
Os produtores de soja do Brasil iniciaram a colheita de uma safra histórica, que promete ser a maior já registrada no país. No entanto, a comercialização do grão está lenta, refletindo as preocupações com os preços baixos causados por uma oferta abundante, o que pode comprometer as margens de lucro dos agricultores.
Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, relatou que até o momento apenas 30,3% da produção foi vendida. Este índice é inferior ao observado no mesmo período de 2025, que era de 39%, e à média dos últimos cinco anos, que é de 41,1%. A queda no preço da saca de soja em até R$ 10 em algumas regiões, como Mato Grosso, tem deixado muitos produtores no vermelho.
Silveira explica que não há sinais de que as vendas se recuperem, dado que os preços devem continuar em baixa devido ao aumento da oferta brasileira prevista pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima uma produção de 176,12 milhões de toneladas, superando em 2,7% o ciclo anterior.
A consultoria Hedgepoint Global Markets também destaca que as vendas estão atrasadas, situando-se em 30% comparado à média histórica de 41%. Segundo Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de mercado da consultoria, o atraso se deve a estratégias que não se mostraram eficazes, com expectativa de um leve aumento nas vendas entre abril e maio para cobrir compromissos financeiros.
Ale Delara, sócio da Pine Agronegócios, comenta que os produtores basearam suas decisões na conjuntura do ano anterior, quando os preços eram mais favoráveis devido à tensão nas discussões comerciais internacionais. Contudo, neste ano, sem fatores novos para impulsionar preços, a venda de 2025/26 alcançou apenas 30%, inferior aos 39,6% de um ano atrás.
O avanço na colheita deve aumentar a pressão sobre os preços, limitando ainda mais o entusiasmo dos produtores em vender. Esse cenário é agravado pelo aumento nos custos de armazenamento, à medida que mais soja entra no mercado sem armazéns suficientes para estocá-la adequadamente.
Com as margens de lucro sob pressão e as estratégias comerciais em cheque, o setor agrícola brasileiro aguarda por um alívio nos preços ou por novos desenvolvimentos no mercado que possam favorecer uma recuperação nas vendas.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.