
Modernização do Trabalho Rural em 2026: CNA defende contrato de safra, leis específicas e formalização
A CNA apresentou ao Congresso, por meio de documento entregue à Frente Parlamentar da Agropecuária, a necessidade de 2026 ser marcada pela modernização das relações trabalhistas no campo, com foco na formalização da contratação sazonal mantendo benefícios sociais.
CNA pede ao Congresso modernização das relações de trabalho no campo e defende ajustes em saúde, segurança e Previdência
Brasília — A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) entregou ao Congresso Nacional, na quarta-feira (11), um documento solicitando que deputados e senadores ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) priorizem, em 2026, a tramitação de propostas voltadas à modernização das condições de trabalho no campo. A entidade argumenta que a legislação atual não reflete adequadamente a dinâmica rural, marcada por sazonalidade, variações climáticas e particularidades produtivas que diferem do ambiente urbano.
Segundo a CNA, o ano de 2026 exigirá cautela diante de um cenário de crescimento econômico moderado, juros elevados e restrição de crédito. Nesse contexto, a confederação sustenta que mudanças legais podem contribuir para dar segurança jurídica ao produtor, estimular a formalização do emprego rural e preservar direitos sociais dos trabalhadores.
“A agenda para 2026 prioriza temas fundamentais para a modernização das relações laborais no campo, focando especialmente no estímulo à formalização do contrato de trabalho sazonal com a garantia da manutenção dos benefícios sociais, trazendo tranquilidade ao trabalhador e segurança ao empregador”, afirma a CNA no documento.
Por que a CNA quer mudanças nas regras de trabalho rural
O material apresentado pela confederação dedica um capítulo às relações trabalhistas e à Previdência, destacando que a gestão desses temas é considerada estratégica para a sustentabilidade e a competitividade do produtor rural em 2026. Para a entidade, a legislação atual, ao aplicar parâmetros concebidos para a realidade urbana, pode gerar interpretações e exigências incompatíveis com o cotidiano do campo — sobretudo em períodos de colheita, plantio e atividades intensivas que dependem do clima.
Entre os pontos centrais, a CNA propõe reforçar mecanismos de contratação compatíveis com a safra, aprimorar regras de saúde e segurança do trabalho, revisar entendimentos sobre equipamentos de proteção e ajustar critérios previdenciários relacionados ao pequeno produtor. A confederação também se posiciona contra iniciativas que, em sua avaliação, aumentariam custos e judicialização.
Principais propostas defendidas pela CNA para 2026
1) Modernização e formalização do trabalho
O eixo de modernização trabalhista é apresentado como prioridade, com foco especial na formalização do trabalho sazonal — o chamado trabalho safrista. A CNA defende que a contratação temporária para colheitas e picos de demanda seja estimulada por meio de regras claras e compatíveis com a realidade do campo.
Trabalho safrista (PL 715/2023 e PL 299/2025): a CNA apoia textos que permitem ao trabalhador rural manter benefícios sociais enquanto exerce atividade temporária na colheita. A confederação afirma que o receio de perder auxílios pode contribuir para a informalidade e que a preservação desses benefícios durante contratos de safra ajudaria a ampliar a formalização.
Lei específica para o trabalho rural (PL 4.812/2025): a entidade apoia a criação de um marco legal próprio para o campo, com incentivo à negociação coletiva e regras específicas sobre jornada e remuneração. O objetivo, segundo o documento, é evitar a aplicação considerada inadequada de normas urbanas à atividade agrária.
Parceria agrícola (PL 3.097/2020): a CNA defende diferenciar com mais clareza contratos de parceria rural de vínculos de emprego, para reduzir interpretações equivocadas e disputas judiciais relacionadas ao tema.
2) Saúde e segurança do trabalho
Outro bloco de propostas trata de exigências relacionadas à saúde e segurança do trabalhador, especialmente em ambientes expostos a calor e frio. A CNA diz buscar racionalidade nas normas para que elas considerem as condições reais do trabalho a céu aberto e o uso de medidas de proteção adequadas.
Em destaque: a confederação sugere ajustes em regras de pausas térmicas e reforça a necessidade de reconhecimento técnico da eficácia dos EPIs.
Pausas térmicas (PDC 1.358/2013 e PL 2.363/2011): a CNA apoia proposta para afastar a obrigatoriedade de pausas por calor em atividades a céu aberto, restringindo a exigência a situações envolvendo fontes artificiais de calor. Também apoia delimitação do intervalo por frio apenas para quem trabalha exclusivamente em câmaras frigoríficas, evitando extensão automática a outras atividades.
Eficácia de EPIs (PL 1.363/2021): a entidade defende que, quando equipamentos de proteção individual neutralizam riscos (como ruído), isso deve afastar encargos previdenciários considerados indevidos e a concessão de aposentadoria especial em situações em que o risco tenha sido tecnicamente controlado.
3) Previdência e cotas
No campo previdenciário e de políticas de inclusão, a CNA aponta necessidade de adequações para reduzir distorções e tornar regras aplicáveis ao ambiente rural. A confederação sustenta que critérios atuais podem não capturar a realidade de propriedades com áreas extensas destinadas à preservação, por exemplo, ou criar barreiras operacionais para determinadas atividades.
Tema Proposta apoiada Objetivo declarado Segurado especial PL 3.833/2023 Considerar a área aproveitável da propriedade, e não a área total, no enquadramento previdenciário do pequeno produtor, evitando erros em imóveis com grandes áreas preservadas. Cota para PcD PL 1.231/2015 Excluir atividades insalubres ou perigosas da base de cálculo da cota, considerando dificuldades operacionais no meio rural.
Posicionamento contrário: adicional de penosidade
Além das pautas defendidas, o documento registra um posicionamento contrário a um projeto que trata de adicional de penosidade (PL 3.694/2019). Segundo a CNA, a proposta utiliza conceitos considerados subjetivos, o que poderia elevar custos, aumentar a litigiosidade e comprometer a sustentabilidade das atividades no campo.
O que a CNA espera do Congresso em 2026
Ao solicitar que a FPA priorize a tramitação desses textos, a CNA busca consolidar uma agenda legislativa que, na avaliação da entidade, combine proteção ao trabalhador com segurança jurídica para empregadores e produtores. A confederação sustenta que a formalização de vínculos sazonais com preservação de benefícios sociais pode reduzir a informalidade, enquanto ajustes em normas térmicas e reconhecimento técnico de EPIs podem dar previsibilidade a custos e obrigações.
Com a proximidade de um ano descrito pela entidade como desafiador do ponto de vista econômico e financeiro, a CNA tenta acelerar uma discussão que envolve direitos trabalhistas, regulação do trabalho rural e regras previdenciárias. A expectativa é que os parlamentares avancem na análise e votação das propostas ao longo de 2026.
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