
Feira em Ribeirão Preto (SP) movimentou R$ 11,4 bilhões em negociações e repetiu o público de 197 mil visitantes, segundo a organização. Juros altos, câmbio e queda nas commodities explicam recuo.
A Agrishow, uma das principais vitrines de tecnologia agrícola e máquinas para o agronegócio no Brasil, encerrou sua edição mais recente em Ribeirão Preto (SP) com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios. O resultado representa uma queda relevante em relação ao ano anterior, quando o evento havia registrado montantes superiores, refletindo um cenário de maior apetite por investimentos.
Apesar de expositores relatarem a sensação de corredores mais vazios em alguns momentos, a organização informou que o público registrado foi de 197 mil visitantes, número igual ao do ano passado. A avaliação de parte das empresas, porém, é que os visitantes desta edição apresentaram um perfil mais objetivo e focado em fechar compras, com negociações em estágio avançado.
Em entrevista coletiva, dirigentes ligados à feira e ao setor de máquinas agrícolas atribuíram o recuo nas intenções de negócios principalmente às condições macroeconômicas que vêm limitando crédito e investimentos no campo. Entre os fatores apontados estão:
Juros elevados, que encarecem o financiamento de máquinas e equipamentos;
Commodities em patamar menos favorável, com impacto na renda do produtor;
Variação cambial, que altera custos e expectativas do mercado;
Inadimplência e maior seletividade na concessão de crédito;
Incertezas internacionais, com reflexos na decisão de compra e na cautela do produtor.
De acordo com representantes do setor, a retração observada na feira acompanha o desempenho do mercado no início do ano, especialmente no segmento de máquinas agrícolas. Houve indicação de queda próxima a 20% no primeiro trimestre na comparação anual, mostrando que o recuo na Agrishow não foi um evento isolado, mas parte de um movimento mais amplo.
Uma leitura recorrente entre expositores foi a de que, mesmo com a percepção de menor circulação em estandes, houve maior proporção de visitantes com interesse direto em investir. Em várias empresas, a estratégia foi aproveitar as condições comerciais do evento para concluir negociações já encaminhadas.
Avaliações de expositores indicam que o público esteve mais qualificado, com objetivos claros e foco em fechar negócios iniciados antes da feira.
Essa mudança no perfil pode explicar por que alguns segmentos conseguiram atingir metas, mesmo em um ambiente geral de cautela. Em especial, a cafeicultura apareceu como um dos motores para empresas com produtos voltados à renovação e mecanização de lavouras.
Entre os casos citados no balanço do evento, uma fabricante de trituradores voltou à feira após anos e relatou desempenho acima do esperado: foram 31 máquinas vendidas, além de outras negociações em estágio avançado. Segundo a empresa, o resultado superou em múltiplos a meta inicial e acelerou planos para ampliar presença na próxima edição.
Outra avaliação de expositor foi a de que, mesmo com metas atingidas, a pressão sobre margens foi maior. O ambiente competitivo, somado ao orçamento mais apertado no campo, fez parte das empresas trabalharem com condições especiais para viabilizar a decisão de compra.
Também houve relatos de lançamentos direcionados à agricultura familiar e de aumento de contatos comerciais com visitantes de diferentes regiões do país, reforçando a importância do evento como ponto de encontro para negócios e prospecção.
O desempenho da Agrishow ocorre em um contexto em que outras grandes feiras do agronegócio também registraram desaceleração nas negociações. O movimento reforça a interpretação de que o setor atravessa um período de transição, no qual o produtor mantém interesse por tecnologia, mas toma decisões de investimento com maior prudência.
Ainda assim, instituições financeiras presentes no evento reportaram volume expressivo de propostas, distribuídas entre máquinas, armazenagem, irrigação, tecnologia e custeio. A leitura do mercado é que existe demanda, mas o ritmo de contratação depende de condições de crédito e de taxa de juros competitiva.
Durante o evento, foi citado um programa de financiamento anunciado pelo governo, com recursos bilionários voltados ao setor. No entanto, dirigentes da feira destacaram que a operacionalização ainda não havia começado durante a Agrishow, o que pode ter reduzido a capacidade de fechamento imediato de negócios por parte de produtores que dependem de crédito.
A expectativa do setor é que, com a entrada em vigor dessa linha e a definição de taxas, parte da demanda represada possa se converter em compras no pós-feira. Expositores afirmam que a Agrishow, além de gerar intenções de negócios dentro do evento, costuma ter efeitos prolongados nas semanas seguintes, com contratos fechados após novas rodadas de negociação.
Dados setoriais mencionados durante o balanço apontam que, no acumulado do primeiro trimestre, houve queda nas vendas de tratores e um recuo ainda mais forte nas colheitadeiras. O desempenho reforça o diagnóstico de que o produtor está mais seletivo, priorizando investimentos essenciais e buscando melhores condições para compras de maior valor.
Destaque: mesmo com retração no volume total, empresas relataram aumento de qualidade nos leads e maior taxa de conversão em nichos específicos, como o café.
Indicador Resultado Intenções de negócios R$ 11,4 bilhões Variação em relação ao ano anterior Queda superior a 20% Público 197 mil visitantes Próxima edição (datas) 26 a 30 de maio
A organização já confirmou a realização da próxima edição e reforçou a importância da feira para a indústria de máquinas e para produtores interessados em modernização. A avaliação geral é que a Agrishow segue como termômetro do setor: quando o crédito aperta e a renda do produtor cai, a intenção de compra diminui; quando as condições melhoram, a feira volta a acelerar investimentos.
Para o mercado, o foco agora está em como juros, câmbio e preços das commodities vão se comportar nos próximos meses. Com maior previsibilidade, empresas esperam um ambiente mais favorável para que produtores retomem projetos de mecanização, armazenagem e irrigação — áreas consideradas estratégicas para produtividade e competitividade no agronegócio.

