
Em um dia de campo realizado em meio a uma lavoura de milho safrinha, o especialista Fábio Christovam, da RouteLife & AgroShield Seguros, detalhou como o seguro agrícola vem se consolidando como um instrumento estratégico para dar previsibilidade financeira ao produtor rural diante de eventos climáticos cada vez mais severos e imprevisíveis.
Segundo Christovam, o cenário considerado ideal para culturas como milho, soja e trigo começa muito antes da semeadura: envolve planejamento antecipado e organização para contratação do seguro no momento mais adequado. Na prática, isso significa procurar uma corretora com meses de antecedência para aumentar as chances de acesso à subvenção governamental, mecanismo que pode reduzir o custo final do seguro para o agricultor.
O especialista explicou que a subvenção — disponível em esferas federal e, em alguns casos, estadual — ajuda a custear parte do valor pago pelo produtor na apólice. Com isso, a contratação tende a ficar mais viável, especialmente em safras marcadas por volatilidade de custos, riscos meteorológicos e margens apertadas.
Embora a contratação do seguro após o plantio ainda possa ser possível, Christovam ressaltou que, nesses casos, há maior dependência de análise técnica e da aceitação da seguradora. A recomendação, portanto, é antecipar decisões para ampliar alternativas e garantir condições mais adequadas ao perfil de risco de cada lavoura.
Destaque: contratar o seguro antes do plantio pode abrir acesso a uma cobertura crucial: replantio.
Entre os pontos mais enfatizados, está a vantagem do seguro contratado antes do plantio: a cobertura de replantio. De acordo com Christovam, quando ocorre excesso de chuva ou outra condição que comprometa a emergência das plantas logo após a semeadura, a apólice pode cobrir os custos para que o produtor refaça o plantio, reduzindo perdas imediatas e evitando um impacto maior na janela de cultivo.
Na prática, esse tipo de cobertura é especialmente relevante em momentos em que a operação agrícola depende de decisões rápidas e em que atrasos podem resultar em menor potencial produtivo. Em culturas como o milho safrinha, o tempo é um fator decisivo para a produtividade, e a possibilidade de replantio com respaldo do seguro pode representar diferença importante no resultado da safra.
O seguro agrícola, conforme descrito pelo especialista, opera por estágios ao longo do ciclo da cultura. Até que a planta atinja aproximadamente 15 centímetros, a prioridade é o replantio. Depois desse marco, passa a valer a chamada cobertura básica, voltada à proteção contra eventos climáticos severos.
Fase da lavoura Foco da cobertura Objetivo Início do ciclo (até cerca de 15 cm) Replantio Cobrir custos para refazer o plantio em caso de falha de emergência Após o estabelecimento da cultura Cobertura básica Proteger contra perdas causadas por eventos climáticos severos
Para o produtor, compreender esse funcionamento por etapas é essencial para alinhar expectativa e realidade sobre o que a apólice cobre em cada momento. Christovam pontuou que a contratação adequada depende tanto do calendário agrícola quanto do histórico de risco da região e da estratégia de manejo adotada.
Em situações de sinistro, o processo envolve acionamento técnico e validações em etapas. A orientação é solicitar a presença de um perito para realização de um laudo inicial. Posteriormente, durante a colheita, a perícia retorna para conferir a produtividade obtida e verificar se houve quebra em relação ao que foi estabelecido na apólice.
Caso a produtividade registrada fique abaixo do nível garantido no contrato, o produtor pode receber indenização referente à diferença de sacas. O cálculo leva em conta o preço travado no contrato e a área segurada, medida em hectares. A lógica é compensar parte do impacto financeiro da quebra, oferecendo maior estabilidade ao fluxo de caixa e ajudando na continuidade do negócio rural.
Etapa 1: registro e vistoria com perito para laudo inicial.
Etapa 2: nova verificação na colheita para validar a produtividade.
Etapa 3: se houver quebra abaixo do garantido, cálculo da indenização por diferença de sacas, considerando preço e área.
Além do seguro voltado às culturas, a RouteLife Seguros destacou ter um portfólio que abrange diferentes frentes do ecossistema do agronegócio. Entre os itens que podem ser protegidos estão maquinários agrícolas, barracões e estruturas como silos, além de bens ligados à rotina do produtor.
A corretora também citou que já há movimentação para contratações relacionadas à safra de trigo, reforçando a importância de planejamento por cultura e por janela de plantio. Em um contexto de crescente demanda por gestão de risco, a diversificação das coberturas é vista como uma forma de reduzir vulnerabilidades do sistema produtivo.
Christovam afirmou que a equipe realiza visitas técnicas diretamente nas propriedades para apresentar cotações personalizadas, alinhadas ao cenário de cada produtor. A proposta, segundo ele, é unir comodidade e análise mais próxima da realidade do campo, considerando variáveis como tipo de cultura, histórico climático e objetivo de proteção financeira.
Em um momento em que o produtor rural precisa equilibrar produtividade, custos e incertezas, o seguro agrícola tem ganhado espaço como componente relevante de planejamento e gestão de risco. A orientação principal reforçada no encontro foi clara: antecipar a contratação pode ampliar acesso a benefícios, melhorar coberturas e fortalecer a estabilidade do negócio ao longo da safra.

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