
A demanda pela carne bovina brasileira perdeu força diante da cota de exportação fixada pela China e de barreiras comerciais da União Europeia apresentadas sob justificativa sanitária. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (5 de agosto) pelo presidente da Abiec, Roberto Perosa, em painel do Siavs, em São Paulo.
Desde o início de 2026, a China aplica cotas isentas de tarifa aos parceiros que embarcam o produto. Para o Brasil, o volume de 1,1 milhão de toneladas está praticamente completo. Qualquer quantidade acima desse limite sofre sobretaxa de 55%.
Com o teto quase atingido, diversos frigoríficos brasileiros concederam férias coletivas em parte de suas plantas. A medida busca equilibrar a oferta no momento em que o principal destino asiático deixa de absorver volumes adicionais sem custo extra.
No mercado europeu, o bloco retirou o Brasil da lista de fornecedores autorizados a enviar produtos de origem animal. A alegação foi a falta de comprovação do controle de antimicrobianos na cadeia produtiva. A União Europeia veda o uso de antibióticos como promotores de crescimento ou de aplicação humana.
Perosa lembrou que a OMSA já reconheceu o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação. Países signatários, porém, não replicam automaticamente esse status. Ele observou ainda que a organização é presidida pela França desde sua fundação, há mais de 40 anos.
Em visita recente à Rússia, uma autoridade local sugeriu a criação de uma instância sanitária própria para os BRICs. O grupo reúne 11 economias emergentes — entre elas Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul — e concentra 50% da população mundial.
Na próxima semana, uma comitiva da Coreia do Sul virá ao Brasil para avaliar o sistema sanitário nacional. O passo integra o processo de abertura do mercado coreano à carne bovina brasileira, mas não se esperam novidades de curto prazo, segundo o dirigente da Abiec.
Há expectativa de liberação da Turquia após anos de negociações intensas. Destinos já abertos, como a Tailândia, ainda exigem conversas com outros setores. O foco da cadeia permanece na Ásia, onde o consumo per capita tem espaço para crescer. Em 10 a 15 anos, as exportações devem avançar também para a África.
No mesmo painel do Siavs, outros executivos trouxeram leituras complementares sobre o cenário chinês. Neivor Canton, presidente da Aurora Coop, afirmou que as cotas se relacionam ao plano de Pequim de expandir a produção doméstica. Isso pode gerar redução gradual das importações e obriga o Brasil a buscar novos mercados. Canton defendeu a transição do volume para o valor nutricional e apontou margem de melhoria em produtividade, genética de aves e infraestrutura logística, mesmo o país sendo o maior exportador de frango e de carne bovina.
João Campos, presidente da Seara, previu esfriamento da demanda chinesa e a necessidade de a indústria inovar com rapidez para se adaptar ao novo perfil de consumo.
Gularte, da MBRF, relacionou mudanças demográficas na China — urbanização, elevação de renda e maior participação feminina no mercado de trabalho — a preferências por alimentos práticos, voltados à saúde, nutrição, longevidade e produtos emagrecedores.

A Abiec estima que os envios de carne bovina do Brasil às Filipinas fiquem entre 80 mil e 96 mil toneladas em 2026. No primeiro semestre, o volume chegou a 35,9 mil toneladas, com receita de US$ 162,4 milhões, enquanto a ABPA apontou alta de cerca de 15% no frango e de cerca de 30% nos suínos nesse mercado.

O FSIS/USDA determinou o recolhimento de aproximadamente 13,44 toneladas de carne bovina in natura da Argentina que ingressou nos Estados Unidos sem a reinspeção sanitária obrigatória. O produto, processado em maio de 2026 pelo Frigorífico Gorina, foi distribuído na Flórida e no Texas, sem casos de doença associados.

A Noruega não importará carnes e derivados do Brasil com certificados sanitários emitidos a partir de 3 de setembro de 2026, por falta de garantias sobre o não uso de antimicrobianos. Em 2025, o país comprou 279 toneladas de carne bovina brasileira, gerando US$ 3,8 milhões.

Até 10 de agosto de 2026, as importações chinesas de carne bovina in natura do Brasil chegaram a 995,4 mil toneladas, ou 90% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas. Frigoríficos reduziram envios em julho, com faturamento em queda.

As primeiras projeções da Associação Mundial da Maçã e da Pera (WAPA) apontam contração de 15,6% na produção de maçã da União Europeia na campanha 2026/27, para 9.496.047 toneladas. Já a produção de pera deve crescer 5,5%, alcançando 1.946.482 toneladas.