
Setor de Carne Bovina do Brasil Olha para a Indonésia como Novo Mercado Promissor
Com as cotas tarifárias impostas pela China, o setor de carne bovina brasileiro busca diversificar e expandir seus mercados internacionais. O foco agora está na Indonésia, além de outros países como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que apresentam barreiras sanitárias rígidas.
Considerada o quarto país mais populoso do mundo, com aproximadamente 283 milhões de habitantes de acordo com a ONU, a Indonésia é vista como um potencial destino para as exportações brasileiras. Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), enfatiza a Indonésia como um "novo mundo" para a carne bovina do Brasil, devido ao aumento da renda da população e ao crescimento da classe média urbana.
Atualmente, o Brasil tem 38 unidades frigoríficas aprovadas para exportar carne bovina à Indonésia, com expectativas de mais aprovações em breve. De acordo com Perosa, "Deve sair nos próximos dias a habilitação de 18 unidades frigoríficas do Brasil autorizadas a exportar para a Indonésia". A maioria das exportações brasileiras para esse mercado consiste em miúdos, competindo especialmente com a carne de búfalo.
O governo indonésio tem se preparado para um déficit global de carne bovina, antecipando-se ao cenário previsto para este ano. Contrapondo, no Brasil, a produção deve se manter estável em cerca de 40 milhões de cabeças, conforme estimativas da Abiec.
A relação comercial entre Brasil e Indonésia mostra sinais de crescimento. Conforme dados do ComexStat, do MDIC, as exportações de carne bovina do Brasil cresceram em média 176% em volume e 145,5% em valor em 2025 comparado a 2024.
Desde 2020 até 2025, o Brasil viu suas exportações de carne bovina para a Indonésia aumentarem 681,6% em volume e 732,4% em valor. Fernando Iglesias, economista e analista da Safras & Mercado, destaca a importância de diversificar mercados para reduzir a dependência do mercado chinês: "A Indonésia é um mercado promissor para o Brasil, especialmente no contexto de diversificação de destinos de exportação de carne bovina".
Com uma cota de importação de 188 mil toneladas, a Indonésia figura como um mercado estratégico, onde o Brasil se destaca como um dos principais exportadores, especialmente no comércio de gado em pé.
Do ponto de vista dos preços, a carne bovina direcionada à Indonésia tem uma média de US$ 4,26 mil por tonelada, em comparação com os US$ 5,36 mil negociados com a China, de acordo com dados da Safras & Mercado.
Mesmo com o crescimento, a carne bovina representa apenas 3,2% dos produtos exportados pelo Brasil para a Indonésia, ficando atrás de itens como farelo de soja, açúcares e melaços, óleos brutos de petróleo, algodão bruto, e tabaco.
Em 16º lugar entre os mercados consumidores de produtos brasileiros, a Indonésia possui 1,19% de participação no total exportado pelo Brasil, mostrando sua relevância crescente.

A proibição da União Europeia a produtos brasileiros de carne bovina e mel entra em vigor em 3 de setembro, com base em alegações de monitoramento insuficiente de antimicrobianos. Exportações de carne e mel orgânico para o bloco registraram altas recentes, mas o cenário futuro torna-se incerto.
Após a expansão do ecossistema de inovação voltado ao agronegócio, o mercado de fusões e aquisições envolvendo agtechs caminha para uma etapa mais seletiva. Com investidores e compradores cada vez mais atentos à geração de valor, empresas capazes de comprovar resultados operacionais, escalabilidade e maturidade de gestão tendem a concentrar as oportunidades de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, de acordo com Camila Perez, líder de M&A da Galapos, a expectativa é que 2026 seja marcado por operações mais qualificadas, com foco em ativos que combinem tecnologia validada, base de clientes consistente, governança madura e capacidade comprovada de gerar vantagem competitiva no campo.

Produzir mais, preservando os recursos naturais e reduzindo a vulnerabilidade às mudanças climáticas, deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma estratégia de sobrevivência no agronegócio. Essa necessidade acelerou a busca por sistemas produtivos mais resilientes.
Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há 60 anos, a Netafim é pioneira e líder mundial em soluções para irrigação. Com atuação em mais de 110 países, chegou ao Brasil na década de 1990, com um portfólio completo de produtos e soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, que visam contribuir com o eficiente uso da água, aumentando a produtividade na agricultura e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural.
A construção de uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas e capaz de gerar valor para toda a cadeia produtiva passa, cada vez mais, pela atuação conjunta entre empresas, instituições financeiras e produtores rurais. Foi com esse objetivo que a BB Seguros sediou, na última semana, o encontro "Agricultura Regenerativa em Pauta: Valor, Métricas e Mercado", promovido pelo Consórcio Reg.IA, primeiro consórcio de agricultura regenerativa da América Latina, liderado pela Produzindo Certo, empresa que conecta produtores rurais a empresas comprometidas com a sustentabilidade.