
Os preços internos da soja registraram um recuo significativo na última semana, impulsionados por fatores econômicos e agrícolas. A desvalorização do dólar frente ao real é apontada como o principal elemento desta queda, afetando diretamente a competitividade da soja brasileira no cenário global. Esta análise é corroborada por um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.
Além do câmbio, o mercado da soja observa cautelosamente o andamento da temporada 2024/25, marcada pela previsão de uma safra recorde no Brasil. Esta expectativa gera um comportamento conservador entre os compradores, que preferem aguardar o avanço da colheita antes de efetuar novas aquisições. Como efeito, os prêmios de exportação têm sofrido desvalorização, contribuindo ainda mais para a pressão sobre o mercado interno.
De acordo com dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até o dia 17 de janeiro, cerca de 3,2% da área nacional destinada à soja já havia sido colhida. Este percentual é significativamente maior em comparação ao mesmo período da safra anterior, quando o índice era de apenas 1,2%. O progresso inicial reforça a percepção de uma oferta abundante nos próximos meses, situação que exige atenção e seletividade por parte dos compradores no mercado doméstico.
A combinação de câmbio desfavorável para exportações e uma safra volumosa colocou a soja em um período de ajustes. Produtores monitoram de perto o comportamento dos preços para determinar o melhor momento de comercialização. Ao mesmo tempo, o mercado está em alerta, ajustando expectativas diante da possibilidade de um ciclo com números históricos.
Os participantes do setor agrícola, seja no âmbito nacional ou internacional, mantêm um olhar vigilante sobre as movimentações econômicas e climáticas que possam afetar a colheita e a competitividade da soja brasileira. Enquanto isso, as dinâmicas de mercado seguem complexas, exigindo uma análise meticulosa por parte de todos os envolvidos.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.