
Começou nesta segunda-feira, 26, em Dubai, a aclamada feira internacional de alimentos e bebidas do Oriente Médio, a Gulfood 2026. Este evento prestigioso conta com a participação recorde de 186 empresas brasileiras, em um esforço organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
A presença do Brasil está estrategicamente distribuída em quatro pavilhões, carregando consigo uma expectativa ambiciosa de superar US$ 3,5 bilhões em negócios fechados durante o evento e ao longo dos próximos 12 meses. Esta feira, renomada por ser a maior do gênero no Oriente Médio, reúne mais de cinco mil expositores de cerca de 120 países, atraindo aproximadamente 150 mil visitantes qualificados, incluindo compradores e lideranças do setor de alimentos.
Pela primeira vez, a Gulfood será realizada simultaneamente em dois grandes complexos de exposições: o Dubai World Trade Centre (DWTC) e o Dubai Exhibition Centre (DEC), localizado na Expo City. Enquanto carnes, proteínas animais e bebidas estão concentradas no DWTC, grãos e alimentos inovadores ocupam o DEC, refletindo a segmentação da feira por cadeias produtivas.
Para o setor agropecuário brasileiro, a Gulfood é mais que uma feira; é um termômetro que mede a demanda global, funcionando como porta de entrada para mercados que dependem de importações em grande escala e contratos de longo prazo. O evento oferece oportunidades de reuniões presenciais, rodadas de negócios e estabelecimento de contatos estratégicos por meio dos pavilhões brasileiros.
A participação brasileira triplicou desde 2025, quando apenas 120 empresas marcaram presença na feira. Este aumento ilustra a estratégia do Brasil em ampliar sua presença em mercados que dependem de importação, como os países do Golfo, conhecidos pelo seu alto poder aquisitivo.
Laudemir Müller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil, destacou que com um desempenho recorde em 2025, a delegação retorna à Gulfood com grandes expectativas de sucesso, apoiando a expansão contínua das exportações brasileiras de alimentos e bebidas.
A Gulfood se consolidou como uma vitrine crucial para o agronegócio brasileiro fora do eixo tradicional Europa–Estados Unidos. Na edição de 2025, os negócios fecharam um total de US$ 3,5 bilhões, superando largamente os US$ 1,9 bilhão de 2024. Este sucesso reforça sua importância no cenário internacional.
Em 2026, a diversidade da delegação representa a vasta gama de produtos do agro nacional. Entre as empresas de proteína animal, destacam-se participantes como a Copacol e a Pif Paf. No setor de carne bovina, representantes incluem a JBS e a Minerva. A delegação também incorpora cooperativas e empresas que produzem grãos, café, amendoim e outros alimentos processados, proporcionando uma ampla representação do setor.
A região do Golfo, conhecida por sua densidade populacional e restrições climáticas que limitam a produção agrícola, apresenta intensa dependência de importações de alimentos. Dubai, por sua vez, consolidou-se como um hub logístico e comercial, estendendo o alcance de negociações a mercados na Ásia, Europa e África.
Um estudo da ApexBrasil identificou 446 oportunidades para produtos brasileiros nos Emirados Árabes Unidos. Os setores em destaque incluem alimentos como castanha de caju e cevada, além de máquinas ligadas à cadeia produtiva. Este levantamento, concluído em 2024, direciona a estratégia comercial da agência, reforçando a posição do Brasil como um fornecedor essencial de alimentos de alta qualidade.

A proibição da União Europeia a produtos brasileiros de carne bovina e mel entra em vigor em 3 de setembro, com base em alegações de monitoramento insuficiente de antimicrobianos. Exportações de carne e mel orgânico para o bloco registraram altas recentes, mas o cenário futuro torna-se incerto.
Após a expansão do ecossistema de inovação voltado ao agronegócio, o mercado de fusões e aquisições envolvendo agtechs caminha para uma etapa mais seletiva. Com investidores e compradores cada vez mais atentos à geração de valor, empresas capazes de comprovar resultados operacionais, escalabilidade e maturidade de gestão tendem a concentrar as oportunidades de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, de acordo com Camila Perez, líder de M&A da Galapos, a expectativa é que 2026 seja marcado por operações mais qualificadas, com foco em ativos que combinem tecnologia validada, base de clientes consistente, governança madura e capacidade comprovada de gerar vantagem competitiva no campo.

Produzir mais, preservando os recursos naturais e reduzindo a vulnerabilidade às mudanças climáticas, deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma estratégia de sobrevivência no agronegócio. Essa necessidade acelerou a busca por sistemas produtivos mais resilientes.
Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há 60 anos, a Netafim é pioneira e líder mundial em soluções para irrigação. Com atuação em mais de 110 países, chegou ao Brasil na década de 1990, com um portfólio completo de produtos e soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, que visam contribuir com o eficiente uso da água, aumentando a produtividade na agricultura e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural.
A construção de uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas e capaz de gerar valor para toda a cadeia produtiva passa, cada vez mais, pela atuação conjunta entre empresas, instituições financeiras e produtores rurais. Foi com esse objetivo que a BB Seguros sediou, na última semana, o encontro "Agricultura Regenerativa em Pauta: Valor, Métricas e Mercado", promovido pelo Consórcio Reg.IA, primeiro consórcio de agricultura regenerativa da América Latina, liderado pela Produzindo Certo, empresa que conecta produtores rurais a empresas comprometidas com a sustentabilidade.