
Aumento das Importações de Soja Brasileira Pela China
A China prevê um incremento nas importações de soja brasileira nos próximos meses, impulsionada por uma produção recorde e preços competitivos. Este cenário fortalece a posição do Brasil como principal fornecedor do principal importador mundial de oleaginosas.
Os processadores privados chineses estão firmando acordos para embarques a partir de fevereiro, acompanhando o ritmo acelerado da colheita brasileira e a consequente pressão dos preços para baixo.
Produção Recorde Pressiona Preços Brasileiros
A colheita intensificada no Brasil está aumentando a oferta no mercado internacional, tornando os preços da soja brasileira cada vez mais atrativos. Esta dinâmica pode desviar a demanda das cargas americanas quando sua temporada iniciar em setembro.
A previsão para a produção brasileira em 2025/26 é de um recorde de 182,2 milhões de toneladas, conforme indicado pela Agroconsult. Este volume consolida a competitividade do produto nacional e assegura uma oferta abundante para o mercado global.
A Preferência dos Compradores Privados Chineses
As importações de soja dos EUA alcançaram cerca de 12 milhões de toneladas, sendo realizadas exclusivamente por estatais como Sinograin e COFCO devido ao elevado custo. Assim, os compradores privados chineses se mantiveram distantes.
Com uma tarifa de 13% sobre a soja americana, seu preço se torna menos competitivo comparado aos 3% aplicados à soja brasileira. Consequentemente, os processadores privados chineses optam pela soja sul-americana.
Dan Wang, diretor de China do Eurasia Group, descreve a estratégia chinesa como uma forma de manter um clima político positivo. A reunião de abril entre líderes poderia influenciar tarifas e garantir assuntos como Taiwan, mas as limitações de volumes podem persistir, ressaltando o impacto das decisões políticas.
Vantagem Competitiva da Soja Brasileira
As margens de esmagamento da soja brasileira estão favoráveis de março a junho, segundo traders e analistas consultados pela Reuters. Os negócios continuam sendo viabilizados nesse cenário propício de preços.

Resumo: A semana começa com volatilidade nos mercados, acompanhando uma agenda econômica carregada de indicadores globais em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. No Brasil, o foco é o Boletim Focus (8h30), com projeções de inflação, PIB e juros. No exterior, Alemanha divulga encomendas e produção industrial (4h) e o índice de confiança Sentix (6h30); o Eurogrupo se reúne (7h) e há fala de Frank Elderson (7h30). América Latina observa o IPC do México (feb) às 9h. Nos EUA, acompanham-se o Índice de Tendência de Emprego (11h) e as Expectativas de Inflação ao Consumidor (12h). No Japão, o PIB do 4T/2025 sai às 20h50, apontando leve desaceleração. Geopoliticamente, o Irã permanece no foco, com alertas de chuva ácida após ataques israelenses e interrupção de exportações na região, elevando os preços de petróleo (WTI acima de US$ 108, Brent acima de US$ 107). Internamente, Mojtaba Khamenei é eleito o novo líder supremo. No Brasil, o Ibovespa fechou a semana anterior em queda de 4,99%, aos 179.364,82 pontos, com Petrobras registrando lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no 4T/2025.

Resumo: O Golfo Pérsico enfrenta o maior desafio de segurança alimentar desde 2008, com o conflito com o Irã ameaçando o serviço de portos e interrompendo a navegação pelo Estreito de Ormuz. A recente escalada indica que o Irã intensifica sua retaliação, lançando novos ataques contra países vizinhos e ampliando a instabilidade regional.

Resumo: O Brasil ficará com 42,5% da cota de exportação de carne bovina prevista no acordo Mercosul–União Europeia, seguido por Argentina (29,5%), Uruguai (21%) e Paraguai (7%). Esse rateio foi definido por um entendimento firmado entre associações setoriais do Mercosul, com base no peso relativo das exportações de cada país. O acordo estabelece uma cota anual de 99 mil toneladas, divididas em 55 mil toneladas de carne fresca/refrigerada e 44 mil de carne congelada, com tarifa de 7,5%. A implementação será gradual ao longo de seis anos. Dados do MDIC mostram que as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada para a UE variaram nos últimos anos entre 3 mil e 7 mil toneladas mensais, com valores entre US$ 20 milhões e US$ 50 milhões, refletindo a valorização da proteína no mercado internacional.

Resumo: Em Chicago, os contratos futuros de óleo de soja para maio subiram 2,9% para 69,54 centavos de dólar por libra; a soja avançou 2,5% para US$ 12,31 por bushel; o trigo subiu 3,1% para US$ 6,36 por bushel; o milho, 2,6% para US$ 4,72 por bushel, em 9 de março. O óleo de soja acumula a 11ª alta consecutiva, a maior sequência desde 2008, impulsionada pela demanda por culturas usadas em biocombustíveis diante de interrupções no fornecimento de combustível. O petróleo acima de US$ 100 por barril coincidiu com cortes na produção do Golfo e com o estreito de Ormuz quase fechado, elevando custos de frete e pressionando os grãos; o conflito entre EUA, Israel e o Irã está afetando o comércio de fertilizantes, sustentando os preços, segundo Joe Davis, da Futures International. Na China, óleos vegetais e farinhas de oleaginosas também subiram, com a farinha de soja em Dalian em 3.066 yuan/t e o óleo de palma atingindo o limite diário; movimentos semelhantes ocorreram para óleo de colza e farinha de colza em Zhengzhou. O aumento dos preços do petróleo alimenta preocupações inflacionárias globais, com impactos esperados nos preços da gasolina e, possivelmente, dos alimentos; embora muitos produtores tenham assegurado insumos para 2026, podem enfrentar dificuldades no próximo ano se o estreito de Ormuz não se reabrir em breve.

A ausência do Brasil no encontro em Miami reforça o entendimento de que a relação EUA–Brasil, sob Trump e Lula, segue ativa, porém marcada por distância estratégica e disputas de influência no continente.