
A edição mais recente da Expodireto Cotrijal, realizada nesta semana em Não-Me-Toque (RS), foi marcada por um tema que tem pressionado o setor agropecuário e repercute diretamente na economia e na cadeia de abastecimento: o endividamento agrícola, agravado por sucessivas frustrações de safra no Rio Grande do Sul. Considerada uma das principais feiras do calendário agrícola brasileiro, a exposição ocorre desde 2000 e só deixou de ser realizada em 2021, durante a pandemia.
Em um cenário de margens apertadas, custos elevados e oscilações de produtividade, o ambiente de negócios foi descrito como mais cauteloso. A organizadora do evento, a Cotrijal Cooperativa Agropecuária e Industrial, manteve a decisão adotada no ano anterior e não divulgou o volume de negócios encaminhados ao final da feira.
Segundo o presidente da Cotrijal, Nei César Manica, a feira já foi conhecida por estimular compras com vantagens de preço, com empresas trazendo condições promocionais e descontos para atrair o produtor. Ainda assim, o tom neste ano foi de prudência.
O produtor está mais cauteloso. Não há a mesma euforia de comercialização de anos anteriores.
A leitura de expositores e agricultores ao longo da programação apontou para decisões mais conservadoras, com adiamento de investimentos e ajustes técnicos para reduzir custos, sobretudo em propriedades atingidas por instabilidade climática e queda de rentabilidade.
Durante o evento, a Emater apresentou uma estimativa para a safra no Rio Grande do Sul. O levantamento indica que a produção de soja — principal cultura do Estado — deve alcançar 19 milhões de toneladas, cerca de 11% abaixo do previsto inicialmente. O quadro foi agravado, mais uma vez, pela escassez de chuvas em determinadas regiões.
Esse tipo de frustração sucessiva cria um efeito em cadeia: eleva a necessidade de renegociação de dívidas, reduz a capacidade de investimento e aumenta o risco de decisões produtivas mais defensivas, com potencial de afetar o ritmo de adoção de tecnologias e a eficiência no campo.
Em destaque: a combinação de produtividade menor, custos altos e preços de venda pressionados foi apontada como um dos principais fatores por trás da cautela nas decisões de compra.
Em meio às incertezas, o produtor rural Luiz Fernando de Oliveira Branco, de Coxilha (RS), relatou que adiou investimentos que estavam previstos para 2026. A instalação de um sistema de irrigação ficou para o próximo período.
Para reduzir despesas, ele também ajustou o manejo e cortou em 20% a adubação aplicada na lavoura. Nas variedades precoces, a expectativa é colher em média 40 sacas de soja por hectare. No início da safra, a meta era atingir 65 sacas, patamar que ainda pode ser buscado nas variedades mais tardias, dependendo das condições climáticas.
O produtor resume a safra como uma temporada de alta expectativa seguida de nova frustração, pressionada por uma combinação de custos de produção, baixa produtividade e preços menos favoráveis na comercialização.
No mercado de insumos, especialmente fertilizantes, a cautela também se reflete no ritmo de compras. De acordo com Eduardo Monteiro, executivo da Mosaic no Brasil, o avanço das aquisições em 2026 está mais lento do que no mesmo período de 2024.
A estimativa é de que cerca de 28% do volume projetado para o mercado brasileiro já tenha sido negociado, ante 38% no mesmo intervalo do ano anterior. A leitura do setor é que a postergação pode trazer consequências operacionais.
Essa postergação pode gerar concentração e estresse logístico, encarecendo custos portuários e fretes.
A pressão também aparece na relação de troca, influenciada pela desvalorização de commodities. No caso da soja, a referência informada foi de 26 sacas por tonelada de fertilizante, frente a 24 sacas no ano anterior e 20 sacas em 2020. Para o milho, a relação apontada foi de 61 sacas por tonelada, acima das 43 sacas de um ano atrás.
Indicador Referência mais recente Comparação citada Soja por tonelada de fertilizante 26 sacas 24 (ano anterior) | 20 (2020) Milho por tonelada de fertilizante 61 sacas 43 (ano anterior)
Apesar das incertezas na soja, o milho tem sustentado parte da demanda por tecnologia no Sul. Para Fabrício Passini, diretor de agronomia da Syngenta Seeds, a cultura vem ganhando espaço nas lavouras e tem sido considerada uma alternativa de resiliência dentro das propriedades, especialmente em períodos de rentabilidade pressionada.
A percepção compartilhada com produtores durante a feira é de que o milho tem ajudado a equilibrar a conta em algumas regiões, reforçando o interesse em ampliar área e buscar inovação na produção.
Produtores mais seletivos em investimentos
Busca por culturas com melhor retorno relativo
Estratégias para reduzir exposição ao risco climático e de preços
O segmento de máquinas e tecnologia embarcada também espelhou o momento do campo. Segundo Arthur Paratella, da fabricante italiana ROJ, o mercado de equipamentos novos está mais travado, enquanto cresce a demanda por modernização de máquinas existentes.
A avaliação é de que produtores têm optado por melhorias em equipamentos usados, com foco em custo-benefício. Nesse contexto, o retrofit — atualização técnica de máquinas já em operação — é visto como um mercado mais aquecido, por permitir ganho de desempenho sem o investimento necessário para aquisição de um equipamento novo.
O que muda na prática
Menor desembolso imediato em comparação com compra de máquinas novas
Atualização tecnológica para melhorar eficiência operacional
Decisões alinhadas a um ciclo de produção com maior incerteza
Embora o debate seja agrícola, seus efeitos podem alcançar a sociedade como um todo. Oscilações na produtividade, custos de insumos e gargalos logísticos impactam a cadeia de alimentos, com reflexos potenciais sobre preços, disponibilidade e planejamento de abastecimento. Além disso, a instabilidade econômica no campo pode aumentar a pressão social em regiões dependentes do agronegócio, afetando renda e segurança alimentar.
Ao final, a Expodireto Cotrijal reforçou a mensagem central desta temporada: a combinação de clima adverso, custos elevados e endividamento tem levado o produtor a recalibrar prioridades, apostando em decisões mais conservadoras, otimização de recursos e escolhas tecnológicas com retorno mais imediato.

