
A combinação entre eletrificação, etanol e biometano pode colocar o Brasil em posição de vantagem na transição energética do transporte, ao reduzir emissões sem apostar em uma única rota tecnológica. A avaliação foi apresentada por executivos de Scania, Copersucar e WEG durante debate no Anfavea Visions 2026.
Os participantes defenderam que a descarbonização do transporte deve ocorrer por meio de um portfólio de tecnologias, com diferentes fontes energéticas convivendo conforme a necessidade de cada aplicação. Para o setor, essa abordagem é especialmente relevante em um país cuja matriz energética permite avançar na redução de emissões com alternativas renováveis já disponíveis.
A mensagem central do debate foi que a transição energética não será conduzida por uma fonte exclusiva, mas por soluções complementares, escolhidas de acordo com a operação e a viabilidade de infraestrutura.
O CEO da Scania América Latina, Christopher Podgorski, destacou que programas de incentivo e direcionamento de investimentos ajudam a indústria automotiva a planejar inovação e desenvolvimento. Ao mesmo tempo, afirmou que a previsibilidade é decisiva em projetos que exigem comprometimento de longo prazo, defendendo políticas industriais mais duradouras.
Por que isso importa? A modernização de frotas, a adoção de novas tecnologias e a construção de infraestrutura dependem de ciclos longos de investimento e de regras estáveis para reduzir riscos.
Na visão da Copersucar, os biocombustíveis podem ampliar participação na matriz energética global com menor necessidade de grandes obras adicionais. O etanol foi citado como exemplo de combustível já consolidado no Brasil, mas ainda com presença limitada em grande parte do mercado internacional, apesar de décadas de experiência acumulada no país.
Segundo a avaliação apresentada, o aumento de misturas de etanol em outros mercados poderia representar um salto importante de demanda, aproximando-se do volume equivalente à produção brasileira atual. A leitura dos executivos é que o Brasil reúne conhecimento, oferta e capacidade produtiva em uma escala difícil de ser replicada por outros países.
Outro destaque do debate foi o biometano produzido a partir da vinhaça da cana-de-açúcar. A alternativa foi apontada como capaz de entregar redução expressiva de intensidade de carbono em comparação a combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, oferecer competitividade de custo na operação de transporte.
Origem: produção a partir de resíduos da cadeia sucroenergética, como a vinhaça.
Impacto climático: potencial de reduzir significativamente as emissões em relação a opções fósseis.
Competitividade: possibilidade de custo inferior ao do diesel em determinadas condições de mercado e operação.
A avaliação reforça que a indústria sucroenergética brasileira cria uma base de escala relevante para combustíveis renováveis, o que pode acelerar a transição energética sem exigir mudanças abruptas e imediatas em toda a infraestrutura.
Representando a WEG, Alberto Kuba afirmou que a mobilidade elétrica é uma frente estratégica e que a eletrificação de veículos comerciais deve continuar avançando. No entanto, o principal desafio está na infraestrutura necessária para sustentar a expansão: não apenas veículos, mas também sistemas de armazenamento de energia, carregadores de alta potência e integração eficiente com a rede elétrica.
O debate também trouxe o tema da digitalização: veículos tendem a ser cada vez mais conectados, e baterias podem ter papel ampliado na gestão do sistema elétrico. A possibilidade de uso das baterias como armazenamento para residências e empresas foi mencionada como um caminho para integrar mobilidade e energia, com potencial de ganho de eficiência.
Frente O que exige Ganho esperado Eletrificação Carregadores, rede elétrica preparada e armazenamento Redução de emissões e eficiência operacional Etanol Adoção de misturas e expansão de mercado Aproveitamento de infraestrutura existente Biometano Produção e logística compatíveis com o uso veicular Alternativa renovável competitiva ao diesel
Para a Scania, a eletrificação pode avançar no transporte pesado com mais rapidez em corredores logísticos onde a recarga seja economicamente viável. A leitura é que rotas com alto fluxo, previsibilidade operacional e estrutura de apoio tendem a acelerar a adoção.
Além disso, foram citados os sistemas autônomos, ainda dependentes de avanços regulatórios para ganhar escala, e a conectividade dos veículos, que deve ampliar o uso de dados para elevar a eficiência operacional das transportadoras.
Coexistência tecnológica como caminho para reduzir emissões sem perder competitividade.
Infraestrutura como fator decisivo para acelerar eletrificação em veículos comerciais.
Biocombustíveis como solução escalável e integrada à realidade produtiva brasileira.
Conectividade e uso de dados para melhorar produtividade e consumo energético.
O consenso do painel foi que a descarbonização do transporte será mais eficaz com a convivência entre diferentes fontes de energia — incluindo eletrificação, etanol e biometano — como soluções complementares. A proposta é reduzir emissões e ampliar eficiência sem comprometer a competitividade do setor, explorando vantagens estruturais da matriz energética brasileira.
A avaliação final dos executivos reforçou que a oportunidade está no presente: ao combinar alternativas renováveis e planejamento de longo prazo, o Brasil pode acelerar a transição energética no transporte e fortalecer sua posição no cenário global.

