
Os mercados internacionais de grãos encerraram a semana com movimentos em direções opostas. Na Ásia, os preços do arroz seguiram sob pressão de baixa, refletindo demanda externa enfraquecida e oferta abundante nos principais países exportadores. Já nos Estados Unidos, os contratos futuros de trigo avançaram pela terceira sessão consecutiva na Bolsa de Chicago, impulsionados por preocupações com a seca no cinturão produtor e por compras técnicas de proteção.
De modo geral, o mercado asiático de arroz registrou queda ou estabilidade em níveis baixos na maior parte dos grandes exportadores. O cenário foi marcado por ritmo mais lento de negociações, com compradores adotando postura cautelosa diante de um ambiente de oferta confortável e consumo internacional menos aquecido.
Na Índia, o arroz parboilizado com 5% de grãos quebrados manteve-se estável na faixa de US$ 348 a US$ 353 por tonelada. O arroz branco com 5% de grãos quebrados foi ofertado entre US$ 344 e US$ 350 por tonelada.
Apesar da oferta elevada, exportadores apontaram desaceleração na obtenção de novos pedidos. A Índia, responsável por mais de 40% do comércio mundial de arroz, enfrenta ainda um componente adicional: as tensões em curso no Oriente Médio, que vêm encarecendo o transporte marítimo e os seguros em rotas estratégicas.
Impacto logístico: o conflito elevou custos de frete e seguro, especialmente nas rotas que atravessam o Estreito de Ormuz, pressionando a competitividade e o apetite por novas compras.
No Vietnã, o arroz com 5% de grãos quebrados foi ofertado entre US$ 355 e US$ 360 por tonelada, registrando leve recuo em relação à semana anterior, quando era negociado na faixa de US$ 360 a US$ 365 por tonelada.
Segundo agentes do mercado, a redução está associada ao aumento da oferta doméstica, apoiado pela colheita de inverno-primavera. Ao mesmo tempo, a demanda externa permanece fraca, limitando reações de preço.
A Tailândia também registrou queda. O arroz tailandês com 5% de grãos quebrados recuou para cerca de US$ 370 por tonelada, após ter sido cotado em US$ 380 por tonelada na semana anterior. O movimento foi atribuído, em parte, à desvalorização do baht.
Comerciantes avaliam que, apesar das tensões geopolíticas, não há aumento expressivo de demanda por estocagem no momento. Uma das razões é que o arroz indiano segue mais barato e mais disponível, o que mantém a concorrência acirrada. Na prática, a Tailândia continua atendendo principalmente seus compradores tradicionais.
Nos Estados Unidos, os preços dos grãos na Bolsa de Chicago (CBOT) mostraram desempenho misto, com destaque para o trigo. Ao final do pregão de 13 de março, o trigo para entrega em maio de 2026 subiu 15,25 centavos, encerrando a US$ 6,1375 por bushel.
No mesmo vencimento, o milho avançou 4,75 centavos, para US$ 4,6725 por bushel. Já a soja recuou 2 centavos, para US$ 12,2525 por bushel.
Commodity (maio/2026) Fechamento Variação no dia Principal fator Trigo US$ 6,1375 por bushel + 15,25 centavos Preocupação com seca e compras técnicas Milho US$ 4,6725 por bushel + 4,75 centavos Possível redução de área e influência do petróleo (etanol) Soja US$ 12,2525 por bushel - 2 centavos Pressão após máximas e cautela com negociações EUA–China
Analistas atribuem a alta expressiva do trigo a preocupações com a seca em áreas do cinturão produtor, o que pode comprometer o desenvolvimento das safras de inverno. Além do clima, o movimento também foi reforçado por compras técnicas, usadas como estratégia para proteção contra riscos e volatilidade.
O milho ganhou suporte com a avaliação de que a área plantada nos EUA pode diminuir na primavera. O aumento dos custos de insumos, como fertilizantes, tende a influenciar decisões de plantio, favorecendo a migração para culturas consideradas menos onerosas, como a soja — o que reduziria a oferta potencial de milho.
Outro fator de sustentação é o comportamento do petróleo bruto, negociado próximo a máximas de vários anos. Como o milho é insumo-chave para a produção de etanol, o petróleo mais caro pode elevar a demanda por biocombustíveis e, por consequência, trazer suporte adicional aos preços do cereal.
A soja operou sob pressão após atingir seu nível mais alto em quase dois anos. Entre os fatores citados pelo mercado está o potencial aumento de área plantada, caso produtores substituam o milho pela oleaginosa para reduzir custos.
Além disso, persiste um sentimento de cautela diante das próximas negociações comerciais entre EUA e China, consideradas um ponto de atenção relevante para o fluxo global de demanda.
Arroz: evolução da demanda externa e impacto de custos logísticos ligados às tensões no Oriente Médio.
Trigo: monitoramento do clima e da intensidade da seca no cinturão produtor dos EUA.
Milho: confirmação da área plantada e os efeitos do petróleo sobre o mercado de etanol.
Soja: expectativas de plantio e sinais das tratativas comerciais entre Estados Unidos e China.
Com o cenário internacional combinando pressão de oferta em alguns mercados e risco climático em outros, operadores seguem atentos a mudanças rápidas em logística, clima e políticas comerciais — fatores que podem redefinir a direção dos preços nas próximas semanas.
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