Criado em 2018 pela Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), o Prêmio Mulheres do Agro (PMA) reconhece e valoriza o protagonismo feminino no agronegócio brasileiro. A iniciativa destaca produtoras rurais, pesquisadoras e cientistas que desenvolvem práticas inovadoras, sustentáveis e de impacto social no setor.

O texto celebra a participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos em feiras internacionais — Hannover Messe, Feimec e Agrishow — destacando que esses eventos vão além da exposição, funcionando como palcos onde a engenharia se materializa por meio de protótipos, demonstrações e negócios capazes de redefinir setores. A Hannover Messe é apresentada como um dos principais termômetros da indústria global, reunindo visitantes de diversos continentes e setores como automação, energia, digitalização e engenharia de precisão, promovendo parcerias estratégicas e a convergência entre inovação e negócios. O Brasil é retratado como capaz de atuar em feiras de nível internacional, promovendo soluções tecnológicas competitivas, não apenas na Europa ou na Ásia, mas....

A Bahia Farm Show chega à sua 20ª edição, de 8 a 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães (Oeste da Bahia). Com o lema “Somos um só”, a feira reforça a importância do agronegócio regional, que responde por cerca de 14% do PIB da Bahia e movimenta cerca de R$ 40 bilhões na economia local. Dados da Aiba apontam que o Oeste produz entre 9 e 10 milhões de toneladas de grãos por ano (89% da produção estadual) e 96% da produção de algodão, com 843 mil toneladas em pluma. A região, que abrange Barreiras, São Desidério e Formosa do Rio Preto, ocupa 171 mil km² e abriga quase 1 milhão de habitantes; muitos moradores são migrantes do Sul que chegaram na década de 1970/1980 em busca de oportunidades no Cerrado.

O 18º Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui) reuniu fiscais estaduais agropecuários de diferentes regionais da Seapi para discutir sanidade, produção, reprodução e gestão na suinocultura brasileira. O evento, que se encerrou em 21 de maio no Centro de Eventos da PUCRS, teve como objetivo ampliar a qualificação técnica dos profissionais da defesa sanitária. Gustavo Diehl, fiscal estadual agropecuário e coordenador do Programa de Sanidade Suína da Seapi, destacou que a participação em eventos técnicos é uma excelente oportunidade de qualificação para enfrentar desafios sanitários e aprimorar o atendimento às demandas da cadeia produtiva de suínos.

Resumo executivo: - A Rondônia Rural Show Internacional (RRSI) chega à 13ª edição, em Ji-Paraná, de 25 a 30 de maio, consolidando-se como uma das maiores feiras do agronegócio da Região Norte, reunindo produtores e investidores de diversas regiões do país. -