnológica global.




