
Milho em Santa Catarina deve alcançar 200,1 sacas/ha na safra 2025/26; Pinhalzinho, Cunha Porã e Guaraciaba lideram a produtividade no Extremo-Oeste
Resumo: O Extremo-Oeste de Santa Catarina deve ter uma das maiores produtividades de milho do país na safra 2025/26, com média estimada de 200,1 sacas/ha, segundo o Giro da Safra de São Miguel do Oeste, que avaliou 70 lavouras em 87 propriedades. Pinhalzinho (219,3 sacas/ha), Cunha Porã (216,4 sacas/ha) e Guaraciaba (215,1 sacas/ha) lideram a produtividade regional. Os dados, que serão apresentados a agricultores, cooperativas e representantes do setor, visam subsidiar políticas públicas e orientar práticas agrícolas mais eficientes; a iniciativa é resultado de parceria entre Epagri/Cepa e o Sicoob Central SC/RS, com a segunda etapa prevista para 25 de março em Campos Novos. Além disso, o texto destaca a importância estratégica do milho para SC e informa que, apesar da queda de área cultivada nos últimos dez anos (- ~30%, de 371 mil ha em 2015/16 para 258 mil ha em 2025/26), a produtividade tem registrado recordes, com 9.350 kg/ha em 2024/25, sendo Campo Erê o município com destaque (12.953 kg/ha).
Extremo-Oeste de Santa Catarina projeta uma das maiores produtividades de milho do Brasil na safra 2025/26
Levantamento preliminar do Giro da Safra indica média regional acima de 200 sacas por hectare e destaca o papel do manejo do solo e de práticas conservacionistas.
O Extremo-Oeste catarinense caminha para registrar uma das maiores produtividades de milho do país na safra 2025/26. Dados preliminares do Giro da Safra, apresentados em São Miguel do Oeste, apontam produtividade média estimada de 200,1 sacas por hectare na região.
O levantamento é resultado de uma parceria entre Epagri e Sicoob Central SC/RS e, até o momento, avaliou 70 lavouras. A iniciativa busca unir medições de campo e indicadores agronômicos para qualificar decisões de produtores, cooperativas e gestores públicos, com foco em eficiência produtiva e sustentabilidade.
Projeto mapeia propriedades em 12 municípios
O projeto contempla 87 propriedades rurais distribuídas em municípios do Extremo-Oeste e entorno, consolidando um retrato técnico da safra e ajudando a explicar os fatores que sustentam os altos rendimentos do milho em Santa Catarina.
Municípios incluídos no levantamento:
Belmonte
Caibi
Cunha Porã
Descanso
Dionísio Cerqueira
Guaraciaba
Iporã do Oeste
Maravilha
Palmitos
Pinhalzinho
São José do Cedro
Saudades
Pinhalzinho, Cunha Porã e Guaraciaba lideram a produtividade regional
Entre os municípios com melhor desempenho até aqui, Pinhalzinho aparece na frente, com produtividade estimada de 219,3 sacas/ha. Na sequência, estão Cunha Porã, com 216,4 sacas/ha, e Guaraciaba, com 215,1 sacas/ha.
Município Produtividade estimada Destaque Pinhalzinho 219,3 sacas/ha Liderança regional Cunha Porã 216,4 sacas/ha Alto desempenho Guaraciaba 215,1 sacas/ha Consistência produtiva
De acordo com Walmir Kretschmer, assistente de pesquisa da Epagri/Cepa, a consolidação dos dados será apresentada em encontros com agricultores, cooperativas e representantes do setor produtivo nas regiões de São Miguel do Oeste e Palmitos. A leitura técnica do cenário, segundo os organizadores, também pode servir como base para políticas públicas e para a adoção de práticas agrícolas mais eficientes.
Por que o milho é estratégico para Santa Catarina
A estimativa de produção ganha relevância porque o milho é um insumo central para a cadeia agroindustrial do estado, especialmente para a produção animal. O presidente da Epagri, Dirceu Leite, destacou que o Giro da Safra funciona como uma ferramenta importante para o planejamento do setor, já que as projeções orientam decisões de curto e médio prazo.
Com indicadores mais precisos, tanto o governo quanto o setor produtivo conseguem estruturar ações para fortalecer o cultivo do milho e reduzir a dependência de importações do grão — um ponto sensível para a competitividade de segmentos que dependem diretamente da ração.
“Nossas equipes têm conseguido ir a campo com mais frequência, levando informações precisas aos produtores e profissionais do agronegócio. Essa parceria entre grandes instituições de Santa Catarina fortalece a rede de cooperação e garante que o conhecimento chegue de forma prática e efetiva”, afirmou Paulo Vitor Sangaletti, coordenador de Planejamento e Estratégia Agro do Sicoob Central SC/RS.
Práticas conservacionistas e indicadores técnicos explicam ganhos de produtividade
Um dos pontos observados no encontro foi a coerência entre a produtividade estimada e os resultados informados pelos produtores, reforçando a confiabilidade do levantamento. Além de medir rendimento, o Giro da Safra também avaliou parâmetros técnicos que ajudam a explicar o desempenho em campo.
Entre os indicadores avaliados, estão:
Plantabilidade: mede a precisão na distribuição das sementes, fator decisivo para uniformidade do estande e potencial produtivo.
Índice de compactação do solo: indica limitações físicas ao desenvolvimento radicular e à infiltração de água, influenciando diretamente a estabilidade da produtividade.
Durante a programação técnica, o pesquisador Júlio César Ramos e o extensionista Zolmir Frizzo apresentaram a palestra “Como as práticas conservacionistas interferem na sustentabilidade dos sistemas produtivos”, reforçando que o manejo adequado do solo pode elevar a produtividade do milho e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais no sistema agrícola.
A ação tem apoio de instituições de ensino e de cooperativas e empresas ligadas ao setor agropecuário. A segunda etapa do Giro da Safra está prevista para ocorrer em Campos Novos.
Santa Catarina reduz área, mas mantém recordes de produtividade
Apesar do cenário positivo para o Extremo-Oeste, o histórico recente do estado mostra que a produção de milho em Santa Catarina passou por oscilações ao longo da última década. Fatores climáticos e a competição com outras culturas, como a soja, influenciaram as decisões de plantio e o tamanho da área cultivada.
No comparativo entre as safras 2015/16 e 2025/26, a área plantada caiu de 371 mil hectares para 258 mil hectares, uma redução aproximada de 30%. Ainda assim, o estado vem alcançando recordes de produtividade, evidenciando avanços em tecnologia, manejo e eficiência no uso do solo.
Destaque recente: na safra 2024/25, Santa Catarina registrou 9.350 kg/ha, o maior valor da série histórica mencionada no levantamento.
Entre os municípios citados com melhor desempenho, aparecem Campo Erê (12.953 kg/ha), além de Faxinal dos Guedes e Abelardo Luz.
A leitura combinada desses números sugere que, mesmo com menos área, o estado tem conseguido sustentar a produção por meio de ganhos de produtividade. Para especialistas e representantes do setor, levantamentos de campo como o Giro da Safra ajudam a identificar boas práticas replicáveis, reduzir gargalos e orientar estratégias para a segurança do abastecimento do grão.
Palavras-chave para busca: produtividade do milho, safra 2025/26, Extremo-Oeste de Santa Catarina, Giro da Safra, Epagri, manejo do solo, práticas conservacionistas, plantabilidade, compactação do solo.




