
A fintech brasileira PicPay, controlada pela família Batista, entra para a história ao se tornar a primeira empresa do país a abrir capital desde 2021. A empresa anunciou a realização de sua oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos, prevista para 29 de janeiro, com listagem na Nasdaq sob o código “PICS”. Com isso, a PicPay retoma a rotina de ofertas de ações, interrompida por um longo período de inatividade nos mercados, tanto no Brasil quanto no exterior.
A abertura de capital vem após um projeto anterior abortado em 2021, devido às condições adversas do mercado. No entanto, agora, a fintech retorna mais madura e com maior credibilidade junto aos investidores internacionais. Este movimento reacende a discussão sobre as vantagens e os desafios enfrentados por empresas brasileiras que optam pela listagem em bolsas como a Nyse e a Nasdaq.
Nos últimos anos, muitas empresas brasileiras de diferentes setores passaram a considerar de forma mais dedicada a possibilidade de listar suas ações fora do país. Isso pode acontecer por meio de dupla listagem ou um IPO exclusivo no exterior. O ambiente econômico nacional desempenha um papel crucial nessa decisão. Desde 2022, o mercado acionário brasileiro vem enfrentando liquidez reduzida, altos juros e forte competição da renda fixa.
De acordo com Vinícius Carmona, diretor de relações com investidores do BR Partners, a busca por investidores internacionais está diretamente associada com as condições desafiadoras do mercado doméstico. “A Selic alta abriu rachaduras profundas no mercado de ações, desviando recursos para a renda fixa e deixando as ações das empresas em níveis considerados baixos", afirma.
Para as empresas, listar em um mercado tão profundo quanto o americano amplia o espectro de investidores. As bolsas dos Estados Unidos são conhecidas por sua vasta base de investidores institucionais e gestores focados em estratégias de longo prazo. Isso se mostra vantajoso, especialmente para empresas classificadas como small caps ou em crescimento.
Não se trata apenas de ampliar o acesso ao capital, mas também de reduzir o custo de capital e melhorar o valuation. Gustavo Secaf Rebello, do Machado Meyer, destaca que “Assumir os Estados Unidos como principal praça tende a ampliar o acesso a financiamento e a reduzir o custo de capital”. Da mesma forma, o especialista em negócios internacionais Daniel Toledo pontua que o mercado americano é o mais sofisticado do mundo, atraindo capital mais eficiente e confiável.
A listagem nos Estados Unidos também implica desafios. Manter uma empresa listada nas bolsas americanas requer investimento e estrutura significativos. “A exigência de divulgação de informações é contínua. Fatos relevantes, resultados e riscos materiais precisam ser comunicados com precisão”, afirma Toledo.
Outro ponto crucial é a relação com reguladores como a SEC. Essa interação precisa ser técnica e formal, como ressalta Rebello: “Não há espaço para informalidade. Tudo precisa estar documentado e alinhado com padrões objetivos”.
Nos Estados Unidos, os acionistas minoritários são agentes ativos de fiscalização. Eles questionam decisões estratégicas, remuneração de executivos e transações com partes relacionadas, utilizando ações judiciais quando necessário. “Esse tipo de atuação é parte do ecossistema”, explica Toledo.
Para Carmona, manter a credibilidade com esses investidores é essencial para evitar a perda de liquidez e capital. “Se o IPO queima e o papel perde liquidez, você fecha um importante canal de captação”, alerta.
O IPO da PicPay acontece num contexto de crescente internacionalização das empresas brasileiras, sem representar um risco direto ao mercado doméstico. Especialistas concordam que o Brasil ainda segue crucial para empresas de médio porte e setores focados no mercado interno.
Entretanto, para organizações com metas globais, Wall Street permanece um destino atraente. Segundo Toledo, a busca por previsibilidade e confiança continua a levar o capital brasileiro em direção a novos horizontes, mesmo que isso signifique atravessar fronteiras.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.