
O agronegócio brasileiro, que contribui significativamente para o PIB nacional, enfrenta um desafio crítico: a baixa previsibilidade de receita em suas operações. Estimativas indicam que o setor será responsável por cerca de 29,4% do PIB em 2025, mas a falta de integração e previsibilidade de dados coloca em risco esse potencial de crescimento.
Desafios na transformação de dados em decisões estratégicas
Apesar da crescente adoção de tecnologias e sistemas de gestão, muitas empresas ainda têm dificuldade em transformar dados em decisões estratégicas confiáveis. Isso compromete não apenas o planejamento financeiro, mas também a eficiência comercial e a sustentabilidade do crescimento a longo prazo. A causa principal dessa dificuldade é a falta de integração entre diferentes setores e informações, resultando em decisões baseadas em estimativas frágeis.
Tecnologia não é a solução única: governança e processos são cruciais
De acordo com especialistas, o uso de ferramentas digitais, como ERPs e CRMs, não resolve o problema sem uma governança de dados e disciplina operacional adequadas. Pesquisas indicam que uma parcela significativa das empresas ainda enfrenta dificuldades com dados inconsistentes ou conflitantes, o que impede a geração de previsões de receita confiáveis.
Exemplo de sucesso: RayQuímica e a reestruturação comercial
Um exemplo notável é a RayQuímica, empresa brasileira de nutrição animal e fertilizantes, que reestruturou sua área comercial em 10 meses. Essa mudança permitiu reativar mais de 100 clientes inativos e gerar mais de R$ 1 milhão em faturamento adicional. A empresa criou sua primeira área comercial estruturada, afastando-se da dependência de representantes externos e da falta de especialização em vendas.
A nova estratégia incluiu a implementação de uma área de pré-vendas especializada e a aplicação da Matriz RFV (Recência, Frequência e Valor) para análise da base de clientes. Essa abordagem resultou em 104 novas oportunidades comerciais, com uma taxa de conversão de 31,7% e um faturamento direto de R$ 579 mil pela nova área de pré-vendas.
Previsibilidade comercial como diferencial competitivo
Especialistas ressaltam que a previsibilidade de receita e a eficiência comercial se tornaram vantagens competitivas essenciais no agronegócio B2B. Casos como o da RayQuímica mostram que a estruturação adequada, governança e uso inteligente de dados podem levar a resultados expressivos e sustentáveis.
O papel da tecnologia e da inteligência artificial
Embora a tecnologia seja vista como aliada dos processos, seu papel é apoiar processos bem definidos e não atuar como solução única. A RayQuímica planeja implementar inteligência artificial em suas operações para otimizar decisões e automatizar tarefas, ampliando a eficiência.
Em tempos de margens mais estreitas, custos crescentes e competição acirrada, a previsibilidade e eficiência comerciais são essenciais para alcançar e manter o sucesso no agronegócio. Assim, a integração eficaz de dados e uma abordagem estruturada de governança são fundamentais.

A proibição da União Europeia a produtos brasileiros de carne bovina e mel entra em vigor em 3 de setembro, com base em alegações de monitoramento insuficiente de antimicrobianos. Exportações de carne e mel orgânico para o bloco registraram altas recentes, mas o cenário futuro torna-se incerto.
Após a expansão do ecossistema de inovação voltado ao agronegócio, o mercado de fusões e aquisições envolvendo agtechs caminha para uma etapa mais seletiva. Com investidores e compradores cada vez mais atentos à geração de valor, empresas capazes de comprovar resultados operacionais, escalabilidade e maturidade de gestão tendem a concentrar as oportunidades de negócios nos próximos anos. Nesse cenário, de acordo com Camila Perez, líder de M&A da Galapos, a expectativa é que 2026 seja marcado por operações mais qualificadas, com foco em ativos que combinem tecnologia validada, base de clientes consistente, governança madura e capacidade comprovada de gerar vantagem competitiva no campo.

Produzir mais, preservando os recursos naturais e reduzindo a vulnerabilidade às mudanças climáticas, deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma estratégia de sobrevivência no agronegócio. Essa necessidade acelerou a busca por sistemas produtivos mais resilientes.
Fundada em um pequeno kibbutz em Israel há 60 anos, a Netafim é pioneira e líder mundial em soluções para irrigação. Com atuação em mais de 110 países, chegou ao Brasil na década de 1990, com um portfólio completo de produtos e soluções inovadoras de irrigação por gotejamento, que visam contribuir com o eficiente uso da água, aumentando a produtividade na agricultura e trazendo mais tranquilidade ao produtor rural.
A construção de uma agricultura mais resiliente às mudanças climáticas e capaz de gerar valor para toda a cadeia produtiva passa, cada vez mais, pela atuação conjunta entre empresas, instituições financeiras e produtores rurais. Foi com esse objetivo que a BB Seguros sediou, na última semana, o encontro "Agricultura Regenerativa em Pauta: Valor, Métricas e Mercado", promovido pelo Consórcio Reg.IA, primeiro consórcio de agricultura regenerativa da América Latina, liderado pela Produzindo Certo, empresa que conecta produtores rurais a empresas comprometidas com a sustentabilidade.