
Escalada do conflito no Oriente Médio e a disparada do petróleo no mercado internacional começam a redesenhar expectativas para cadeias produtivas brasileiras que dependem de energia e logística. Em Alagoas, o setor sucroenergético vive um cenário duplo: de um lado, custos maiores com combustíveis e insumos; de outro, a possibilidade de maior competitividade do etanol e uma reação nos preços do açúcar, com efeitos indiretos sobre a economia regional.
Nos últimos dias, o barril do petróleo tipo Brent ultrapassou a marca de cem dólares, elevando as preocupações com inflação e repasses na cadeia de transportes. Em um estado com forte base canavieira, a alta da gasolina e do diesel tende a aumentar o interesse por alternativas renováveis, especialmente o etanol, que ganha espaço quando os combustíveis fósseis encarecem.
Para o economista Fábio Leão, a presença de uma estrutura consolidada de biocombustíveis no Brasil funciona como um mecanismo de proteção contra choques externos, reduzindo parte do impacto econômico que normalmente se espalha por toda a cadeia de preços.
“Analistas apontam que a infraestrutura de biocombustíveis do Brasil funciona como um escudo contra choques externos de petróleo, o que pode mitigar parte do impacto inflacionário na região. Isso posiciona Alagoas de forma estratégica neste momento.”
A leitura é semelhante para lideranças do setor canavieiro. O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas, Edgar Antunes, afirma que o aumento do preço da gasolina já vem alterando a relação de competitividade nas bombas, favorecendo o consumo do etanol e influenciando decisões industriais.
“Como o preço da gasolina está muito alto, o etanol está ficando mais viável e o consumo do etanol aumentou muito, então a tendência é que as usinas agora do Centro-Sul, que começam a safra em abril, comecem a fazer mais etanol do que açúcar.”
Esse ajuste tende a ocorrer primeiro no Centro-Sul, onde o ciclo de moagem começa em abril, enquanto Alagoas e Pernambuco passam pela entressafra. Na prática, isso significa que o Nordeste observa o cenário com atenção, mas ainda sem a mesma intensidade de impacto imediato vista em outras regiões produtoras.
O dirigente avalia que a expectativa do setor é de acomodação do cenário geopolítico ao longo dos próximos meses, reduzindo incertezas e melhorando o ambiente de preços para o produtor.
“Temos esperança de que até setembro essa guerra tenha acabado ou tenha diminuído e os preços estejam melhores.”
Apesar do potencial de ganho para o etanol, o mercado de açúcar também entra no radar. Em Alagoas, a safra está praticamente encerrada, e o período recente foi marcado por queda no valor do Açúcar Total Recuperado (ATR) e por condições climáticas adversas, fatores que pressionaram a renda do produtor e aumentaram a sensação de fragilidade no campo.
Ao mesmo tempo, a sinalização de que as usinas do Centro-Sul podem direcionar mais cana para a produção de etanol tende a reduzir a oferta de açúcar no mercado, criando uma janela para valorização do produto. Na avaliação de Edgar Antunes, esse movimento pode ajudar a recompor preços, ainda que os custos sigam elevados.
“Com o início da moagem das usinas do Centro-Sul, agora em abril, e a perspectiva de se produzir mais etanol do que açúcar, a expectativa é de enxugar o açúcar do mercado, fazendo com que o preço dele aumente.”
O cenário, porém, continua desafiador por causa do encarecimento de fertilizantes e do impacto dos combustíveis sobre o transporte e a logística. Esses fatores elevam os custos de produção e aumentam o risco de margens apertadas, sobretudo em momentos de menor rendimento agrícola.
Segundo o dirigente, parte dos produtores em Alagoas já concluiu a adubação, o que tende a reduzir efeitos imediatos para esse grupo. Ainda assim, quem permanece com etapas pendentes de manejo pode enfrentar um aperto maior, justamente por combinar aumento de custos com um ciclo produtivo difícil.
“Aqui em Alagoas quem pode sentir os impactos são aqueles produtores que ainda não adubaram suas socarias. Mas como a gente já acabou a safra, muita gente já adubou também. Então, os impactos são negativos, mas para quem não adubou é maior, porque o preço do insumo aliado a um ano ruim é de calamidade total.”
A combinação de conflito internacional, petróleo caro e rearranjos no mix de produção entre açúcar e etanol pode trazer consequências diretas e indiretas para Alagoas. Além dos efeitos sobre o produtor e as usinas, há reflexos em logística, geração de empregos sazonais e movimentação econômica no entorno das áreas produtoras.
Para sintetizar os principais pontos do momento, o setor observa:
Etanol mais competitivo com a alta da gasolina, favorecendo a demanda interna;
Possível redução da oferta de açúcar caso o Centro-Sul amplie a produção de etanol;
Custos pressionados por combustíveis e fertilizantes, com impacto na rentabilidade;
Nordeste em entressafra, com efeito menos imediato do que em regiões que iniciam a moagem;
Expectativa de reação de preços no açúcar, caso o mercado seja “enxugado”.
Fator Efeito esperado em Alagoas Risco associado Petróleo em alta Etanol ganha atratividade e pode ampliar demanda Inflação de fretes e custos operacionais Mix para mais etanol Possível suporte aos preços do açúcar via menor oferta Volatilidade de mercado e mudanças rápidas na demanda Fertilizantes mais caros Pressão sobre custos e planejamento da próxima etapa agrícola Maior vulnerabilidade para quem ainda não concluiu adubação
Enquanto o mercado tenta antecipar os próximos movimentos do petróleo e da geopolítica, o setor sucroenergético acompanha de perto a evolução da safra no Centro-Sul e seus impactos sobre preços. Em Alagoas, a leitura predominante é de cautela: há espaço para oportunidades no etanol e no açúcar, mas o desafio dos custos continua no centro das decisões do campo e da indústria.
```

O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO2e por MJ, aplicado ao biocombustível produzido na segunda safra. Esse valor contrasta com a intensidade média atual do transporte marítimo, de 93,3 g CO2e por MJ, sinalizando um marco importante enquanto a OMI elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono. Executivos da indústria afirmam que o marco posiciona o etanol de milho brasileiro e sul-americano como combustível viável para a descarbonização do setor de navegação. A produção de etanol de milho no Brasil cresceu de cerca de....