
São Paulo comemora mais um ano como a principal engrenagem do agronegócio no Brasil. Apesar de não abrigar lavouras nem rebanhos, a cidade, que celebrou 472 anos, concentra decisões financeiras, logísticas, tecnológicas e institucionais cruciais para a produção rural do interior paulista e de outras regiões do país, segundo análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Fundada em 1554, São Paulo se estruturou com base no abastecimento agrícola. A produção de cana-de-açúcar, café e pecuária contribuiu para a formação de capitais e infraestrutura, conforme estudos do IBGE e do Instituto de Economia Agrícola (IEA-SP). Ao longo do século 20, a cidade passou de produtora direta a coordenadora econômica do setor, alinhando-se à industrialização, urbanização e ao crescimento de serviços financeiros e logísticos.
Atualmente, São Paulo é sede de multinacionais de alimentos, insumos, genética, trading e bioenergia. A metrópole se destaca como polo de bancos, seguradoras, gestoras de recursos e fundos especializados em financiamento agropecuário. Decisões sobre investimento agrícola, logística, tecnologia e sustentabilidade são tomadas em escritórios localizados em seus principais eixos urbanos.
A lógica que une São Paulo ao agronegócio depende do capital. O elo físico se dá pelo Porto de Santos, o maior da América Latina, que lida com a exportação de diversos produtos agrícolas. Diariamente, a logística agroexportadora atravessa a Região Metropolitana por meio de rodovias e ferrovias.
São Paulo influência padrões de consumo que impactam diretamente o campo. A cidade promove a demanda por produtos orgânicos, rastreabilidade, certificações ambientais, proteínas premium e alimentos plant-based. Além disso, o agronegócio urbano e periurbano crescem em relevância estratégica.
São Paulo é um núcleo de inovação agropecuária, com agtechs, foodtechs e healthtechs operando na cidade. Universidades e centros de pesquisa conectam ciência e produção agrícola, fornecendo dados, genética e biotecnologia que chegam ao campo.
Na cidade, são discutidos padrões de ESG, metas climáticas e rastreabilidade para atender mercados internacionais. Demandas por meio de investidores e auditorias pressionam empresas do agro a estruturar práticas compatíveis com padrões globais.
Eventos e feiras internacionais de agronegócio encontram em São Paulo sua principal vitrine, aproximando investidores estrangeiros do agronegócio brasileiro. Embora a cidade não cultive soja ou crie gado, desempenha um papel fundamental na determinação de como o setor crescerá.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.