
PRUDENTÓPOLIS (PR) — Com a escalada das tensões no Oriente Médio e a instabilidade no mercado internacional de petróleo, o diesel virou item crítico no interior do Paraná. Em Prudentópolis, município com economia fortemente sustentada pelo agronegócio, a rotina de trabalho já começa com um “garimpo” por combustível: gerentes e produtores relatam dificuldade para encontrar diesel, enquanto os preços disparam em plena colheita.
Na manhã de quarta-feira, 25, o gerente de um posto local, José Luiz de Carvalho, buscava 45 mil litros para completar um tanque vazio e não conseguia o produto em volume suficiente. O cenário, segundo ele, é de escassez e incerteza, com risco de agravamento nas próximas semanas e possibilidade de reflexos também sobre a gasolina.
O tema foi discutido no dia 24 durante reunião da comissão temática de cereais, fibras e oleaginosas do Sistema Faep, que reúne representantes do setor no estado. O diagnóstico foi direto: em meio à colheita, o diesel saltou de R$ 5,40 para até R$ 7,80 em diversas regiões do Paraná, elevando o custo operacional das propriedades e o preço do transporte.
O presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que a mecanização crescente torna a agricultura ainda mais dependente do diesel. Além disso, o combustível pesa de forma decisiva na logística: cerca de 40% do custo do frete está associado ao diesel, o que pode gerar efeito em cadeia sobre o preço de mercadorias.
Por que isso importa para a saúde? A alta do diesel pode encarecer o transporte de alimentos, insumos agropecuários e itens essenciais, pressionando preços e afetando a segurança alimentar. Também impacta a distribuição em áreas rurais e a logística de cadeias produtivas que dependem de entregas regulares.
Carvalho também gerencia um TRR (transportador, retalhador, revendedor), responsável por fornecer diesel à cooperativa da região, com compras feitas diretamente de refinarias ou distribuidoras. Ele relata uma inversão atípica: tradicionalmente, o diesel do TRR tende a ser mais barato por não envolver custos de operação de posto, mas agora o valor na bomba ficou inferior em alguns casos.
Com isso, muitos agricultores têm tentado abastecer diretamente nos postos, ampliando a pressão sobre a oferta local. Para quem depende de máquinas agrícolas e caminhões, qualquer interrupção vira risco imediato para a produção e a rotina de trabalho.
Segundo avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), parte das cargas de combustível destinadas ao Brasil pode estar sendo desviada para países dispostos a pagar mais. Esse movimento, em um contexto global de tensão, poderia comprometer o abastecimento interno.
No Paraná, o cenário também motivou ações de defesa do consumidor. Houve iniciativas do Procon contra postos suspeitos de reter combustível para especular preços. A orientação das autoridades é coibir cobranças abusivas e garantir transparência na comercialização.
O mercado acompanha, com atenção, o fluxo de petróleo em rotas estratégicas. Na quinta-feira, 26, a reabertura do Estreito de Ormuz — corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo — foi adiada novamente, conforme anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A repercussão chegou rapidamente ao interior. Em Prudentópolis, produtores descrevem a sensação de operar sem previsibilidade: a colheita exige combustível contínuo, e a possibilidade de faltar diesel, ainda que temporariamente, compromete atividades que não podem parar.
O produtor Augustinho Andreatto afirmou que ficou quase um dia sem diesel após solicitar abastecimento para tratores e receber a informação de indisponibilidade para entrega. A paralisação, segundo ele, gerou pressão imediata porque os equipamentos são usados no transporte de alimento para o gado e na rotina da criação de suínos.
Como medida de precaução, Andreatto mantém uma reserva de emergência: uma bombona extra com mil litros guardada na garagem dos tratores. A estratégia, porém, não é viável para todos e pode se tornar insuficiente caso o cenário se prolongue.
A dependência do combustível é potencializada pelo perfil do município. Prudentópolis tem frota expressiva no campo: 3.250 equipamentos, incluindo 2.040 tratores e 215 colheitadeiras, além de 1.388 caminhões e carretas e grande parte das 5.361 caminhonetes usadas nas fazendas. O resultado é uma realidade em que o diesel sustenta a mobilidade e a produtividade rural.
Indicador local Resumo Máquinas agrícolas 3.250 equipamentos, com predominância de motores a diesel Tratores 2.040 unidades Colheitadeiras 215 unidades Caminhões e carretas 1.388 veículos
Na quarta-feira, 25, a situação já era visível em parte da rede local: em quatro postos visitados pela reportagem, dois estavam sem diesel e em um deles faltava também etanol. Para o presidente do Sindicato Rural, Edimilson Rickli, o risco de desabastecimento somado ao custo elevado do diesel e dos fertilizantes coloca parte dos produtores diante de uma decisão difícil: reduzir ou desistir do cultivo de inverno.
O temor é que o encarecimento do combustível e a falta de previsibilidade pressionem margens, ampliem custos logísticos e repercutam sobre o preço final de produtos que dependem do campo — do grão à proteína animal.
Nos últimos anos, Prudentópolis viu o comércio crescer, com abertura de centros comerciais, revendas de veículos e expansão de serviços. A arrecadação municipal melhorou e viabilizou investimentos em infraestrutura urbana. Porém, o atual cenário do diesel impõe um novo tipo de vulnerabilidade: quando a base produtiva depende de abastecimento constante, qualquer choque no combustível atinge a economia como um todo.
Produção agrícola: máquinas paradas atrasam colheita e plantio.
Proteína animal: logística de ração e manejo diário exige operação contínua.
Transporte: frete mais caro pressiona preços em diferentes cadeias.
Consumo e serviços: instabilidade no agro tende a reduzir confiança e investimentos.
Especialistas locais lembram que eventos internacionais têm reflexo direto na cidade. Em crises recentes, como conflitos no exterior, Prudentópolis sentiu impactos econômicos e sociais. Agora, a preocupação imediata é manter o funcionamento do campo em meio à alta do diesel, com atenção especial para os efeitos indiretos sobre custo de vida e acesso a itens essenciais.
Enquanto o abastecimento não se normaliza, produtores e comerciantes seguem em modo de contenção, buscando alternativas para evitar paralisações e reduzir perdas. A expectativa é que os próximos meses sejam decisivos para definir se a escassez permanecerá localizada ou se vai se espalhar, ampliando pressão sobre preços e abastecimento.
```

O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO2e por MJ, aplicado ao biocombustível produzido na segunda safra. Esse valor contrasta com a intensidade média atual do transporte marítimo, de 93,3 g CO2e por MJ, sinalizando um marco importante enquanto a OMI elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono. Executivos da indústria afirmam que o marco posiciona o etanol de milho brasileiro e sul-americano como combustível viável para a descarbonização do setor de navegação. A produção de etanol de milho no Brasil cresceu de cerca de....