O governo do Paraguai decidiu tornar obrigatória a incorporação de etanol com 50% de origem na cana-de-açúcar na gasolina, posição que posiciona o país como nova fronteira de expansão da cana na América do Sul. A regra atual vinha com 30% de etanol, produzido principalmente a partir da cana, que passou a ter prioridade na matriz energética, diminuindo o papel relativo do milho.

O texto aborda a escalada do uso de biomassa para atender usinas térmicas ligadas às agroindústrias, impulsionada pelos investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso. A demanda aquém da oferta de biomassa já levou ao uso até de florestas nativas, mas há um movimento público-privado para restringir isso: o Ministério Público de Mato Grosso conseguiu que o governo estadual se comprometa a proibir o uso de floresta nativa para energia até 2035, o que deve acelerar o plantio de eucaliptos, que demoram seis a sete anos para maturar.

Preço e vantagem: o etanol hidratado permanece economicamente mais vantajoso que a gasolina em boa parte do país, com média de preço de 63,7% da gasolina (60,7% em São Paulo) na última semana de maio; para boa parte da frota flex, o rendimento fica em torno de 70% da gasolina (chegando a 75% em modelos mais recentes).

A empresa processou 17,9 milhões de toneladas de cana na safra, 12% abaixo da anterior, e concentrou a produção de açúcar para mitigar o menor esmagamento, com preços fixados próximo de 18 centavos de dólar por libra-peso. Como resultado, o lucro líquido caiu 62%, para 137 milhões de reais, a receita líquida recuou 16%, para 5,7 bilhões, e o EBITDA caiu 29%, para 1,3 bilhão; ainda assim, o desempenho figura entre os três melhores da história da companhia. Em contraste, a Tereos global encerrou a safra com prejuízo de 590 milhões (unit europeia mais afetada). A venda da Usina Andrade à Viralcool ajudou o resultado brasileiro, já que a unidade tem foco em etanol, enquanto o grupo é mais voltado ao açúcar e está em uma região com forte competição por cana. O executivo Santoul aponta a....

A Organização Marítima Internacional (OMI) estabeleceu o padrão de pegada de carbono para o etanol de milho brasileiro em 20,8 g CO2e por MJ, aplicado ao biocombustível produzido na segunda safra. Esse valor contrasta com a intensidade média atual do transporte marítimo, de 93,3 g CO2e por MJ, sinalizando um marco importante enquanto a OMI elabora regulamentações para combustíveis de baixo carbono. Executivos da indústria afirmam que o marco posiciona o etanol de milho brasileiro e sul-americano como combustível viável para a descarbonização do setor de navegação. A produção de etanol de milho no Brasil cresceu de cerca de....