Criado em 2018 pela Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), o Prêmio Mulheres do Agro (PMA) reconhece e valoriza o protagonismo feminino no agronegócio brasileiro. A iniciativa destaca produtoras rurais, pesquisadoras e cientistas que desenvolvem práticas inovadoras, sustentáveis e de impacto social no setor.

O texto celebra a participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos em feiras internacionais — Hannover Messe, Feimec e Agrishow — destacando que esses eventos vão além da exposição, funcionando como palcos onde a engenharia se materializa por meio de protótipos, demonstrações e negócios capazes de redefinir setores. A Hannover Messe é apresentada como um dos principais termômetros da indústria global, reunindo visitantes de diversos continentes e setores como automação, energia, digitalização e engenharia de precisão, promovendo parcerias estratégicas e a convergência entre inovação e negócios. O Brasil é retratado como capaz de atuar em feiras de nível internacional, promovendo soluções tecnológicas competitivas, não apenas na Europa ou na Ásia, mas....

A Bahia Farm Show chega à sua 20ª edição, de 8 a 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães (Oeste da Bahia). Com o lema “Somos um só”, a feira reforça a importância do agronegócio regional, que responde por cerca de 14% do PIB da Bahia e movimenta cerca de R$ 40 bilhões na economia local. Dados da Aiba apontam que o Oeste produz entre 9 e 10 milhões de toneladas de grãos por ano (89% da produção estadual) e 96% da produção de algodão, com 843 mil toneladas em pluma. A região, que abrange Barreiras, São Desidério e Formosa do Rio Preto, ocupa 171 mil km² e abriga quase 1 milhão de habitantes; muitos moradores são migrantes do Sul que chegaram na década de 1970/1980 em busca de oportunidades no Cerrado.

O 18º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu fiscais estaduais agropecuários de diferentes regionais da Seapi para discutir sanidade, produção, reprodução e gestão na suinocultura brasileira. O evento, que se encerrou em 21 de maio no Centro de Eventos da PUCRS, teve como objetivo ampliar a qualificação técnica dos profissionais da defesa sanitária. Gustavo Diehl, fiscal estadual agropecuário e coordenador do Programa de Sanidade Suína da Seapi, destacou que a participação em eventos técnicos é uma excelente oportunidade de qualificação para enfrentar desafios sanitários e aprimorar o atendimento às demandas da cadeia produtiva de suínos.

Resumo executivo: - A Rondônia Rural Show Internacional (RRSI) chega à 13ª edição, em Ji-Paraná, de 25 a 30 de maio, consolidando-se como uma das maiores feiras do agronegócio da Região Norte, reunindo produtores e investidores de diversas regiões do país. -