
O mercado da soja no Brasil iniciou esta semana sob significativa pressão, influenciado pela desvalorização do dólar em relação ao real e pelas expectativas de uma safra recorde no país. Esses fatores resultaram em uma redução da competitividade do grão brasileiro nos mercados internacionais. De acordo com um levantamento recente do Cepea, a combinação dessas variáveis tem levado a uma retração nos preços internos e à redução dos prêmios de exportação.
Dados da Conab indicam que, até 17 de janeiro, cerca de 3,2% da área nacional de soja já havia sido colhida, um aumento significativo em relação ao 1,2% registrado no mesmo período do ano anterior. Esse cenário de aumento na colheita tem levado os compradores a uma postura cautelosa, postergando novas aquisições à espera de ajustes no preço, em consequência do aumento da oferta.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros da soja começaram a semana com leves altas, entre 3,75 e 4,75 pontos, resultando no vencimento de março a US$ 10,72 e o de maio a US$ 10,83 por bushel. Este movimento reflete ajustes técnicos após quedas recentes e um reposicionamento dos fundos financeiros, considerando o panorama macroeconômico global. O mercado se depara com um dólar enfraquecido internacionalmente, um avanço significativo da colheita no Brasil e uma demanda ainda robusta pela soja norte-americana. Concorrendo com essa dinâmica, a alta do ouro além dos US$ 5.000 por onça alerta investidores que procuram proteção contra incertezas e a volatilidade do mercado.
O mercado físico da soja no Brasil apresenta um comportamento heterogêneo, com variações de preço influenciadas pelas peculiaridades específicas de cada região e pelos desafios logísticos:
Esta variação de preços entre estados destaca os desafios logísticos e de escoamento, especialmente nas regiões centrais do país, onde o transporte e os custos de frete continuam a pressionar as margens dos produtores.
O mercado de milho também passou recentemente por ajustes técnicos após forte oscilação de preços. A consultoria TF Agroeconômica destaca que o mercado continua apresentando baixa liquidez e um impasse entre compradores e vendedores, necessitando de atenção redobrada dos agentes do mercado. Na Bolsa de Chicago, os preços encerraram a semana em alta, sustentados por uma recuperação das exportações norte-americanas. Segundo dados do USDA, as vendas externas de 4,01 milhões de toneladas entre 9 e 15 de janeiro representam o maior volume semanal da safra 2025/26 até o momento. Ao todo, 56,05 milhões de toneladas foram exportadas, uma alta de 33,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O clima seco na Argentina, que piorou a condição das lavouras, adicionou prêmios climáticos aos preços. No entanto, a valorização do real frente ao dólar está impactando negativamente a competitividade das exportações brasileiras, limitando o suporte aos preços em Chicago. Ademais, a ausência de liberação da venda de E15 nos EUA limita o consumo do cereal, enquanto as expectativas de uma safra recorde nos EUA ainda impõem um viés baixista no médio prazo.
Com o avanço da colheita no Brasil e a volatilidade cambial, o início de 2026 apresenta-se como um período de transição para o setor do agronegócio. Os produtores devem manter o foco na gestão de custos e em estratégias de comercialização, enfrentando as incertezas macroeconômicas e climáticas que continuam a influenciar os preços das commodities agrícolas.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.